sexta-feira, abril 24, 2009

Pois é, Major Otelo...


Hoje de manha ouvi falar o Major Otelo na radio. Considerando que em Portugal há 2 milhões de pobres, 1 milhão de analfabetos e meio-milhão de desempregados, ele chega à conclusão que a Revolução de 25-4-1974 ainda não atingiu os seus objectivos . De facto, não é preciso ser vidente para ver que somos um caso único na Europa : como explicar que países que vêm de muito longe atrás de nós, em poucos anos ultrapassam alegremente Portugal em todos os aspectos. Talvez a revolução tenha alguma coisa a ver com isso : não será que na primeira década pós-revolucionaria foram feitas muitas opções erradas e contra-produtivas, que hipotecaram o país até ao dia de hoje? A liberdade é o bem mais precioso que temos nesta Terra, mas não é tudo, é preciso muito mais para ser feliz..

segunda-feira, abril 13, 2009

O futebol em Portugal: álgebra especial


O futebol é diferente em Portugal. Ao contrario do que se passa no Resto do Mundo, onde o resultado é decidido por um jogo entre duas equipas de 11 jogadores, neste país as regras são outras. Em Portugal há três intervenientes em cada jogo e cada um tem quase o mesmo grau de influencia sobre o resultado final : a equipa A, a equipa B e a equipa C (a de arbitragem). O que os atletas fazem de bom ou de mal no relvado pode ser interessante, no entanto não é decisivo para o resultado final : de facto temos de admitir que é o terceiro interveniente, sendo a equipa de arbitragem, que tem a voz mais preponderante e sem recurso possível. Enquanto os membros das equipas A e B podem ser castigados ou mesmo expulsos, os da equipa C, dispõem de uma imunidade quase diplomática. Mas a complexidade do futebol Português não pára aqui: são possíveis diversas combinações : a equipa C pode apoiar a equipa A ou B segundo a disponibilidade de relógios em ouro ou damas de vida fácil. A tarefa mais difícil é sem dúvida para os apostadores da Bwin : a aposta torna-se quase num excercio de álgebra : nalguns casos vemos que A+C > B, não é no entanto de excluir que B+C > A . Especialmente na condição de B-Rolex = C+Rolex . Muito raramente somos confrontados com a equação A+B>C, só se os membros da equipa C forem mesmo burros ou ignorantes.
In Portugal is het voetbal anders: het gaat hier niet om een wedstrijd tussen 2 ploegen van 11, maar wel om een treffen met 3 ploegen: hier speelt immers het scheidsrechterteam vaak een doorslaggevende rol.

quarta-feira, abril 01, 2009

Os analistas da Áustria do papá-avô Fritzl

Compreendemos que os jornais são diariamente confrontados com o terrível desafio de encher dezenas de páginas virginalmente brancas e que por isso são extremamente bem vindos os comentários dos analistas que se debruçam sobre todos os problemas . Para além disso, os textos referidos atribuem ao jornal onde estão inseridos, um inegável toque de intelectualismo. O analista é por natureza uma pessoa sábia (ou pedante?) que não somente tem a tarefa dura de produzir frases (consideradas) sensatas sobre os mais diversos assuntos, como também deve afixar continuamente a sua imagem de pensador superior e perspicaz. Vemos o caso da figura triste do papà-violador-sequestrador na Áustria, o senhor Joseph Fritzl. O comum mortal poderia estimar que o velho Joseph não passa de um indivíduo monstruosamente imoral que não merece mais do que uma pena pesada para além do nosso desprezo profundo.., mas os nossos analistas, que têm o dom de poder ver claramente o que se passou nos bastidores da história, têm muito mais para dizer. Para eles, o nojento Fritzl é nem mais nem menos um produto típico da sociedade austríaca que, como se fosse um cogumelo em estrume de cavalo, só se pôde desenvolver aí : só aquele ambiente de pequena burguesia conservadora era capaz de engendrar um monstro destes. E a quem podemos apontar o dedo ? : sem dúvidas ao defunto império austro-húngaro (à Sissi incluída), à Igreja católica e evidentemente aos nazis. Há 15 dias apareceu uma cópia do Fritzl na Itália e esta semana outra na Colômbia. Para um analista profissional não deve ser muito complicado explicar um Fritzl italiano . Temos ali pertinho o Vaticano, temos a neta do Duce e porque não o Gianfranco Fini. No caso colombiano, já não é tão fácil: talvez sirvam de bode expiatório os colonialistas espanhóis ou as folhas de coca . Finalmente, rezamos pra que nunca surja um Fritzl português, para se fazer uma analise jornalística deveríamos logo desenterrar o Salazar e a irmã Lúcia...
Enkele tijd terug kwamen vele kranten-analysten tot het besluit dat Fritzl, de incestueuze verkrachter uit Amstetten, een typisch product was van de Oostenrijkse maatschappij. Nu werd onlangs ook een soortgelijk geval vastgesteld in Italie en eveneens in Colombie. Ben benieuwd om de kommentaren en analyses te lezen van de alleswetende journalisten.

