quinta-feira, fevereiro 12, 2009

A insustentável incoerência da Igreja

Em Portugal são vários os assuntos na agenda política que têm a ver com a doutrina moral da Igreja Católica. De facto, a Igreja sempre se autoproclamou como defensora incondicional da "vida" e igualmente sempre condenou a homossexualidade a fortiori incluindo casamentos entre pessoas do mesmo sexo. No que diz respeito à "vida", a nossa Santa Mãe já teve de engolir um sapo enorme na questão do aborto, que após uma segunda tentativa foi democraticamente (hm...hm...) aprovado por meio de um referendo. Agora o partido no poder pondera uma legislação que permitirá casamentos entre gays e entre lésbicas e também - porque não - a autorização da eutanásia a pedido. Não quero aqui polemizar sobre o fundo das questões referidas, mas sim sobre a forma como a qual a Igreja lida com elas. Ontem na comunicação social, ouvi dizer o PM, que a legalização do casamento homossexual é uma consequência resultante dos valores inerentes ao PS, nomeadamente para criar mais justiça, mais igualdade, mais tolerância, etc. etc. OK, parece me bem e correcto que uma organização como o PS luta em prol dos seus valores e tenta realizá-los. O que me parece de uma incongruência enorme é a posição da Igreja: como é possível que uma instituição, que se declara universal, de todos os tempos, de inspiração divina, abdique tão ligeiramente da possibilidade de defender os seus princípios com todos o meios possíveis, inclusive em época de eleições. Porque fugir ao confronto duro mas democrático entre os valores e princípios de um partido político e os mandamentos - segundo dizem - sagrados provenientes directamente de Deus? Há alguma coisa que me escapa ou talvez não : a Igreja portuguesa provavelmente tem um medo sério e real de ver provado que só tem ainda um impacto residual sobre a sociedade portuguesa. Além disso, desde sempre a Sagrada Instituição demonstrou uma tendência muito forte para a conivência com os poderes instalados.
De H. Kerk is heel incoherent in Portugal: nu in de regerende PS-partij stemmen opgaan om zowel het homoseksuele huwelijk als de euthanasie-op-aanvraag toe te laten, zou men verwachten dat een Instituut dat de mening van God-himself vertegenwoordigt, protesteert en een standpunt inneemt ivm de komende verkiezingen. Niets daarvan, onze H. Moeder is waarschijnlijk bang te moeten toegeven dat haar stem nog weinig impact heeft op de huidige maatschappij.

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

A democrácia, os abutres e a auto-limpeza...

Em muitos países da (ex-) Europa ocidental existe um mal estar evidente em relação à actuação dos políticos dentro do sistema democrático. Não falamos em concreto do que se passa actualmente na Holanda, na Bélgica, na França (Kouchner) ou em Portugal , mas uma coisa é certa : a classe política sai desvalorizada e desacreditada de todas estas histórias. É sem duvida uma situação perigosa : o facto de os políticos agirem em contradição flagrante com os sacrossantos princípios que recomendam ao cidadão comum, conjugado com os efeitos amargos da crise, pode acordar velhos demónios considerados defuntos. Quando há poucos dias um amigo meu, comunista ferrenho, me declarou no contexto dos escândalos na actualidade que "ao menos o Salazar morreu tão pobre como no dia em que entrou no governo", era simplesmente um sinal dos tempos . Ganha terreno no povo a convicção que a "praça politica" se transformou para muitos daqueles profissionais do Parlamento numa gigantesca "Bolsa de Oportunidades", onde toda a gente enriquece, família e amigos incluídos, onde surgem dicas para negócios fabulosos, onde há tachos eternos e bem pagos para conquistar, onde há influencias para traficar. Com o estômago sempre mais vazio, o Homem da rua, está afinando o seu olfacto para detectar abusos e malefícios perpetrados por baixo da manta da "democracia" : quando a sua ira começar a abanar o sistema, não haverá mais tempo para afastar os abutres que se nutrem da democracia agonizante. O único caminho a seguir por parte dos partidos políticos é o da auto-depuração, o da inquisição interna : analisar antecipadamente e de maneira meticulosa todos os candidatos que se apresentam em seu nome, investigar a sua fortuna, o seu currículo, o seu percurso social e politico e recusar implacavelmente indivíduos que perderam a sua virgindade em qualquer um destes aspectos. Parece que em alguns países - nomeadamente na Bélgica - já estão em curso este tipo de práticas de auto-limpeza partidária... Nunca é tarde demais.
Steeds meer komt de burger vragen te stellen over de rol van de politiekers in onze West-Europese democratieen. Steeds meer schandalen komen aan het licht. De enige oplossing bestaat erin dat de politieke partijen hun kandidaten vooraf aan een interne inquisitie onderwerpen zodat alleen "onbevlekte" mensen in machtsposities terecht komen.

segunda-feira, janeiro 26, 2009

A faixa de Gaza entrou na lista negra....


