quinta-feira, setembro 25, 2008

Comida anti-portuguesa ...

Passei uma noite em Lisboa e tentei obter na recepção do hotel uma dica para um restaurante bom nos arredores. A ajuda não podia ser mais eficaz: entregaram-me imediatamente um cartão de visita dum estabelecimento na Avenida Garcia Elias, repetindo efusivamente que era "a cozinha tipicamente portuguesa e além disso que não era muito caro". Por norma - ou será por ingenuidade? - confio nos conselhos dos moradores dum sitio e fui jantar no restaurante sugerido. Ai mama mia, que ratoeira para turistas... Sobre o ambiente não há nada a dizer : bastante requintado (paredes ornamentadas com diversas colecções de azulejos, moedas, bandeiras, etc.), pessoal ultra-charmoso e brincalhão e uma ementa sedutora. Pedimos um vinho branco fresco e - se calhar devido à nossa aparência lusófona- o empregado veio nos sussurrar ao ouvido que para nos era 2 euro mais barato do que estava marcado na lista. Estranho,não? Escolhemos 2 pratos típicos portugueses : polvo à lagareiro e carne de porco alentejana. O polvo que de facto era um único tentáculo dum polvito qualquer, era servido com 6 batatinhas a murro, um pouco de couve e um punhado de uvas brancas. O outro prato era composto por algumas poucas batatas, uns 8 pedacinhos de carne ultra-dura ( dos quais metade incomestível porque só nervos e tendões), couve, arroz , uma rodela de laranja e outro punhado de uvas. De coentro nem vestígios. Como a fome nos ainda apertava, o meu companheiro pediu uma dose de Queijo da Serra, que veio de forma impecável, mas mal acompanhado por bolachas moles e doces; eu optei para uma "especialidade da casa", um "biquíni", na realidade uma coisa infecta baseada em natas misturadas com alguns pedaços de fruta já fora do prazo e -adivinhou - também as indispensáveis uvas brancas). Todos os esforços dos empregados - visivelmente treinados para o efeito- para atenuar a nossa decepção com a oferta dum mini-mini-copo de ginja foram em vão : nunca mais ! Só me preocupam os muitos turistas que andavam la. De certeza nunca mais voltarão, mas devem ter uma ideia bastante negativa sobre a gastronomia portuguesa. Lamento a existência deste tipo de combinações enganadoras entre hotéis e restaurantes que contrariam toda a publicidade feita para a boa cozinha portuguesa. E a final : era barato? Nem por isso, para a qualidade e quantidade oferecida, bastante caro...
Soms bestaan er in Lissabon (maar wellicht overal ter wereld) afspraken tussen hotels en restaurants om de niets vermoedende toerist naar bepaalde "typische" eetgelegenheden te lokken waar hij dan meer met folklore dan met lekker eten gekonfronteerd wordt.

quarta-feira, setembro 17, 2008

A inexplicável atracção do café menos higiénico da Bélgica

Na pacata aldeia de Hansbeke – Flandres Oriental visitámos o café provavelmente mais sujo da Bélgica. Mas exactamente por isso é também um dos mais atraentes. O café chama-se De Reisduif (o Pombo-Correio) e é gerido por Léon um sexagenário valente e antigo columbófilo. O Léon soube transformar características que normalmente só causam repugnância e desgosto em pólos de atracção. O estabelecimento onde o Léon governa sem contestação encontra-se num estado lastimável: degradado, podre e sujo,
O caminho de acesso laminoso é só utilizável graças aos milhares de caricas aí depositadas ao longo dos anos. O pátio está repleto de velhas garrafas, cadeiras plásticas cobertos de musgo e tendas em desequilíbrio. Dezenas de pombos dormitam no telhado, só interrompendo ocasionalmente esta nobre actividade para defecar “ad libitum”. No interior notámos papel de parede sem cor definida a cair, um mini-balcão ruído pelos vermes e um fogão vetusto a carvão mineral. Porque não há copos, Léon só serve bebidas de garrafa que – como também não tem frigorifico – saem directamente da grade. Inserindo uma moeda num juke-box da época, pode ouvir musica pimba dos anos ´70. Entre os clientes – jovens e velhos – reina a boa disposição: uma mini-sociedade sem classes, unida pelo lixo. Depois de beber uma ou duas cervejas e de escutar as sempiternamente mesmas piadas do Léon, cada um volta à sua vida: uns com bicicleta, outros com Mercedes ou BMW…Em Portugal a ciclópica ASAE toparia imediatamente o “De Reisduif”, mas creio que na Flandres fecham os olhos, considerando que – mesmo que os biliões de micróbios, bactérias e fungos que abundam mo negocio do Léon não sejam o ideal para a nossa saúde – alguns momentos passados na companhia do velho columbófilo são excelentes para o nosso bem-estar psíquico. E quem sabe: permanecer uma meia hora circundado por tantos agentes patogénicos pode ter algum valor preventivo, um tipo de vacina múltipla; imagine-se só um momento que os clientes de Léon se tornem mais resistentes às tão temidas infecções hospitalares…
Em todo este contexto, não é nada de estranhar que a intervenção cirúrgica à qual Léon foi submetido há alguns meses, obteve um lugar importante no noticiário da TV flamenga: de facto, o património cultural é um assunto para todos.
Tijdens het vorig weekend bezochten we het legendarische café De Reisduif, waar een herboren Léon de plak zwaait.