quarta-feira, março 25, 2009

O sal no pão do CDS...

Com o devido respeito, mas o CDS/PP não tinha razão nenhuma em votar contra a proposta Lei do Sal no Pão. E por vários motivos. O primeiro é o da saúde pública. O argumento de que "a imposição de um tecto máximo de sal no pão seria uma intromissão directa do Estado num hábito pessoal " não vale, uma vez que o mesmo raciocínio permitiria vender álcool ou cigarros sem restrição. Talvez a comparação seja exagerada, mas neste contexto também os fumadores de haxixe e os "snifadores" de cocaína poderiam definir o seu vicio como sendo um hábito pessoal. Os deputados do CDS/PP devem saber que as despesas que a Segurança Social tem com as doenças provocadas pelo excesso de sal na alimentação (o tal hábito pessoal ), são pagos por todos os contribuintes, incluindo os que observam um regime salino saudável. Para além disso, não crendo que o gosto pelo sal seja uma característica geneticamente definida do Homem Português, deveria avaliar-se, se não é exactamente a ingestão diária de muito sal através do pão (e de outros alimentos) desde a infância precoce, um factor determinante que influencia a formação do tal "hábito pessoal" nefasto. Finalmente existe ainda um outro argumento contra o excesso de sal no pão e nos alimentos em geral : como todos sabemos, o sal tem uma capacidade forte para fixar a água e assim pagamos como sendo pão, ingredientes que são na realidade simplesmente sal e agua. Façam o teste e deixem um saquinho de plástico com 2-3 pães bem fechado pendurado ao sol durante algumas horas ... Será que os consumidores são diariamente vitimas de uma pequena burla económica ?
De kleine rechtse partij CDS heeft tegen het wetsvoorstel gestemd om het (in Portugal hoge) zoutgehalte in het brood geleidelijk aan te verminderen, met het argument dat dit een inmenging van de Staat is in wat een in feite een persoonlijke gewoonte zou zijn. Maar zijn hasjisch roken of cocaine snuiven ook geen persoonlijke gewoontes? En wie betaalt de kosten voor al die cardiovasculaire accidenten te wijten aan het overmatig zout gebruik in Portugal? Daarbij is er ook een economisch facetje aan de zaak : wat we betalen als zijnde brood is in feite voor een deel water en zout...

quarta-feira, março 18, 2009

Pombais, Loures e perigo no aeroporto...