A faixa de Gaza - na realidade uma aglomeração com uma densidade populacional muito alta - entrou na lista negra das aglomerações vítimas de ataques "terroristas" por parte de forças armadas regulares. Pensamos, entre outras, nas cidades tristemente famosas de Coventry, Dresden e Hiroshima. Castigar uma população inocente pelo facto de ser governada por forças inimigas do assaltante não coaduna com qualquer conceito moral. Destruir intencionalmente locais de culto, escolas, hospitais e outras infraestruturas é simplesmente um crime desprezável ; matar a grande escala e sem discriminação crianças, mulheres, idosos e outros civis indefesos é um acto repugnante. É o evangelho cristão que não autoriza vinganças, todavia creio (ou espero) que não existe qualquer livro sagrado que permita acções desproporcionados como aquele que vimos agora em Gaza. Nem a utilização de bombas de fósforo branco contra civis desarmados...
Gaza kwam terecht in de trieste lijst van steden die het slachtoffer werden van brutale bombardementen op de burgerbevolking zoals Coventry, Dresden en Hiroshima. Zou er echt een Heilig Boek bestaan dat dergelijke terreur tegen burgers niet verbiedt? En het gebruik van fosforbommen?

quarta-feira, janeiro 21, 2009

Monsenhor Policarpo, o que foi dizer?

O Cardeal foi muito imprudente. Disse que os cristãos - ou melhor ainda as cristãs - devem pensar duas vezes antes de casar-se com um Muçulmano. Parece uma frase inocente, sem qualquer maldade, uma dica, um incentivo para reflectir bem antes de entrar num casamento com uma pessoa de outra religião e provavelmente também de outra cultura. O Cardeal não culpou ninguém, não denegriu ninguém, só sublinhou que existem diferenças que podem hipotecar uma vida em comum feliz e duradoura. O facto é que existem na Europa enormemente dramas familiares devido aos tais casamentos mistos com pessoas de religião muçulmana que são por vezes complicados por violência ou rapto dos filhos. Não são as excepções felizes que provam o contrário. O Cardeal falou como um bom pai de família que dá um conselho precioso : abre as pestanas, filha, o mundo nem sempre é como parece. Mas então qual foi a imprudência do Monsenhor Policarpo? A sua imprudência consistiu em dizer tal coisa em público e na presença de alguns "moralmente correctos" que logo podiam contar com os meios de comunicação social para insuflar o assunto. Pintaram o Cardeal como sendo um destes velhos católicos petrificados com um pequeno perfume racista. No final, quem tentou dar uma dica sensata a maneira dum "papa" benevolente, sai desta história com o estigma de ser um fundamentalista antiquado. Se calhar o fundamentalista é o próprio Policarpo...
P.S. Parece que a próxima revista "Sábado" publicará algumas histórias tristes que confirmam o bom senso do apelo à prudência por parte do Cardeal.
Onlangs was de Kardinaal van Lissabon zo onvoorzichtig te zeggen dat de (christelijke) meisjes 2 keer moeten nadenken alvorens te huwen met een moslim, wegens de eventuele grote religieuze en kulturele verschillen tussen de 2 partners. Natuurlijk bleef de - zware -kritiek niet uit...

Uf, escapámos...

Graças a Deus, o Presidente mais ridículo da história americana foi-se embora. E também um dos mais criminosos : mentiu vergonhosamente a toda a humanidade sobre a presença de armas de destruição maciça e grupos de terroristas no território iraquiano para justificar uma agressão brutal contra aquele povo. Dezenas de milhares de mortos. Dezenas de milhares de pessoas - crianças incluídas - amputadas e deficientes para o resto da vida. No seu próprio país, o panorama não é muito melhor : milhões de pobres e milhões sem qualquer tipo de assistência médica, o colapso financeiro do sistema capitalista que o engendrou. Tornou-se prática corrente pisar os Direitos do Homem: detenções ilegais, tortura e humilhação no Iraque, Afeganistão e Guantanamo. Provoca-me pele de galinha, só pensar que um Homem destes, com tanto sangue (e também um pouco de petróleo) nas mãos, teve durante oito anos o dedo no botão nuclear da maior força de destruição do Mundo. Porque aí, sim, esta existe. Bye, bye cowboy, beba um copo e deixe-nos em paz.
Een van de meest ridikule presidenten van de USA stapt het af. Lapte overal de mensenrechten aan zijn cowboylaarzen. Ik krijg kippevel als ik eraan denk dat zo een man - met zoveel bloed en ook wat petroleum aan zijn handen- de vinger op de nucleaire knop van de VS had.

terça-feira, janeiro 13, 2009

Não sou só eu...


... que denuncia a loucura dos raids, rallyes e outros "pseudo-desportos " com veiculos 4 x 4. Existem pessoas ambientalisticamente evoluídos em qualquer parte do Mundo, talvez numa concentração menor em algumas regiões de Portugal.
No Chile surgirem protestos contra a passagem do Paris-Dakar, basta ler o artigo traduzido no blogue "bioterra".http://bioterra.blogspot.com/2009/01/moo-e-manifestaes-no-chile-contra.html.
Ik ben niet de enige die reageert tegen de gekte van rallyes en raids. Ook in Chili zijn mensen mistevreden over de Z.Amerikaanse Paris-Dakar.