terça-feira, setembro 16, 2008

Discriminação da maioria Flamenga na Bélgica (1)


As Finanças belgas tratam de maneira injusta e discriminatória os contribuintes flamengos. A esta conclusão chega o ex-ministro do Orçamento, Johan Vande Lanotte (Partido Socialista)com base nos seguintes numeros.
Na Flandres a percentagem dos contribuintes que não pagaram os seus impostos no último ano e que ainda não foram incomodados pelos serviços competentes do Estado oscila entre os 6,5% (Antuérpia) e 11,6% (Louvania); na parte francófona do pais, a situação é bastante diferente: entre 26% (Namur) e 46,6% (Charleroi) dos contribuintes em falta ainda não foram intimidados pelo fisco.
Autorizando estas diferenças intoleráveis, o Estado belga patrocina outra vez uma transferência injustificável de dinheiros da Flandres para a Valonia.
Qousque tandem, Bélgica,abutere patientia nostra?
Wie binnen zijn belastingen niet betaalt wordt vooral in Vlaanderen daar binnen het jaar voor lastig gevallen door de fiskus. In Wallonie is dat veel minder. Weer wat discriminatie...

segunda-feira, setembro 08, 2008

Temos a prova: não é preciso limpar….

Na nossa povoação organizou-se há umas 3 semanas uma festa tradicional em honra do Santo António. Bem, bem tradicional, no sentido de fluxos imparáveis de música pimba e muito barulho nocturno. Parece que quanto mais são os decibéis, melhor será a qualidade do divertimento popular.
A Junta da Freguesia que se empenhou tanto na construção dum enorme bunker “bar-de-apoio”, não cumpriu a sua promessa de instalar casas de banho, de tal modo que a tradição respeitável da defecação campestre foi entusiasticamente mantida.
Enquanto os preparativos do evento demoraram varias semanas, a sua finalização foi muito mais rápida, não sobrando qualquer tempo para limpar o papel, plástico, latas e outras porcarias abandonados no sitio.
No final isso não foi necessário: alguns cães vadios, centenas de moscas , um par de aguaceiros e um vento forte resolveram o problema. Hoje tirei umas fotografias e podem ver a veracidade das minhas afirmações: os excrementos diluíram-se, o lixo espalhou-se: dentro de 3-4 meses esta terra estará limpinha como antes. Viva a natureza…
In ons dorp organiseert men feesten, maar nadien vertikt men het de boel nadien op te ruimen. De natuur doet het dan maar zelf : wind en regen met de hulp van vliegen en loslopende honden...

De Gordel, a Cintura Sagrada que circunda Bruxelas….


