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quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Fazemos parte dos PIGS, os porcos da economia...


Os economistas o sabem, mas, segundo parece, a população ainda não : fazemos parte do grupo das economias europeus denominadas pela imprensa anglosaxona como sendo os PIGS (Portugal, Italy, Greece, Spain). Creio que não é preciso esclarecer que a palavra "PIGS" não é só - e por coincidência - a sequência dos iniciais dos países mencionados mas significa também em inglês "PORCOS", uma palavra com uma conotação pejorativo, insultuosa quando for utilizada para indicar um país, um povo, uma nação. Somos de facto percebidos como um pais sem disciplina fiscal, com um défice demasiado grande e com um desemprego galopante: de facto ameaçamos a estabilidade da zona euro. Dos 4 PIGS ( ou talvez 5 quando incluirmos a Irlanda) é a Espanha a ovelha mais negra. Ainda na semana passada o PM Zapatero tive de defender em Davos, a solvência da Espanha perante um público bastante céptico. O nosso país vizinho - que hoje passou a barreira dos 4.000.000 de desempregados - da mais nas vistas porque, devido à sua dimensão económica e ao tamanho do seu descalabro, tem mais hipóteses de influenciar negativamente a situação da zona Euro. Mas, tudo isso não pode esconder que nós estamos outra vez - 35 anos após o 25 de Abril , 23 anos após a nossa entrada na CE e 10 anos após a nossa aderência à zona euro - em maus lençóis e em má companhia. Não tenho a competência adequada para explicar todos os aspectos do nosso falhanço (ou será falência ?) comum, mais uma coisa está certa: de certeza tem em grande parte a ver com a nossa mentalidade do "gasto inútil" considerado de "prestigio": vemos isto a nível do Governo Central com os estádios de futebol e os projectados novo aeroporto e TGV, mas também ao micro-nível das vilas e aldeias onde por vezes bares de festas, rotundas e outros artefactos dispendiosos são um prioridade. Como afirma "Fundstrategy" "...existem duvidas sobre a capacidade dos políticos portugueses em utilizar bem os dinheiros. Muitas das ajudas dadas no passado pelo CE foram dirigidas para projectos de infra-estrutura com poucos efeitos sobre a produtividade, em lugar de serem aplicadas na tecnologia, na educação e na investigação... " O autor continua pondo em duvida a utilidade do TGV planeado entre Porto e Lisboa : " Qual será o impacto sobre a produtividade de um investimento de biliões para reduzir a duração do trajecto em 40 minutos?" Mas como diz um velho proverbio flamengo : "óculos e uma vela não valem nada, quando o mocho for cegueta".

terça-feira, agosto 25, 2009

Uma dica para aumentar a produtividade em Portugal...

Um dos grandes problemas da economia Portuguesa é a fraca produtividade, muito abaixo da média europeia. As causas para o atraso português estão basicamente concentradas em dois dos cinco factores utilizados para avaliar a produtividade dum país : o nível do capital humano e o da capacidade de gestão. Não sou economista, mas tenho a impressão que conheço um método para aumentar a produtividade referida : começar a trabalhar às 9 horas em vez de às 9h e 15. Explico-me : sofrendo de um bioritmo bastante matinal, tenha a tendência de estar sempre à espera uma meia hora antes da abertura das repartições, empresas, escritórios e serviços que de costume começam às 9 horas. Assim tenho todo o tempo de mundo para uma observação pormenorizada de alguns hábitos laborais. O que se passa na realidade é o seguinte : os empregados começam a chegar por volta das 9 horas, passo a passo, gota a gota. Tiram o casaco, abrem os estores, colocam o lanche no frigorífico, bebem um cafézinho, vão fazer a sua mijadela, proliferam alguns comentários sobre a Gripa A e o Ronaldo, pousam delicadamente as nádegas na cadeira e finalmente ligam o computador. São 9h e 15, o trabalho pode começar. Ora bem, creio que neste momento exacto já estamos a perder em relação com os países com melhores índices de produtividade : são quinze minutos, concretamente 3,13% do horário laboral diário. Conclusão : quem consegue convencer os seus colaboradores a entrar no local de trabalho com uns 15 minutos de antecedência - todo o tempo necessário para executar os seus rituais matinais - presta um grande serviço a economia nacional...
Não quero mencionar aqui algumas aberrações tragicómicas às quais ja assisti : como o condutor de um autocarro dos transportes públicos que estaciona o seu veiculo cheio de pessoas, para ir tomar um café ou o chefe da estação dos CTT que fecha o seu estabelecimento colocando um cartaz "voltamos já" na janela, também por motivo da bica...
Als iedereeen stipt om 9h zou beginnen werken en niet om 9h 15 (na een koffietje, een plasje of een babbeltje) zou de productiviteitsindex van de lokale werknemers zeker stijgen...

sexta-feira, julho 03, 2009

Um ou dois chifres : eis aqui a questão...