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Matemática mortal


No Médio Oriente continua-se um exercício diabólico de matemática perversa. Quanto vale a vida dum Israelita comparada com a de um Palestiniano? Um Israelita vale 10 Palestinianos ou ainda mais, 20, 50 ou 100? E estes 10, 20, 50 ou 100 Palestinianos podem ser crianças, mulheres ou idosos, importa? Um restaurante destruído em Tel Aviv vale quantas escolas, mesquitas ou hospitais demolidas na faixa de Gaza? No conflito Israelo-Palestiniano escapou-me sempre uma coisa : os terroristas palestinianos são indivíduos à margem da sua sociedade civil e - neste caso - não vejo qualquer justificação para uma punição colectiva daquele povo inteiro. Ou, será que contam com o apoio de todo a população e que dispõem assim quase de um mandato popular para executar acções bélicas contra Israel? Neste caso será que praticam o terrorismo tal qual ou podemos considerar estas agressões armadas como um tipo de resistência, justificada ou não? De qualquer maneira, quem sai humilhado de toda esta história são as grandes religiões monoteístas que - em contradição com o seu discurso oficial e após múltiplos séculos de implantação- não conseguiram apaziguar o animal feroz dentro do Homem, muito pelo contrário...
Het conflict in het Midden-Oosten is weer uitgegroeid tot een duivelse rekenoefening: hoeveel is het leven waard van een Israelier ivm dat van een Palestijn: 10, 20 of 100? Als de Palestijnse terroristen zijn, los van hun maatschappij, waarom dan kollektieve straffen? In ieder geval wie met beschaamde kaken moet rondlopen zijn de monotheistische godsdiensten, die er na ettelijke eeuwen nog altijd niet in geslaagd zijn het wilde beest in de Mens te onderdrukken, wel integendeel...

terça-feira, dezembro 30, 2008

Ananismo jornalistico...

No dia 7 de Novembro publiquei aqui um texto relacionado com o impacto negativo dos veículos todo-o-terreno sobre o ambiente, seja directa ou indirectamente. Estou convicto que não existem quaisquer argumentos para pôr em duvida esta afirmação e é uma realidade que nos países “ambientalisticamente” desenvolvidos tomam-se sempre mais medidas, não só para defender a natureza contra invasões motorizadas indesejáveis como também para travar a proliferação deste tipo de veiculos. O Diário As Beiras na sua edição de 27-12-08, referiu-se ao meu texto “recente” (!), julgando necessário mencionar as minhas opções políticas. Não conheço nem o nome nem as tendências politicas do Sr. Jornalista, todavia acho o seu mini-artigo uma demonstração de futilidade: de facto, limita-se a mencionar a última frase do meu artigo, frase que dava num tom de humor negro algumas dicas para diminuir os impulsos hormonais de certos “pilotos” de 4x4 ; sobre o cerne do problema, nenhuma palavra!
No entanto quem detem o minimo de informação sobre o assunto, sabe que a minha afirmação é inteiramente verídica : é um facto inegável que, para certos homens, conduzir um carro potente corresponde a um exercício de poder machista e é consequentemente o resultado de influências hormonais. A expressão " ao contrario do feminismo, o machismo já matou muita gente" surgiu exactamente neste contexto. O Diário As Beiras perdeu uma bela oportunidade para iniciar uma discussão alargada sobre o assunto e para sensibilizar os seus leitores, incluindo certos autarcas, para o facto de que organizar raids do tipo "vroum...vroum...vroum " nas matas, nos campos e nas florestas consta de um acto francamente hostil à natureza. Não é nenhum sinal de modernidade, bem ao contrario é uma manifestação de atraso ambientalistico lamentável. Sabemos que a imprensa local ou regional é obrigada a lamber muitas botas para poder sobreviver, todavia cremos que há ainda um futuro para um jornalismo isento, independente e investigador. Um dia, esta faceta do ambientalismo estará também no centro das atenções em Portugal; mas quando, em 2015 ou em 2020? "En attendant" a malta considera-se fixe quando mete o capacete e acredita que está "pilotando" na ponta do progresso. Será que a gajada vai se babar toda?
Een lokale krant neemt mijn blog-artikel van 7-11-08 op de korrel omdat ik op ironische toon wat middelen aan de hand doe om het testosteron-gehalte in het bloed der terreinwagen-fanaten wat te doen dalen. Over de grond van de zaak niets : belijkbaar is het nog te vroeg om te beseffen dat "terreinwagens" en "natuur" 2 tegengestelde begrippen zijn.

quarta-feira, dezembro 24, 2008

Na Bélgica : "a queda de um anjo"