A Câmara de Loures tem razão. A psicose anti pombo é uma moda recente em Portugal. Na Bélgica onde há muito mais columbófilos do que aqui, (e bastante mais tráfego aéreo) existem vários clubes da modalidade à volta do aeroporto de Bruxelas. Um grande campeão belga Robert Van Eycken, entre outros vencedor do concurso internacional de Marseille, tem quase a cada momento aviões a passar por cima dos seus pombais.(ver fotografia ao lado). O que é estranho é que quando um par de anos atrás havia muito mais pombais do que agora, ninguém se queixava... Na mesma linha de raciocínio, não será indicado mandar abater os flamingos que andam nas beiras do Tejo, afim de preservar a segurança no novo aeroporto de Alcochete ? Não, um pouco menos de fundamentalismo e um pouco mais de bom senso seriam bem vindos. De qualquer maneira, a Câmara de Loures merece os parabéns pela sua bela iniciativa : criar condições decentes para as pessoas que se querem dedicar a este desporto pacifico que é a columbofilia.
In Lissabon is er (wat laattijdig) reactie tegen de duivenhokken rond de luchthaven. Nochtans rond de luchthaven van Zaventem-Be bestaan verschillende duivenklubs zonder problemen. Boos zijn op duiven is een modeverschijnsel in Portugal.

sexta-feira, março 13, 2009

Angola ou desemprego....


Ontem, Belmiro de Azevedo e Daniel Bessa defenderam a importância de Angola para o combate ao desemprego em Portugal. O "patrão" da Sonae, declarou mesmo que "às vezes, o que é mais difícil em Portugal é uma certa cultura, é as pessoas quererem emprego ali ao lado". Permitam-me ter uma opinião diferente. É evidente que num momento de crise aguda como agora Angola e outros sítios podem constituir um remédio temporário para aliviar o sofrimento económico das famílias. Todavia a médio e longo prazo, nunca pode ser um objectivo dum país ou dum povo com alguma auto estima, colocar um parte da sua população - a que trabalha -em situação de mobilidade continua. Obrigar as pessoas a trabalhar longe da região onde habitam - seja dentro ou fora do país - significa nem mais nem menos um fiasco do sistema. Posso dar o exemplo da minha terra natal, onde o movimento nacionalista flamengo quis desde sempre acabar com a necessidade económica dos flamengos para ir procurar trabalho na Valónia francófona ou nos países vizinhos. Era considerada uma situação humilhante e eticamente injustificável. Um dos seus sloganes básicos foi sempre "queremos trabalho na nossa própria região". Sob este impulso, a Flandres conseguiu atrair muito investimento estrangeiro e parou o vai-e-vem escandaloso de seres humanos. Graças a esta evolução a Flandres tornou-se uma das regiões mais prósperas da Europa. A mobilidade dos trabalhadores nunca pode ser um trunfo-mor nas mãos do patronato : aqui fechamos, vocês emigrem para Angola...
Een der topbazen van de Portugese bedrijfswereld stelde gisteren dat de Portugese werknemers een wat bekrompen mentaliteit hebben omdat ze dicht bij huis willen werken. Wie de Vlaamse ontvoogdingsstrijd kent weet dat een der eerste eisen van de Vlaamse beweging altijd was "werk in eigen streek" en zo te zien met goed gevolg...

quarta-feira, março 04, 2009

Penela : atitudes anacrónicas...

No sitio onde vivo, a Câmara de Penela esta realizando obras (estamos em ano de eleições) para embelezar nas Vendas de Podentes o piso à volta da Capela (via pública) e do Bar das Festas (terreno privado) . Compreendemos perfeitamente que nestes tempos difíceis o povo aspira ao divertimento para se esquecer da crise e entendemos que o esforço das entidades públicas para colocar neste sitio um pavimento "artístico" enquadra nesta estratégia milenar de "panem et circenses". Para alguns pode parecer estranho que as ditas obras não só se limitam à via publica e que também englobam um terreno pertencente a uma organização privada, mas não sejamos mesquinhos, no interior de Portugal as coisas ainda se passam assim. O que é menos menos habitual na Europa do 3º milénio é a maneira prepotente como a qual agiram os "executores" da obra referida. Simplesmente - e sem qualquer aviso - cortaram o acesso à nossa casa durante uma semana, impedindo entrar com os nossos carros no nosso próprio terreno ! E não foi com pequenos meios : estacionaram uma maquina pesada à frente do nosso portão e outra na via de acesso. Toma lá estrangeiro! Entidades idóneas deveriam respeitar todos os cidadãos e não só os seus eleitores potenciais. Muito pouco nível.
Tijdens het leggen van een nieuwe bestrating op de "feest-ground" in ons gehucht, werd ons gewoon - zonder enige vorm van verwittiging - gedurende een volle week de toegang tot onze garage onmogelijk gemaakt. Heel simpel werd een buldozer gestationnneerd voor onze poort... De Romeinen wisten al in hun tijd dat "panem et circenses" voorrang hebben op alles...ook op goede manieren.

terça-feira, fevereiro 24, 2009

Em guerra com os squads e 4x4....