Ninguém tem dúvidas sobre a origem flamenga de Bruxelas.
Todavia aquela cidade, da qual o nome significa (casa no pântano = broek-seele), foi submetida a uma “francofonização” sistemática por parte do Estado belga unitário, de tal maneira que os Flamengos actualmente só formam uma minoria na capital do reino belga (talvez 10% dos citadinos). Deve ser um facto único no mundo que uma grande maioria (60%) da população que produz 70% do PIB do seu país, deve chamar à capital uma cidade onde dificilmente pode ser entendida na sua própria língua.
Assim, Bruxelas constitui hoje em dia uma ilha multilinguística (mas prepronderantemente francófona), circundada por território flamengo. Nos últimos 50 anos, muitos francófonos mudaram para a circunferência flamenga de Bruxelas, uma zona evidentemente mais rural e mais verde do que a capital, recusando desde o inicio adaptar-se à cultura existente. São basicamente motivados pela mesma arrogância cultural que incitou Charles Maurras nos anos ’30 a chamar o Português “um dialecto” em comparação com a nobre língua francesa. Na Flandres todos os imigrantes – Turcos, Russos, Italianos, Polacos ou Portugueses – adaptam-se à realidade administrativa e cultural da Terra onde foram acolhidos, os francófonos não. Utilizam sempre o mesmo estratagema: juntam-se, isolam-se, criam partidos e tentam tomar o poder politico nas aldeias onde lhes apetece e depois… começam a reclamar privilégios linguísticos para finalmente exigir o recorte daquele município do mapa da Flandres. É como se no concelho de Albufeira ou Loulé houvesse uma maioria de residentes Espanhóis (ou Ingleses) que após ter ganho as eleições contra a população autóctone, começasse a recusar a aplicação da legislação sobre o uso do Português na administração e no ensino e exigir a integração daquele município na Espanha (ou no Reino Unido).
Para deixar bem claro que nunca vão abdicar dos seus direitos sobre aquelas vilas e aldeias da Cintura de Bruxelas, a comunidade flamenga organiza cada ano uma volta a Bruxelas em bicicleta para cicloturistas. Uma manifestação desportiva, lúdica e pacífica que conta em média com uma participação de 50 a 80.000 pessoas.
Foi ontem e – mais intolerantes do que nunca – os francófonos tentaram boicotar a manifestação arrancando postos de sinalização e semeando pioneses nas estradas.
De facto queriam impossibilitar que os Flamengos passeassem nas terras que há 1500 anos lhes pertencem e que foram imortalizadas nas pinturas de dezenas de mestres entre os quais os 3 Breughel são certamente os mais conhecidos.
De Gordel - een fietsmanifestatie rond Brussel - is een duidelijk signaal dat aantoont dat de Vlamingen niet van plan zijn deze oer-Vlaamse dorpen los te laten.

segunda-feira, setembro 01, 2008

Há ainda bom gosto: por exemplo em Alfafar…(2)


Alfafar é uma povoação que pertence à freguesia de Podentes. Tem fama, não só pelos vinhos aí produzidos (Terra de Sicó), mas também pelas festas, mesmo que a vizinhança imediata do IP3 constitua um factor complicador para aquela actividade . Os Alfafarenses demonstraram este fim-de-semana mais uma vez o seu bom gosto e a sua paixão pela tradição. Quando noutras povoações de Podentes – com muito menos habitantes – julgam necessário construir mastodontes em blocos de cimento para albergar as grades de cerveja, os tremoços e as fogaças, os de Alfafar honraram os velhos costumes usando para o efeito construções desmontáveis, tradicionais e de boa estética popular. Pavilhões simples ornamentados com ramos verdes naturais e um quiosque artesanal elegante à imagem da simplicidade e autenticidade das populações do interior de Portugal, são estas as coisas que aprecia o freguês e que procura o turista. O resto só serve para envilecer o país e originar um encolher de ombros por tanta mediocridade.
In het dorpje Alafafar bouwt men feestjes zonder het milieu geweld aan te doen en de oude tradities in ere houdend...

Há ainda bom gosto: por exemplo em Góis…(1)

Sempre gostei muito de Góis: parecia-me sempre um sítio relativamente bem preservado do modernismo banal e vulgarizador, tanto apreciado por grande parte dos nossos autarcas. No último Domingo passei uma tarde na Praia do Cerejal, uma praia fluvial situada à beira do rio Ceira – a escassos metros do centro da vila - e só posso confirmar a minha convicção anterior por meio de elogios. De facto, aquela praia situada ao lado duma magnífica ponte manuelina, dispõe das comodidades necessárias para satisfazer o turista: areia fina, águas cristalinas cheias de peixes, bons e eficazes serviços de apoio, bares e esplanadas feitos de madeira... Aqui não há lugar para palmeiras exógenas, música ensurdecedora ou fontainhas luminosas … Para aconselhar…
Het stadje Góis heeft - met goede smaak - een strandje ingericht aan de oevers van de rivier Ceira.