O Senhor Yves Leterme, ex-Primeiro Ministro da Bélgica deve ser um Homem amargado. Até há pouco tempo, tinha um currículo perfeito e imaculado como ministro-presidente do Governo Regional da Flandres : ainda não havia crise económica e a Flandres prosperava como nunca antes. Não tenham dúvidas : Yves Leterme era um politico bem sucedido e muito popular. Mas, no maldito ano de 2007, achou que tinha chegado o momento para saltar mais alto e entrar na política federal. Apresentou-se às eleições federais de 2007, como cabeça de lista do principal partido da Flandres, o Cristão-Democrata. Foi o canto do cisne do Yves : ganhou as eleições de uma maneira fulgurante e foi quase plebiscitado para ser 1º Ministro; conseguiu o tacho, mas a partir daí, a sua carreira começou a descer a pique. Yves nunca foi muito querido entre os francófonos porque pareceu personificar o flamengo emancipado, consciente dos seus direitos , que eles não apreciam minimamente. Mas agora, quando Yves começou a engolir uma promessa básica do seu programa eleitoral, para fazer num apice (sic) a reforma do estado no sentido exigido pela opinião flamenga (e também pelo Tribunal Supremo belga), afastou, não só o NVA, um pequeno partido seu aliado, mas também uma parte substancial da sua base eleitoral, a maioria silenciosa do povo flamengo. Para além disso, tornou-se o Rei das gaffes, quando, no dia nacional da Bélgica, cantou, em frente das televisões, a Marseillaise, confundindo-a com o hino belga . Como chefe do governo, Yves mostrou duas facetas contraditórias : a de pessoa insegura , instável e a de teimosa, irredutível. Apresentou num curto lapso de tempo 3 vezes a sua demissão, sempre recusada pelo Rei Alberto. Finalmente o escândalo das pressões exercidas pelo seu governo sobre o sistema judiciário, em relação com a venda precipitada do banco Fortis, empurrou Yves para o abismo político. Exit. Quantas vezes já vimos esta imagem de pessoas que querem ser maiores do que a sua sombra : Yves podia ter sido o politico mais poderoso na Flandres durante muitos anos , mas preferiu mergulhar no lago de águas turvas do governo federal belga. Um lago cheio de crocodilos e piranhas...
Yves Leterme had alles om gedurende vele jaren de onaantastbare Minister-President van Vlaanderen te zijn. Maar hij verkoos te zwemmen in de troebele vijver van de federale Belgische politiek, een vijver vol met krokodillen en piranhas...

segunda-feira, dezembro 22, 2008

O estado como patrão do seculo 19.

No século dezanove, muitos patrões-capitalistas colocaram os seus operários numa situação de semi-escravatura económica. Para eles era só ganhar : não só pagavam vencimentos muito baixos, como também alugavam ao seu pessoal as casas que mandaram construir nos bairros "sociais" . Simultaneamente vendiam-lhes produtos alimentares e afins nas lojas dos quais eram geralmente os proprietários. Nestes tempos de crise contínua, os trabalhadores encontravam-se frequentemente numa situação de insolvência iminente e a fome apertava. Não havia problema: o patrão, dava credito fácil nas suas lojas, determinando ele-mesmo a taxa de juros e tendo como garantia o salário do súbdito. Assim o trabalhador era nem mais nem menos do que um refém do sistema, totalmente dependente do seu empregador e condenado à docilidade absoluta. Quando constamos que um governo no inicio dos anos 2000, oferece também empréstimos aos seus funcionários em dificuldade, deveremos analisar a situação. À primeira vista, esta medida pode constar de uma solução adequada para remediar a algumas situações urgentes. Todavia uma abundância de candidatos, significaria que o Estado falhou nas suas obrigações sociais e que os seus funcionários perderam tanto poder de compra, que chegaram a um nível de indecência económica. Parece verdade que "l´histoire se repète" mas infelizmente será que um governo de "griffe" socialista recorre aos velhos métodos paternalistas do capitalismo ? Observação final : os trabalhadores independentes com dificuldades serão discriminados e entregues à sua sorte?
De regering stelt leningen voor aan de staatsambtenaren die het economisch moeilijk hebben. Doet dat niet denken aan situaties uit de 19de eeuw : vooral als we weten dat diezelfde ambtenaren jaren aan een stuk hebben moeten in leveren...En wat voor de hardwerkende niet-ambtenaren, die het moeilijk hebben?

sábado, dezembro 06, 2008

Barulho caro e prestigio...

Segundo a imprensa, o custo da Casa da Música no Porto derrapou 78,2 milhões de euros. Qualquer investimento na Cultura é importante, louvável e necessário, todavia não significa que os gurus da cultura - neste caso concreto os da Obra no Porto - dispõem de uma "carte blanche" para tirar alegremente o dinheiro pela janela em nome do prestigio de Portugal. Alguém falhou estrondosamente e deve assumir as suas responsabilidades ou admitir publicamente a sua incompetência. Qual prestigio: o de não saber fazer contas? Estes quase 80 milhões de euros davam certamente para manter abertas algumas maternidades ou urgências no Interior. Anteontem passei ao lado do inútil Estádio do Algarve e no mesmo momento os meus pensamentos iam para uma jovem familiar que estava a fazer 150 km para poder dar a luz um bebé prematuro em condições aceitáveis. Qual prestigio? Há alguns meses fiz uma palestra no auditório duma escola publica : chuveu e no auditório estavam colocados vários baldes para recolher a água que pingava do tecto. Qual prestigio? O prestigio de um país é definido em primeiro lugar pelo bem-estar dos seus cidadãos e não por obras megalómanas que em muitos casos hipotecam a qualidade de vida diária do povo... Para falar de uma maneira pouco respeitosa : prestigio, my ass...
De muziektempel - a Casa da Música in Porto - heeft finaal bijna 80 miljoen euro meer gekost dan gepland. Terzelfdertijd ook denkend aan enkele nieuwe, nutteloze voetbalstadia: het prestige van een land wordt volgens mij meer bepaald door het welzijn van de burgers dan door megalomane constructies...

quarta-feira, novembro 26, 2008

"Aportugesado", uma palavra com sentido pejorativo?