O Sr. Herman Decroo não é nenhum fundamentalista da natureza nem um verde intransigente; muito pelo contrário o Sr. Decroo é um membro destacado do partido conservador-liberal VLD e faz parte do "establishment" da politica belga : foi várias vezes ministro e também ocupou durante muitos anos a cadeira de presidente do parlamento nacional. Entetranto este homem - em nada revolucionário - é também Presidente da Câmara Municipal de Brakel (um concelho situado numa zona rural da Flandres Oriental) e nesta qualidade declarou sem mais nem menos - a guerra aos "pilotos " de squads e de veículos todo-o-terreno. Na realidade, o ex-ministro declara estar farto da danificação e destruição dos pequenos caminhos do seu concelho. " Não só isto nos custa muito dinheiro, como também é simplesmente injustificável". Neste quadro o concelho de Brakel vai proibir as actividades de tais veículos no seu território e prever multas pesadas para os infractores.
Em Portugal muitos autarcas -entusiasticamente acompanhados pela imprensa local - ainda andam com uma mentalidade dos anos '50 e apoiam e estimulam actividades deste género. Consideram os seus patrocínios como uma demonstração manifesta da sua "modernidade". Pobre gente: provavelmente vamos ter de esperar pela próxima geração de políticos locais par ver qualquer iniciativa naturalmente correcta neste domínio.
Terwijl Herman Decroo - terecht - in Brakel maatregelen neemt tegen squads en 4x4, hangen de meeste Portuguese gemeentepolitiekers nog in een vroeger stadium en steunen activiteiten met squads en 4x4. Laten we geduld hebben en wachten we maar op de volgende generatie.

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Fernando Pessoa: a visão do génio...

Até agora, não eram conhecidas referências aos Países Baixos e à Bélgica por parte de Fernando Pessoa .
O literato Neerlandês Michaël Stoker encontrou alguns textos do mundialmente famoso poeta português sobre a Holanda e a Bélgica. Stoker detectou o rasto destes documentos durante a preparação da sua tese de doutoramento sobre Pessoa. Esta noticia foi hoje divulgada pela Fundação "Het Poeziecircus" . Os textos demonstram que o Português não tinha uma ideia muito positiva sobre aqueles países. Intitula a Holanda como sendo "um país inferior" e a Bélgica "uma pseudo-nação " e afirma que "este tipo de país não contribui nada à civilização. Podem deixar de existir sem que isto provoque qualquer dano para a civilização". O "promovendus" à Universidade de Utrecht apresentará o seu livro, que inclui os textos mencionados, na altura do festival Pessoa que terá lugar nos Países Baixos e onde estará presente o embaixador de Portugal. Não tenho nada a dizer sobre a opinião de Pessoa em relação à Holanda, mas no que diz respeito à Bélgica, quero sublinhar que não é o primeiro gigante da poesia que despreza a Bélgica : também Baudelaire pensou nos mesmos moldes. Finalmente para entusiasmar um pouco os nacionalistas flamengos : é de Fernando Pessoa (ou melhor ainda, do seu heterónimo Bernardo Soares ) o famoso verso "a minha pátria é a minha língua".
De Nederlandse letterkundige M. Stoker, heeft teksten ontdekt waarin Fernando Pessoa zijn misprijzen uitspreekt over Nederland en Belgie. Belgie noemt hij een pseudo-natie. Het is trouwens niet de enige gigant van de poezie die Belgie geen warm hart toedraagt, Baudelaire had dezelfde opinie. Terloops, de fameuze zin " mijn vaderland is mijn taal " is van de hand van Fernando Pessoa, geschreven onder zijn heteronieme naam Bernando Soares.