sexta-feira, agosto 29, 2008

Um Património vivo desprezado em Portugal

No nosso país temos 4 raças próprias de pombos ornamentais. Ao contrário do que se passa em outros países onde todas as raças de animais domésticos autóctones são apreciadas, preservadas e apoiadas, mesmo que pertençam a espécies sem grande utilidade económica directa, em Portugal estas aves estão em via de desaparecimento. Não usufruem de nenhum incentivo oficial, não merecem qualquer interesse dos meios de comunicação social, são ignoradas pela opinião pública: o abandono total. No entanto, os referidos pombos fazem parte do património vivo deste país na mesma medida como o Burro de Miranda, o Porco Bisaro ou o Cão da Serra da Estrela. As origens do Mariola (2) (e obviamente também da sua forma anã, o Mariolinha (1)) recuam à época dos descobrimentos e deste modo deveriam ter um grande valor sentimental para cada Português: a triste realidade é que existe apenas um par de criadores em território nacional. O Criador Lusitano (4) é um pombo robusto e rústico que além de ser bonito podia ter interesse como produtor de carne para um sector onde estamos sempre à procura de produtos endógenos, todavia esta ave também se tornou raríssima. E finalmente temos o mais pequeno de todos, o cambalhota Português (3), capaz de fazer acrobacias ousadas no ar: uma raça muito apreciada no estrangeiro, tanto na Alemanha como nos EUA.
Honrar o passado é um orgulho para o presente, e neste domínio Portugal falha estrondosamente, claro exceptuando esta mão cheia de criadores nacionais corajosos e perseverantes.
Deze vier inheemse duivenrassen kunnen op weinig appreciatie rekenen in Portugal. Nochtans maken ze deel uit van het levend patrimonium.

segunda-feira, agosto 25, 2008

Apologia dum estilo : o da sobriedade e da contençao..

No momento de se demitir da liderança do PSD após um consulado bastante caótico, o Dr. Luís Filipe Menezes prometeu que nunca iria ser um guerrilheiro contra a nova direcção, nos moldes como lhe trataram "os outros vilões" do partido. Na realidade, não aguentou durante muito tempo : em plena época de férias, publicou no JN um artigo de opinião com fortes criticas a Manuela Ferreira Leite. No que diz respeito ao silencio da Dra. Ferreira Leite, creio que ela tem razão em não gastar saliva proferindo mensagens num momento em que a maioria dos Portuguesas está antes de tudo preocupada com a posição do seu chapéu de sol. Além disso, o velho proverbio "a palavra vale prata, mas o silêncio vale ouro" continua válido, pois Portugal já tem um numero suficiente de políticos que sofrem de verborreia crónica. Ou - ainda pior - que contradizem após alguns dias as suas próprias declarações, como era incontestavelmente a especialidade do Dr. Menezes.
Ao contrario do autarca de Gaia, acho que é muito positivo que o PSD tenha agora alguém nas lides que não precisa- como o oráculo de Delfos - "snifar" o fumo da sardinha assada para entrar em transe politico, nem necessita de participar em feijoadas colectivas para poder p--dar em sintonia com a plebe politica, não, creio que para a Dr. Ferreira Leite chegam o saber, as ideias, a experiência e a convicção para confrontar o eleitorado. Pois este decide se concorda ou não, de preferência com o cérebro e não com o estômago.
É estranho, mas sempre tive um fraco por políticos magros e secos como o Cavaco Silva, o Bagão Felix ou o Carlos Carvalhas . Será que o meu subconsciente ingénuo imagina que esta gente nunca come para se dedicar unicamente e a tempo inteiro ao bem-estar da pátria ?
E já agora, como estamos na hora das confissões, abordamos a castidade, não a verbal de LFM, mas a geral: sofro de alguma aberração por gostar mais na politica de senhoras com um aspecto casto e intocável como Margareth Thatcher, Angela Merkel ou Elisabete 1ª de Inglaterra do que de “babes” como Iulia Timochenko ou Cristina Kirchner? Admito, para mim, a ideia duma primeira dama sensual - talvez em biquíni -ao leme do Estado, é difícil de enfrentar : para esta actividade prefiro as de ferro do que as de carne e osso.
O meu diagnostico deve ser o mesmo do que o de LFM : Provavelmente existimos, logo pensamos que conseguimos pensar...
De nieuwe voorzitster van de 2de grootste Portugese partij ,de PSD is Mw. Manuela Ferreira Leite. Ze houdt er een sobre stijl op na, die haar voorganger niet apprecieert.