Há alguns dias um(a) funcionário(a) de um certo Ministério visitou (ou melhor ainda, fiscalizou) a empresa na qual exerço uma função directiva. Por norma não temos problemas com fiscalizações porque observamos a Lei na medida do humanamente possível e quando surgem eventualmente algumas observações, tratam-se sempre de detalhes insignificantes que escaparam à rotina do dia-a-dia e que podem ser resolvidos em 24 horas. É mais do que normal que os funcionários públicos tenham uma auto-estima bem desenvolvida e sublinhem os pequenos lapsos que detectam : é uma prova que trabalham com rigor e que nada escapa aos seus olhos de falcão. Bem haja! O que é menos normal é que o(a) Sr.(a) funcionário(a) comente nas costas do dito director da seguinte maneira venenosa: o vosso chefe, mesmo sendo estrangeiro, já é bastante aportuguesado porque constatei isso e isso... Por outras palavras, já sou bastante Português, mas se fizesse infracções mais graves ou mais frequentes, então poderia talvez chegar ao estatuto de Português inteiro e completo. Que "boca" sublime : então, o Estado Português tem pessoal na rua que comenta os estrangeiros utilizando termos depreciativos pelo seu próprio povo ? Será a manifestação de um luso-masoquismo latente "mais malandro és, mais serás parecido com um Português" ? Honestamente não sei como o cidadão comum pode tolerar este tipo de actuação por parte de pessoas pagas pelo seu bolso....
Volgende kommentaar gehoord van een staatsambtenaar wijzend op enkele mini-infracties: je bent al goed op weg om Portugees te worden....

sexta-feira, novembro 14, 2008

O Economista pratica a arte da autópsia económica.

Durante toda a minha vida, tive sempre um grande respeito pelos economistas. A leitura dos seus artigos na imprensa originava em mim uma profunda admiração por estas pessoas que eram capazes de prever - utilizando um vocabulário técnico-etérico - o futuro da nossa economia e que eram sempre dispostas a dar - a partir do seu púlpito - explicações e conselhos ao cidadão comum. As suas actuações nas televisões não comprometeram em nada esta imagem, muito pelo contrário, aquelas pessoas calmas e decididas, geralmente vestidas em fatos discretos de marca e falando com uma voz suave e contida , fortaleceram ainda a boa impressão criada dentro da minha cabeça. Os acontecimentos dos últimos meses abriram-me os olhos e de facto devemos admitir que os economistas funcionam melhor na sua condição de autopsiadores da economia e não como na de orientadores . Hoje em dia aparecem, tão convencidinhos como antes, nos nossos ecrãs para explicar o que se está a passar na economia, quando na realidade devíamos ter ouvido alertas,avisos e explicações há alguns meses atrás. As ocorrências recentes provaram mais uma vez que a economia não é uma ciência exacta como a matemática, física ou química, deve ser mais considerada com uma "ciência especulativa" porque é baseada em muitos factores impalpáveis e subjectivos (a confiança do consumidor, por exemplo). Além disso, a "ciência da economia" não é independente das ideologias políticas : cada ideologia tem economistas ao seu serviço e todos produzem ou produziram o mesmo tipo de retórica para defender o sistema económico no qual estão inseridos, quase sempre com argumentos contraditórios. São economistas que fundamentaram o sistema económico marxista, fascista ou capitalista e - se calhar - todas falharam. Conclusão : autopsiadores são necessários...mas não tantos....
Het lijkt me steeds duidelijker dat de economisten in feite meer een nabeschouwende functie hebben dan wel een orienterende of preventieve: het zijn in feite lijkschouwers van de economie en niet zozeer gidsen of leidinggevers. Daarbij hebben alle ideologische strekkingen economisten ter beschikking die met dezelfde welsprekendheid tegengestelde standpunten verdedigen.

sexta-feira, novembro 07, 2008

Testosterona “on wheels”: os 4 x 4 e o ambiente….