quinta-feira, fevereiro 12, 2009

A insustentável incoerência da Igreja

Em Portugal são vários os assuntos na agenda política que têm a ver com a doutrina moral da Igreja Católica. De facto, a Igreja sempre se autoproclamou como defensora incondicional da "vida" e igualmente sempre condenou a homossexualidade a fortiori incluindo casamentos entre pessoas do mesmo sexo. No que diz respeito à "vida", a nossa Santa Mãe já teve de engolir um sapo enorme na questão do aborto, que após uma segunda tentativa foi democraticamente (hm...hm...) aprovado por meio de um referendo. Agora o partido no poder pondera uma legislação que permitirá casamentos entre gays e entre lésbicas e também - porque não - a autorização da eutanásia a pedido. Não quero aqui polemizar sobre o fundo das questões referidas, mas sim sobre a forma como a qual a Igreja lida com elas. Ontem na comunicação social, ouvi dizer o PM, que a legalização do casamento homossexual é uma consequência resultante dos valores inerentes ao PS, nomeadamente para criar mais justiça, mais igualdade, mais tolerância, etc. etc. OK, parece me bem e correcto que uma organização como o PS luta em prol dos seus valores e tenta realizá-los. O que me parece de uma incongruência enorme é a posição da Igreja: como é possível que uma instituição, que se declara universal, de todos os tempos, de inspiração divina, abdique tão ligeiramente da possibilidade de defender os seus princípios com todos o meios possíveis, inclusive em época de eleições. Porque fugir ao confronto duro mas democrático entre os valores e princípios de um partido político e os mandamentos - segundo dizem - sagrados provenientes directamente de Deus? Há alguma coisa que me escapa ou talvez não : a Igreja portuguesa provavelmente tem um medo sério e real de ver provado que só tem ainda um impacto residual sobre a sociedade portuguesa. Além disso, desde sempre a Sagrada Instituição demonstrou uma tendência muito forte para a conivência com os poderes instalados.
De H. Kerk is heel incoherent in Portugal: nu in de regerende PS-partij stemmen opgaan om zowel het homoseksuele huwelijk als de euthanasie-op-aanvraag toe te laten, zou men verwachten dat een Instituut dat de mening van God-himself vertegenwoordigt, protesteert en een standpunt inneemt ivm de komende verkiezingen. Niets daarvan, onze H. Moeder is waarschijnlijk bang te moeten toegeven dat haar stem nog weinig impact heeft op de huidige maatschappij.

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

A democrácia, os abutres e a auto-limpeza...

Em muitos países da (ex-) Europa ocidental existe um mal estar evidente em relação à actuação dos políticos dentro do sistema democrático. Não falamos em concreto do que se passa actualmente na Holanda, na Bélgica, na França (Kouchner) ou em Portugal , mas uma coisa é certa : a classe política sai desvalorizada e desacreditada de todas estas histórias. É sem duvida uma situação perigosa : o facto de os políticos agirem em contradição flagrante com os sacrossantos princípios que recomendam ao cidadão comum, conjugado com os efeitos amargos da crise, pode acordar velhos demónios considerados defuntos. Quando há poucos dias um amigo meu, comunista ferrenho, me declarou no contexto dos escândalos na actualidade que "ao menos o Salazar morreu tão pobre como no dia em que entrou no governo", era simplesmente um sinal dos tempos . Ganha terreno no povo a convicção que a "praça politica" se transformou para muitos daqueles profissionais do Parlamento numa gigantesca "Bolsa de Oportunidades", onde toda a gente enriquece, família e amigos incluídos, onde surgem dicas para negócios fabulosos, onde há tachos eternos e bem pagos para conquistar, onde há influencias para traficar. Com o estômago sempre mais vazio, o Homem da rua, está afinando o seu olfacto para detectar abusos e malefícios perpetrados por baixo da manta da "democracia" : quando a sua ira começar a abanar o sistema, não haverá mais tempo para afastar os abutres que se nutrem da democracia agonizante. O único caminho a seguir por parte dos partidos políticos é o da auto-depuração, o da inquisição interna : analisar antecipadamente e de maneira meticulosa todos os candidatos que se apresentam em seu nome, investigar a sua fortuna, o seu currículo, o seu percurso social e politico e recusar implacavelmente indivíduos que perderam a sua virgindade em qualquer um destes aspectos. Parece que em alguns países - nomeadamente na Bélgica - já estão em curso este tipo de práticas de auto-limpeza partidária... Nunca é tarde demais.
Steeds meer komt de burger vragen te stellen over de rol van de politiekers in onze West-Europese democratieen. Steeds meer schandalen komen aan het licht. De enige oplossing bestaat erin dat de politieke partijen hun kandidaten vooraf aan een interne inquisitie onderwerpen zodat alleen "onbevlekte" mensen in machtsposities terecht komen.