segunda-feira, agosto 18, 2008

Discriminação dos estudantes em Coimbra

Na Alta de Coimbra não é sempre fácil estacionar, porque as ruas estreitas da velha cidade não foram pensadas para o trânsito moderno. Assim foi necessário criar regras para regular o estacionamento e é mais do que evidente que foram atribuídas condições de prioridade aos residentes das zonas problemáticas. O que é menos evidente é que os estudantes que vivem em Coimbra, que estão inscritos na Universidade e que podem apresentar um contracto de aluguer dum quarto, não são considerados residentes da cidade, mesmo se passam aí 4-5 anos da sua vida e mesmo se eles e os seus pais contribuem monetariamente durante todo este tempo para o bem-estar económico da Lusatenas. A regra inflexível e – permita-me – perfeitamente ridícula exige que o estudante faça mudar o seu local de residência no seu B.I. e também o seu recenseamento como eleitor. Uma atitude no mínimo discriminatória e pouco “student friendly” da parte de Coimbra, a cidade estudantil por excelência.
In Coimbra - Universiteitsstad bij uitstek -worden de studenten beboet wanneer ze parkeren voor het gebouw waarin ze wonen. Zelfs wanneer ze een officieel huurcontract hebben, baat het niets. Ze moeten hun identiteiskaart wijzigen of...betalen.

Empreendedorismo individual à beira da estrada,sem apoios.

Se nos bosques da zona Centro anda sempre menos caça, isso todavia não impede que continue a existir, especialmente naquelas zonas verdes situadas à beira da estrada, um vaivém bastante intenso,
Não é difícil entender que as atenções dos “caçadores” que aí proliferam não vão propriamente dito para os javalis ou coelhos e que as armas aí apresentadas não funcionam à base de pólvora. Enquanto os caçadores “clássicos” gostam de alguma ostentação machista (roupa de camuflagem, botas tipo paracomando, boné estilo guerra colonial, óculos Rambo e quase sempre em companhia de alguns cães feios e barulhentos), estes outros amantes da natureza são muito mais discretos. No trânsito têm um comportamento bastante esquisito: seguem normalmente a fila e de repente, sem reduzir a velocidade ou sem dar sinal de pisca, desaparecem bruscamente num caminho de terra batida; outros ainda diminuem subitamente a sua velocidade até a uns 10 km/hora fixando de maneira obcecada a berma da estrada e dando aos outros condutores toda a liberdade para os ultrapassar.
Quem são?: são jovens no início da carreira carnal, são velhos buscando uma reanimação assistida, são solteiros fartos do manual, são pais de família saturados dos 100 kg da Mamã, são padres incógnitos à procura de cruzes menos religiosas…
A causa de toda esta irrequietude masculina não necessita de explicações, são as p.titas instaladas nesta franja fronteiriça entre o asfalto e a natureza. De longe parecem extremamente jovens, extremamente louras, extremamente bronzeadas ou então têm o aspecto destas gazelas extremamente esbeltas vindas directamente da savana africana.
Todavia a minha visão defeituosa (os meus óculos exigem sempre mais dioptrias) suspeita que andam aí também alguns elementos mais enrugados, menos frescos.
Cheguei à parte séria do meu exposto: de qualquer maneira, estas meninas – que frequentemente apenas acabaram de sair da adolescência – são também as filhas de alguém e devem ter direito a algum tipo de apoio. Se fosse autarca teria vergonha de saber que havia raparigas da minha terra – o da terra vizinha – obrigadas a prostituir-se, por qualquer motivo que seja. Será totalmente impossível acompanhar estas miúdas por equipas ambulantes de psicólogos, médicos ou assistentes sociais? Estou falando evidentemente dum acompanhamento activo no terreno e não duma assistência virtual submetida à lógica da burocracia…
Zou het niet goed zijn dat de hoertjes, vaak heel jonge meisjes, die aan de boord van de weg de "bos-prostitutie" beoefenen- op wat medische en sociale steun zouden kunnen rekenen?

quinta-feira, agosto 14, 2008

A grande notícia : a crise “mata” comércio tradicional!