No nosso país, organiza-se sempre mais actividades com motas e veículos todo-o- terreno. Nos fins-de-semana invadem os campos, matas e florestas. Muitas Câmaras deliciam-se em apoiar tais eventos, crendo que é uma manifestação incontestável da sua abertura ao mundo moderno. Quase sempre se sugere alguma interligação entre a natureza e as máquinas referidas, intitulando por exemplo um vulgar “raid” como um “passeio na natureza”. É urgente esclarecer aquela gente: as actividades referidas são verdadeiros atentados ao ambiente, pois implicam incursões de carácter violento com máquinas potentes na natureza, remoendo os caminhos em terra batida, destruindo plantas, afugentando animais, incomodando os outros cidadãos com o seu barulho e fumo. Além disso, incluem frequentemente no seu programa umas “provas especiais” nos riachos e nas ribeiras, destruindo alegremente as suas bermas e poluindo a água com lama.
Como é que alguém pode alguma vez considerar como “actividade ecológica” o gasto brutal de grandes quantidades de carburante de origem fóssil e com emissões de CO2 até 35% superiores à média só para divertimento? Em vários países europeus os tais”passeios” são regulamentados de maneira drástica e quase nunca incentivados. Também vale a pena notar que o próprio conceito do todo-o-terreno – excepto no caso de uso profissional – está em discussão: diversas cidades Holandesas interditam simplesmente o estacionamento a este tipo de veículos no seu perímetro, pois ocupam muito espaço, poluem enormemente e provocam no caso de acidente lesões muito mais graves. Conclusão: a promoção de actividades motorizadas na natureza não é uma prova de alguma sensibilidade ecológica, não é exactamente o oposto, é a demonstração eloquente dum atraso ambientalista dramático.
Mas quem são estes “pilotos” do sábado e domingo? Não há dúvidas que – em muitos casos – somos confrontadas com indivíduos que sofrem dum excesso de testosterona nas veias. Obrigados durante a semana a fazer uma vida de rato cinzento atrás duma secretária, põem durante o fim-de-semana o capacete, vestem um fato de astronauta, entram na sua máquina poderosa e – de repente – explodem sob a forma de um machista omnipotente.
Tenho dois conselhos para estes coitadinhos com tal desequilíbrio hormonal: os mais novos devem tomar com regularidade um duche frio ou então alistar-se nos paracomandos, os mais velhos devem reduzir a sua dose de Viagra ou então comprar uma boneca insuflável.
Steeds meer duiken tijdens de weekends terreinwagens op in onze velden en bossen, die eigenlijk een echte aanslag betekenen op het milieu. Vaak worden ze voorgesteld worden als natuurwandelingen terwijl ze juist wegen en planten vernielen en dieren verjagen. Vaak hebben de "piloten" machistische trekjes.

sexta-feira, outubro 31, 2008

Oh Meu Deus, tire-me isto das ondas…


Por motivos profissionais devo viajar muito de carro e por isso tornei-me um pouco radio-dependente. Todavia, cada dia há um trio na TSF e na Antena 1 que me consegue irritar profundamente. Estou a falar do Bruno Nogueira, do Herman José e da Maria Rueff, não tanto as pessoas em si, mas bem as suas vozes infantilmente alteradas.
Não há realmente ninguém que lhes possa sussurrar aos ouvidos – sem os magoar psicologicamente – que num programa destes na rádio é antes de tudo o conteúdo do texto que é supostamente humorístico e não a vozinha em falsete que o recita?
Só o Bruno começa a berregar que nem uma ovelha gaga nas ondas e já o meu lanche tenta subir ao esófago; enquanto o Herman imita com muitos exageros um estrangeiro a falar português, a minha mão fica instintivamente fora de controlo e muda de canal e – mais grave ainda – quando a Rueffezinha começa a discursar como uma doméstica tonta, então, sim senhores, tenho logo vontade de atropelar a minha mulher a dias. Demais é demais.
Não quero – nestes tempos de crise – que estes forçados da radiofonia sejam despedidos e restringidos ao vencimento mínimo nacional, não, só quero que se requalifiquem um pouco, tirem um ou outro curso de formação e tentem produzir textos realmente capazes de provocar um sorriso discreto nos meus lábios, sem a necessidade de recorrer a uma ginástica ridícula das cordas vocais. Assim os condutores que me ultrapassam e que olham para a minha cara, vão compreender que estou em paz e feliz de ouvir algumas coisas que me desviam da realidade dura da vida diária. Porque, acreditem, ela é dura...
Het irriteert me sommige radio-komieken te horen die op kinderachtige wijze hun stem veranderen; ik ben van mening dat op de radio vooral hun teksten op zich moet humoristisch zijn en niet hun artificieel stemgeluid.

quinta-feira, outubro 23, 2008

Não podemos nascer doutor?

Quando ouvi falar pela primeira vez das novas oportunidades (para obter um diploma) achei uma boa iniciativa : oferecer às pessoas que não o puderam fazer durante a sua juventude, a oportunidade de finalizarem o seu curso seja do ensino básico, secundário ou superior. Uma primeira grande surpresa foi para mim o facto de que -segundo parece - algumas empresas começam a seleccionar os candidatos para uma vaga com uma pergunta deste género: "as habilitações que apresenta, foram obtidas no seu percurso escolar normal ou são fruto do programa das novas oportunidades ? " Parece que várias entidades patronais demonstram uma nítida preferência pelo sistema clássico, alegando que o referido programa facilita demasiadamente, pois existiria a intenção oficiosa de "regalar" um diploma a cada um afim de melhorar as estatísticas do país. Bem, bem. Depois fui confrontado com as queixas amargas de alguns possuidores de diplomas "normais": "estudei dia após dia durante tantos anos , os meus pais fizeram grandes sacrifícios para me permitir tirar o curso, à noite trabalhei como um louco para pagar os livros e agora... qualquer malandro obtém um diploma fazendo alguns cursitos à noite ou entregando um trabalhito qualquer : é profundamente injusto...
A um estrangeiro desconhecedor de todos os elementos que interferem neste assunto não compete ter uma opinião neste caso. Todavia, se for verdadeiramente a vontade do governo aumentar o numero de diplomados em Portugal, tenho um remédio simples, talvez um pouco psicadélico:
a. um Decreto-Lei define que todos os bebés recebam no seu dia de nascimento o título de "doutor" ou "engenheiro"e a cada um deles será entregue um livrete com 10 pontos-valores
b. Durante a sua vida o cidadão "doutor" ou "engenheiro" será fiscalizado e pode perder os pontos que constam do livrete referido no caso de fazer os seguintes asneiras :
1º escrever Lizboa com um "Z" e baca com um "B"
2º situar a ilha da Madeira em frente de Peniche.
3º afirmar que Fernando Pessoa é o pseudónimo do ciclista Ricardo Reis que ganhou a Volta à França .
4º achar que Sócrates é um filósofo grego que sobreviveu até ao dia de hoje
5º cantar a Internacional como sendo o Hino de Portugal
6º pensar que Fernão Magalhães é um inventor de brinquedos informáticos para crianças
7º ter a convicção que o Mirandês é a língua oficial da Espanha
8º julgar que o colesterol é um aperitivo exótico com pouco álcool
9º estimar que a arte rupestre é o jeito de lavar roupa à maneira campestre
10º confundir os deputados no Parlamento com alguns imputados no Barlavento
Em todos estes casos as autoridades serão implacáveis e degradarão os indivíduos em causa.
c. Considerando que somos todos iguais, especialmente na hora da Despedida, será concedida uma amnistia culturo-intelectual a todos os moribundos, de tal maneira que morreremos exactamente como nascemos , "doutor" ou "engenheiro". Viva a igualdade total!
Thans is hier een systeem in voege, genaamd "nieuwe opportuniteiten", dat aan mensen, die daar in hun jeugd niet in slaagden, toelaat op alternatieve wijze een diploma te behalen (zij het lager, middelbaar of hoger onderwijs). Sommige kritikeren dit systeem met de bewering dat het te gemakkelijk is en dat het alleen de bedoeling is om de statistieken van het land wat op te fleuren.