Um gesto infeliz do agora ex-ministro da Economia na Assembleia , imitando um animal ruminante-herbívoro bem conhecido, provocou a sua queda. Se o Ministro tivesse utilizado só um dedo , poderia ainda ter dado a volta à historia, alegando que estava a comparar o seu interlocutor-deputado com o Unicórnio, o ser mítico que é o símbolo da pureza, esperança, amor e majestade, mas não foi, eram visivelmente os dois indicadores que estavam apontados na direcção de Bernardino Soares.
Admitindo que talvez não tenha a sensibilidade latina-ibérica necessária para interpretar o simbolismo de tal acto, por minha parte, não o acho tão grave: a linguagem gestual faz parte da vida diária na nossa sociedade, para o bem e para o mal. Quem ainda andava com a ideia que existisse uma camada superior de cidadãos imaculados na qual a mentira, a burla, o roubo, o insulto não existem, já deve ter mudado de opinião à luz dos acontecimentos dos últimos meses. Não, honestamente, se eu tivesse estado no lugar do deputado comunista, teria simplesmente ripostado com um grandioso pirete na direcção do Manuel Pinho, gritando de voz alta "toma-la cabr.." e ... acabava-se aqui a história. E a seguir - como em qualquer tasca de Portugal- íamos ter tomado juntos uma cerveja.
Há coisas muito mais sérias do que um par de chifres: por exemplo, na semana passada, o Ministro da Agricultura mentiu descaradamente no Parlamento sobre o "timing" da demissão de Carlos Guerra (Freeport), foi publicamente contradito pelo PM, no entanto fica tranquilamente em funções exibindo o seu pequeno sorriso sibilino de sempre. A mentira é menos grave para um Ministro do que uma imitação pálida dos cornos do macho caprino ?
De Minister van Economie is ontslagen omdat hij in het parlement een oppositielid beledigd had met het bekende hoorndrager-gebaar. In feite niet zo erg toch; verleden week nog loog een Minister in het Parlement ivm met een ambtenaar die in een corruptieschandaal verwikkeld zou zijn, werd door de Eerste Minister tegengesproken, maar bleef rustig op post. Liegen is minder erg voor een Minister dan met je 2 wijsvingers op je voorhoofd een geitebokje nabootsen...

sexta-feira, novembro 14, 2008

O Economista pratica a arte da autópsia económica.

Durante toda a minha vida, tive sempre um grande respeito pelos economistas. A leitura dos seus artigos na imprensa originava em mim uma profunda admiração por estas pessoas que eram capazes de prever - utilizando um vocabulário técnico-etérico - o futuro da nossa economia e que eram sempre dispostas a dar - a partir do seu púlpito - explicações e conselhos ao cidadão comum. As suas actuações nas televisões não comprometeram em nada esta imagem, muito pelo contrário, aquelas pessoas calmas e decididas, geralmente vestidas em fatos discretos de marca e falando com uma voz suave e contida , fortaleceram ainda a boa impressão criada dentro da minha cabeça. Os acontecimentos dos últimos meses abriram-me os olhos e de facto devemos admitir que os economistas funcionam melhor na sua condição de autopsiadores da economia e não como na de orientadores . Hoje em dia aparecem, tão convencidinhos como antes, nos nossos ecrãs para explicar o que se está a passar na economia, quando na realidade devíamos ter ouvido alertas,avisos e explicações há alguns meses atrás. As ocorrências recentes provaram mais uma vez que a economia não é uma ciência exacta como a matemática, física ou química, deve ser mais considerada com uma "ciência especulativa" porque é baseada em muitos factores impalpáveis e subjectivos (a confiança do consumidor, por exemplo). Além disso, a "ciência da economia" não é independente das ideologias políticas : cada ideologia tem economistas ao seu serviço e todos produzem ou produziram o mesmo tipo de retórica para defender o sistema económico no qual estão inseridos, quase sempre com argumentos contraditórios. São economistas que fundamentaram o sistema económico marxista, fascista ou capitalista e - se calhar - todas falharam. Conclusão : autopsiadores são necessários...mas não tantos....
Het lijkt me steeds duidelijker dat de economisten in feite meer een nabeschouwende functie hebben dan wel een orienterende of preventieve: het zijn in feite lijkschouwers van de economie en niet zozeer gidsen of leidinggevers. Daarbij hebben alle ideologische strekkingen economisten ter beschikking die met dezelfde welsprekendheid tegengestelde standpunten verdedigen.