Esta era a grande notícia sobre Coimbra, na primeira página do Diário as Beiras de hoje, uma verdadeira revelação. Mas o jornalista também detecta, além da crise, outras possíveis causas deste desastre anunciado, nomeadamente os 3 grandes centros comerciais que existem naquela cidade relativamente pobre e sem grande indústria. É mais do que evidente que esta é a análise correcta e assim chegamos aos políticos que autorizaram a implantação de todos estes mastodontes. De facto são eles que têm culpa directa no descalabro do comércio no centro da cidade e que desta maneira têm a responsabilidade da degradação da Baixa. Enquanto em Portugal se continua a crer que um centro comercial é uma demonstração gigantesca de progresso e enquanto se acha que os estrangeiros são estupefactos por tanta modernidade (temos o melhor centro comercial da Europa, haha) não há nada a fazer, as zonas mais requintadas das nossas cidades vão continuar a “encanalhar-se”. Entretanto os filhos dos pequenos comerciantes podem – se têm sorte – encontrar um emprego nas caixas das grandes superfícies. E à hora do almoço podem comer um hambúrguer do Mac ou uma pizza na Hut. Somos mesmo gajos de vanguarda. Globalização ou fornicação global?
Een lokale krant in Coimbra is (nu pas) tot de bevinding gekomen dat het overaanbod van Supermarkten en Shopping Centers de oorzaak is van het wegkwijnen van de traditionele handel in Coimbra. Beter laat dan nooit...

segunda-feira, agosto 11, 2008

O Urso mandou a factura do Kosovo...

Os ingénuos que pensavam que o Kosovo era um assunto arrumado, já podem começar a mudar de ideias. Jamais o Urso Russo se esquecerá da humilhação à qual foi submetido o seu fiel e secular aliado, a Sérvia. Os princípios sacrossantos utilizados como pretexto para amputar à Sérvia da sua província histórica, o Kosovo, são integralmente aplicáveis aos territórios georgianos da Ossétia do Sul e da Abkházia. Com uma ironia apenas escondida os Russos usam a mesma linguagem que os Americanos e os seus acólitos utilizaram para justificar a suas intervenções nos Balcãs: enviam tropas ”para manter a paz”, fazem uma guerra (ou melhor uma "intervenção") preventiva, zelam para a autodeterminação dos povos, evitam um genocídio, etc. etc. Já está tudo definido: a Geórgia deverá engolir este sapo e perderá as duas regiões em disputa. Não foi muito esperto da parte duma pequena nação como a Geórgia, vizinha dum país gigante, escolher de maneira tão visível o lado da superpotência rival. Os Cubanos podem dizer alguma coisa sobre isso…
Rusland presenteerde de rekening van de zaak Kosovo, iets dat toch iedereen vooraf wist of niet?

terça-feira, agosto 05, 2008

Lazy Jet, Easy Shit…

Há duas semanas necessitava de me deslocar urgentemente a Girona para participar numa reunião importante. Era um imprevisto e assim na 3ª feira às 10 horas da manhã comprei via Internet a uma companhia “low-cost” bem conhecida, um voo Lisboa-Madrid (também comprei a outra companhia para a mesma tarde uma ligação Madrid-Girona e reservei um hotel em Girona). Recebi a confirmação da reserva e viajei imediatamente para Lisboa. Quando às 12h30 procurei o balcão do check-in, disseram-me laconicamente que o voo – que acabei de comprar apenas duas horas antes – tinha sido anulado e que tinha de me apresentar no guichet da companhia. Após ¾ horas de fila, a menina explicou-me friamente que só havia duas soluções: 1º optar pelo próximo voo a realizar-se 2 (dois!) dias mais tarde ou 2º pedir o reembolso do meu dinheiro.
E o voo de conexão perdido e o hotel marcado? A mesma voz congelada comunicou-me “não é da nossa responsabilidade…”
E ainda quando procurei informações sobre eventuais outros voos para o mesmo destino, ouvi murmurar do fundo do frigorífico: “não dispomos de informações sobre outras companhias”.
Conclusão: caro viajante ingénuo, pense duas vezes antes de viajar com companhias “low-cost”; não só pode constar duma experiência deprimente como lhe pode custar muito caro.
Wie zijn vlucht ziet annuleren door een bepaalde maatschappij moet niet op veel clementie rekenen. Trek je plan en draai zelf maar op voor een groot deel van de kosten...