quinta-feira, outubro 16, 2008

Quando a Igreja ainda salvava os banqueiros do Inferno...

Na altura do 2º concilio de Macon nos anos 600, a Igreja proibiu aos padres de ter cães em casa. O motivo era que o cão é um animal muito libidinoso que podia dar aos religiosos “ideias” incompatíveis com o celibato. De facto quem olha na rua para estes bandos de carnívoros depravados que andam, sem vergonha, em grupos à volta das cadelas com cio, com a língua – e não só – de fora, conclui imediatamente que a preocupação principal daqueles animais consiste em – além de comer – fornicar o mais frequentemente possível. Assim não é difícil de entender a medida referida por parte da Nossa Santa Mãe, a Igreja Católica.
Outros documentos antigos contam que a um certo momento as-damas-da-vida-fácil foram obrigadas pela mesma Instituição a vestir roupa interior de cor amarela. Isto também tinha alguma lógica preventiva: naquela situação delicada, o “apaixonado” podia ver imediatamente que a donzela-dos-seus-sonhos-dum-momento era de facto uma profissional e que neste contexto era talvez mais do que indicado recorrer a um destes pequenos-estojos-de-forma-anatómica feitos em intestino-de-borrego (os preservativos de então) para se proteger contra comichões prolongadas.
Tudo isso nos leva a pensar que a Igreja tinha também a intenção de proteger alguém ou alguma coisa, quando durante muito tempo negou aos católicos o direito de ser banqueiro ou - em outras palavras - de viver dos lucros ganhos pelo empréstimo de dinheiro a outros seres humanos necessitados : neste caso, era de certeza a alma dos banqueiros, porque se trata duma actividade radicalmente oposta à prática do amor do próximo, um pecado que dá automaticamente direito à queima eterna no Inferno.
Onze Moeder de H.Kerk legde eertijds de pastoors een hondenverbod op, verplichtte de hoertjes om geel ondergoed te dragen en ontzegde aan katholieken het recht om bankier te zijn. Dit laatste voor het zieleheil van de kandidaat-bankiers.

terça-feira, outubro 14, 2008

Ranking de Universidades

O Diário "As Beiras" publicou ontem um artigo sobre a classificação da Universidade de Coimbra no World University Ranking, com um título principal ligeiramente enganador, a saber: "Coimbra continua a ser a melhor". A realidade no entanto é que, a Universidade de Coimbra desce de novo no Ranking Mundial para o 387º lugar e para o 6º a nível ibérico. Esta classificação pode ser vista no "top 200" do site http://www.timeshighereducation.co.uk/hybrid.asp?typeCode=243&pubCode=1 .
A impressão que tenho é que este ranking não é muito diferente da também famosa lista elaborada pela Universidade de Xangai. Uma classificação deste género vale mais do que uma mera explicação para o consumo local e merece uma análise mais aprofundada. Assim constatei com contentamento - provavelmente motivado por algum chauvinismo latente da minha parte - a excelente prestação das Universidades Neerlandófonas. De facto, nas primeiras 200 classificadas encontramos nem mais nem menos, do que 14 institutos de expressão neerlandesa ( dos Países Baixos e da parte Flamenga da Bélgica, ou seja um universo linguístico com apenas 22 milhões de praticantes). Comparada com a Francofonía (8 classificadas), o mundo Hispânico (3 classificadas) ou a Lusofonia (só representada pela Universidade de São Paulo) é caso de um resultado extraordinário. Neste contexto, seria injusto omitir os êxitos também notáveis de alguns outros pequenos países como a Dinamarca, a Suíça, a Suécia ou Israel. Uma coisa esta fora de discussão: a qualidade do ensino universitário não está minimamente relacionada com importância numérica de uma ou outra zona linguística. Não disponho de autoridade nenhuma para interpretar estes dados, todavia tenho as minhas opiniões como cidadão. Sendo assim, não creio que a pletora de "universidadezinhas" em Portugal - que crescem como cogumelos por todo lado -, seja propicia ao incremento do nível do ensino superior; não só porque não cria quaisquer estímulos de competitividade intelectual como também desvia meios financeiros do objectivo principal que deveria continuar a ser em exclusivo as universidades "a sério". Além disso estou convencido que deveríamos mudar um pouco de mentalidade: fanfarronar menos sobre Grandeza, Prestigio e Mundos, e dedicar-nos mais ao trabalho assíduo, exigente e silencioso. Há bastantes cientistas que funcionam nestes moldes em Portugal, mas estes - excepto em alguns esplêndidos programas da RTP2 - têm raramente a oportunidade de aproximar-se dos microfones...
Het is toch merkwaardig dat in de World University Ranking bij de top-200 veertien (14) nederlandstalige ( Nl+Be) universiteiten zijn, meer dan frans-, spaans-, en portugeestalige samen. Er is dus zeker geen verband tussen het aantal sprekers van een taal en de kwaliteit van het hoger onderwijs in diezelfde taal.