segunda-feira, janeiro 26, 2009

A faixa de Gaza entrou na lista negra....


A faixa de Gaza - na realidade uma aglomeração com uma densidade populacional muito alta - entrou na lista negra das aglomerações vítimas de ataques "terroristas" por parte de forças armadas regulares. Pensamos, entre outras, nas cidades tristemente famosas de Coventry, Dresden e Hiroshima. Castigar uma população inocente pelo facto de ser governada por forças inimigas do assaltante não coaduna com qualquer conceito moral. Destruir intencionalmente locais de culto, escolas, hospitais e outras infraestruturas é simplesmente um crime desprezável ; matar a grande escala e sem discriminação crianças, mulheres, idosos e outros civis indefesos é um acto repugnante. É o evangelho cristão que não autoriza vinganças, todavia creio (ou espero) que não existe qualquer livro sagrado que permita acções desproporcionados como aquele que vimos agora em Gaza. Nem a utilização de bombas de fósforo branco contra civis desarmados...
Gaza kwam terecht in de trieste lijst van steden die het slachtoffer werden van brutale bombardementen op de burgerbevolking zoals Coventry, Dresden en Hiroshima. Zou er echt een Heilig Boek bestaan dat dergelijke terreur tegen burgers niet verbiedt? En het gebruik van fosforbommen?

quarta-feira, janeiro 21, 2009

Monsenhor Policarpo, o que foi dizer?

O Cardeal foi muito imprudente. Disse que os cristãos - ou melhor ainda as cristãs - devem pensar duas vezes antes de casar-se com um Muçulmano. Parece uma frase inocente, sem qualquer maldade, uma dica, um incentivo para reflectir bem antes de entrar num casamento com uma pessoa de outra religião e provavelmente também de outra cultura. O Cardeal não culpou ninguém, não denegriu ninguém, só sublinhou que existem diferenças que podem hipotecar uma vida em comum feliz e duradoura. O facto é que existem na Europa enormemente dramas familiares devido aos tais casamentos mistos com pessoas de religião muçulmana que são por vezes complicados por violência ou rapto dos filhos. Não são as excepções felizes que provam o contrário. O Cardeal falou como um bom pai de família que dá um conselho precioso : abre as pestanas, filha, o mundo nem sempre é como parece. Mas então qual foi a imprudência do Monsenhor Policarpo? A sua imprudência consistiu em dizer tal coisa em público e na presença de alguns "moralmente correctos" que logo podiam contar com os meios de comunicação social para insuflar o assunto. Pintaram o Cardeal como sendo um destes velhos católicos petrificados com um pequeno perfume racista. No final, quem tentou dar uma dica sensata a maneira dum "papa" benevolente, sai desta história com o estigma de ser um fundamentalista antiquado. Se calhar o fundamentalista é o próprio Policarpo...
P.S. Parece que a próxima revista "Sábado" publicará algumas histórias tristes que confirmam o bom senso do apelo à prudência por parte do Cardeal.
Onlangs was de Kardinaal van Lissabon zo onvoorzichtig te zeggen dat de (christelijke) meisjes 2 keer moeten nadenken alvorens te huwen met een moslim, wegens de eventuele grote religieuze en kulturele verschillen tussen de 2 partners. Natuurlijk bleef de - zware -kritiek niet uit...