segunda-feira, agosto 04, 2008

A praia do Osso da Baleia: como estragar alegremente a qualidade duma praia

A cidade de Pombal dispõe de uma única praia marítima, a do Osso da Baleia que todavia é uma das melhores da zona centro do país: uma imensa praia de areia fina encostada ao pinhal de Leiria, ainda não submetida à pressão imobiliária omni-destruidora. De facto ideal para pessoas a procura de sossego, calma e beleza natural. Decidimos deslocar-nos diariamente durante as nossas curtas férias de Agosto até este local virtualmente paradisíaco para recuperar dum ano de trabalho duro e cansativo. Assim, na manha do Sábado 2 de Agosto iniciámos o nosso programa chegando àquela “praia prometida”. Instalámo-nos com a nossa panóplia habitual: toalhas, chapéu-de-sol, loções bronzeadoras e bebidas geladas. Finalmente fechámos os olhos e deixámos flutuar a nossa mente na brisa iodada do oceano. Até às 11 horas da manha. Neste preciso momento entraram em acção os altifalantes da “animação de praia” largando um dilúvio de decibéis sobre os tímpanos dos pobres veraneantes: pessoas acordaram bruscamente, crianças começaram a chorar e nós – em companhia de algumas outras famílias – pegámos na nossa tralha e fugimos. Não foi possível verificar, mas segundo o que parece foram ordens emanadas da Câmara para “meter música na praia”.
Será que esta gente nunca ouviu falar “da poluição sonora” sempre condenável ainda mais quando serve para apagar o gritar das gaivotas e o murmuro das ondas?
Não sei se a atribuição da” Bandeira Azul” considera critérios de poluição sonora, mas de certeza deveria…
Een enorm strand, zonder drukte totdat een lawaaierige geluidsinstallatie door het gemeentebestuur aangevraagd om een handbaltornooi op te fleuren, de boel op stelten kwam zetten. Bye bye, rust...

sexta-feira, agosto 01, 2008

E isso que nos falta : as baionetas da Turquia...

Em 1998 o Sr. Recep Tayip Erdogan declarou : "as mesquitas são os nossos quartéis, as cúpulas são os nossos capacetes, os minaretes as nossas baionetas e os crentes os nossos soldados". O Senhor Erdogan não era um simples cidadão exaltado com uma linguagem um pouco fundamentalista, não, nestes tempos era simplesmente o Presidente da Câmara Municipal de Istambul. Actualmente o Sr. Erdogan é o Primeiro-Ministro da Turquia e quer a qualquer preço aderir à Comunidade Europeia. Para poder entrar livremente com todos os seus soldados e todas as suas baionetas?
In 1998 verklaarde de heer Erdogan ondermeer dat de minaretten de bajonetten van de gelovige moslims zijn. Juist...zo iemand hebben we nodig in onze Europese gemeenschap...

quinta-feira, julho 24, 2008

Le roi Óscar est mort, vive la Reine Bonnie...


Há alguns meses faleceu o nosso Óscar. Um laço de amizade de vários anos foi bruscamente cortado.
Deus tenha a sua grande alma porcina, mas a vida continua e agora entrou na nossa órbita a Bonnie. Uma jovem alegre e bem disposta, que além de um cansaço crónico, sofre de uma fome insaciável. A Bonnie nunca foi a Fátima, mas mesmo assim fez uma promessa: a de nunca dar tréguas às toupeiras. Assim com o seu focinho forte e hábil abre buracos na terra abortando todos os projectos destas canalhas subterrâneas para construir túneis e outras catacumbas. Admitimos que por vezes a Bonnie toca - com mais ou menos cuidado - numa flor ou noutra planta decorativa, mas paciência, nem os porcos sabem fazer omeletas sem partir ovos. Seja como for, a Bonnie é um animal politicamente correcto porque é um exemplo do multiculturalismo bem sucedido. De facto, nascida no Alentejo de uma família oriunda da Ásia, ela é toda preta; vive em Portugal, país latino mas só executa (quando lhe apetece) ordens expressas em flamengo, língua germânica. Finalmente, mesmo no plano sexual ela é progressista porque o seu namorado é um cão…
Na het heengaan van Oscar, is Bonnie is ons nieuwe gezelschapsvarken. Een echt multicultureel beest: Vietnamese roots, zwart, geboren in Alentejo-Portugal, (soms) gehoorzamend aan Nederlandstalige bevelen en verliefd op een hond..

quarta-feira, julho 23, 2008

Os bares-de-apoio-às-festas: a solução para o Interior ?