quinta-feira, outubro 09, 2008

Casamentos gays: por favor, não discriminar os heterossexuais….


Em Portugal o casamento dos homossexuais é – além da crise financeira global e do desemprego galopante – um problema político da actualidade. Compreendo perfeitamente que estes cidadãos querem também poder oficializar as suas relações. Todavia admito que me confunde um pouco constatar que há sempre mais casais heterossexuais que desistem do casamento para reclamar direitos numa situação de convivência em comum não-oficializada enquanto no mundo dos gays e das lésbicas a luta é na direcção contrária. Os dois movimentos opostos do mesmo pêndulo?
Não me parece bem entrar demasiadamente no assunto, se não poderíamos chegar a reflexões incómodas. Explico-me com um exemplo: dois heterossexuais do mesmo sexo poderão casar-se, admitindo que não nutrem qualquer atracção sexual o um pelo o outro? Imaginamos dois viúvos que querem viver juntos por motivos práticos: para poupar dinheiro (água, electricidade, renda, etc.) e porque um não gosta de cozinhar e o outro detesta lavar a roupa. Querem oficializar administrativamente a sua relação não sentimental: será permitido ou devem dar mesmo uma prova do S.P.A.C.? Na história há inúmeros casos conhecidos de situações contrárias: homossexuais que entraram num matrimónio heterossexual, bem conscientes da sua condição. Então, neste contexto não seria discriminatório definir o casamento entre pessoas do mesmo sexo como um privilégio reservado às comunidades gays e lésbicas…Confuso, não?
In Portugal staat het homo-huwelijk in de politieke aktualiteit. Een nadenkertje: zullen heterosexuelen van hetzelfde geslacht die samenwonen ook mogen huwen, bv om administratieve of budgettaire redenen?

sexta-feira, outubro 03, 2008

Sofro de banco-nojo incurável...

Nesta época de crise no mundo dos bancos, revoltam-me algumas declarações de dirigentes de bancos ou outras instituições financeiras na TV e nos meios de comunicação social.
Estes Senhores – com uma cara passada a ferro – vêm dizer que os cidadãos são uns estúpidos, culpados pela sua própria desgraça, porque recorrem a crédito para viagens exóticas acima dos seus meios, para carros com cilindradas demasiadamente altas e para casas excessivamente luxuosas. Talvez tenham razão e o freguês pouco inteligente pouparia de facto muito dinheiro continuando a viver na sua barraca, passando ferias no quintal e deslocando-se em bicicleta. Todavia o que é extremamente hipócrita é que as referidas instituições gastam milhões de euros em publicidade para seduzir o Zé Povo a endividar-se e a contrair aqueles empréstimos asfixiantes. Para esta finalidade não hesitam em contratar vedetas do mundo do desporto e do pequeno ecrã e oferecer a torto e direito prendas e brindes. A publicidade para produtos financeiras é na realidade tão amoral como para cigarros ou álcool e nesta lógica deveria ser proibida: também empurra milhares de famílias para o abismo sem suportar qualquer tipo de responsabilidade; pior ainda, quando o sistema está em crise os cidadãos são convidados através de diversas construções elaboradas por políticos coniventes a contribuir para tapar os buracos dos senhores banqueiros. Em palavras simples e directas: os cidadãos, através dos seus impostos, dão dinheiro aos mesmos que lhes estão a vender credito. O verdadeiro ovo de Colombo!
Não tenham muito pena: quando uma alta patente do banco se demite (ou se for demitido) não se afunda na miséria, nem deve ir ao fundo do desemprego: aterra confortavelmente com um pára-quedas em ouro que nunca vale menos de 1, 2 ou 3 milhões de euros: outra situação socialmente e humanamente indefensável...
Op TV komen de bankiers thans verklaren dat de gewone man een dommerik is die teveel leningen aangaat maar al de andere kant spenderen ze miljoenen aan publiciteit juist om de burger aan te zetten tot lenen. Dergelijke pub zou moeten verboden worden, net als die voor alcohol en sigaretten.