No interior do país há sempre menos maternidades, urgências e escolas.
Tudo isto cheira à desertificação institucionalmente induzida (um pouco como o aborto), mas não é. Muito pelo contrário, existem incentivos e recompensas para os indivíduos que conseguem sobreviver a todas estas desgraças: são as Festas! É a Festa que é o pulmão, o fígado e a bexiga do nosso povo do Interior.
Qualquer Festa-que-se-respeita deve evidentemente dispor dum bar-de-apoio. Este bar-de-apoio serve para arrumar as grades de cerveja (em Portugal invariavelmente Super Bock ou Sagres) e a aparelhagem de som. Por vezes há também um fogão para aquecer o caldo verde
Ninguém tem duvidas que um bar-de-apoio em alvenaria dá mais prestigio à uma aldeia do que uma simples barraca temporária em madeira: exactamente como um crucifixo no cemitério nos lembra que mais tarde vai haver ressurreição, este bar-de-apoio quase sempre fechado recorda-nos que vai haver Festa no Verão.
Além disso, neste período de crise a construção deste tipo de edifícios pode contribuir para reduzir o desemprego. Pode criar postos de trabalho, principalmente na indústria do cimento: se considerarmos – como na minha terra – que necessitamos dum bar-de-apoio para cada 100 habitantes, então Portugal precisa de 100.000 destas construções.
Então supondo que falta ainda construir metade, são no mínimo 30 milhões de blocos de cimento a adquirir e não sei quantos sacos de cimento. Nem falamos de telhas ou azulejos. Depois são ainda necessárias estradas, rotundas etc. para permitir que o cidadão se desloque com alguma celeridade de uma Festa para Outra.
O caminho da modernização do país é por vezes mais fácil do que imaginámos…
Depois se fosse mesmo muito necessário, uma grávida não podia dar à luz aí? Quando o progresso bate à porta, não podemos ser esquisitos…
In Portugal is in het binnenland geen geld voor scholen of materniteiten, wel voor afschuwelijke bouwsels als dit : een cementen bar voor 3 dagen feest per jaar !

segunda-feira, julho 21, 2008

Les Lusophones et leur chien...


Nesta época estão em todo lado. Em geral deslocam-se de Renault ou de Citroen, mas também pode ser de Mercedes. Os homens vestem-se de calções e de camisas com manga-curta e as mulheres de saias floridas. As suas crianças são choramingas como todas as crianças que sofrem do calor e da confusão. Andam em grupinhos de 4-5 pessoas e por vezes têm a companhia de 1 ou 2 estrangeiros que querem aprender “o Portugal profundo”. E pois ouvimos estas conversas alucinantes no supermercado:
" Eh mãe, on va faire une sardinhada ce soir?
Não sei querida, demande à votre pèreil en a envie..
Pai, pai, à noite, on va manger des sardines?
Pode ser, avec de la broa et du vin blanc frais".

O mais complicado é ainda o cão, porque na maior parte dos casos é um francês puro :
"O Ringo, pouramour de Dieu tais-toi. Tais-toi, je te dis.
O pai, este fodelhoco nunca se cala…"
Wanneer de Portugese imigranten uit Frankrijk naar het moederland op vakantie komen, houden ze er in het algemeen van om te demonstreren dat ze de taal van Molière machtig zijn, en...ziet, zelfs de hond verstaat het...

quinta-feira, julho 17, 2008

Na matemática : o milagre aconteceu...


O ministério da Educação conseguiu um milagre esperado há décadas : transformar em apenas 12 meses, a juventude portuguesa - até agora pouco bem sucedida naquela matéria - em "cracks" da matemática. Não são bem todos os jovens, por enquanto só são os alunos do 9º e do 12º ano, nomeadamente os que fizeram as provas nacionais. Tudo isso não tem rigorosamente nada a ver com os exames extremamente fáceis deste ano. Simplesmente - segundo a ministra - são os alunos que trabalharam melhor ( . .. e nos outros anos, ...malandros?) , os professores que trabalharam melhor (...e nos outros anos, ...malandros?) e os melhores apoios ( .. e porque não nos outros anos, ...malandros?). De qualquer maneira, a comunidade cientifica internacional deve estar ansiosa por conhecer os métodos que originaram resultados tão espectaculares.