Uf, escapámos...

Graças a Deus, o Presidente mais ridículo da história americana foi-se embora. E também um dos mais criminosos : mentiu vergonhosamente a toda a humanidade sobre a presença de armas de destruição maciça e grupos de terroristas no território iraquiano para justificar uma agressão brutal contra aquele povo. Dezenas de milhares de mortos. Dezenas de milhares de pessoas - crianças incluídas - amputadas e deficientes para o resto da vida. No seu próprio país, o panorama não é muito melhor : milhões de pobres e milhões sem qualquer tipo de assistência médica, o colapso financeiro do sistema capitalista que o engendrou. Tornou-se prática corrente pisar os Direitos do Homem: detenções ilegais, tortura e humilhação no Iraque, Afeganistão e Guantanamo. Provoca-me pele de galinha, só pensar que um Homem destes, com tanto sangue (e também um pouco de petróleo) nas mãos, teve durante oito anos o dedo no botão nuclear da maior força de destruição do Mundo. Porque aí, sim, esta existe. Bye, bye cowboy, beba um copo e deixe-nos em paz.
Een van de meest ridikule presidenten van de USA stapt het af. Lapte overal de mensenrechten aan zijn cowboylaarzen. Ik krijg kippevel als ik eraan denk dat zo een man - met zoveel bloed en ook wat petroleum aan zijn handen- de vinger op de nucleaire knop van de VS had.

terça-feira, janeiro 13, 2009

Não sou só eu...


... que denuncia a loucura dos raids, rallyes e outros "pseudo-desportos " com veiculos 4 x 4. Existem pessoas ambientalisticamente evoluídos em qualquer parte do Mundo, talvez numa concentração menor em algumas regiões de Portugal.
No Chile surgirem protestos contra a passagem do Paris-Dakar, basta ler o artigo traduzido no blogue "bioterra".http://bioterra.blogspot.com/2009/01/moo-e-manifestaes-no-chile-contra.html.
Ik ben niet de enige die reageert tegen de gekte van rallyes en raids. Ook in Chili zijn mensen mistevreden over de Z.Amerikaanse Paris-Dakar.

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Matemática mortal


No Médio Oriente continua-se um exercício diabólico de matemática perversa. Quanto vale a vida dum Israelita comparada com a de um Palestiniano? Um Israelita vale 10 Palestinianos ou ainda mais, 20, 50 ou 100? E estes 10, 20, 50 ou 100 Palestinianos podem ser crianças, mulheres ou idosos, importa? Um restaurante destruído em Tel Aviv vale quantas escolas, mesquitas ou hospitais demolidas na faixa de Gaza? No conflito Israelo-Palestiniano escapou-me sempre uma coisa : os terroristas palestinianos são indivíduos à margem da sua sociedade civil e - neste caso - não vejo qualquer justificação para uma punição colectiva daquele povo inteiro. Ou, será que contam com o apoio de todo a população e que dispõem assim quase de um mandato popular para executar acções bélicas contra Israel? Neste caso será que praticam o terrorismo tal qual ou podemos considerar estas agressões armadas como um tipo de resistência, justificada ou não? De qualquer maneira, quem sai humilhado de toda esta história são as grandes religiões monoteístas que - em contradição com o seu discurso oficial e após múltiplos séculos de implantação- não conseguiram apaziguar o animal feroz dentro do Homem, muito pelo contrário...
Het conflict in het Midden-Oosten is weer uitgegroeid tot een duivelse rekenoefening: hoeveel is het leven waard van een Israelier ivm dat van een Palestijn: 10, 20 of 100? Als de Palestijnse terroristen zijn, los van hun maatschappij, waarom dan kollektieve straffen? In ieder geval wie met beschaamde kaken moet rondlopen zijn de monotheistische godsdiensten, die er na ettelijke eeuwen nog altijd niet in geslaagd zijn het wilde beest in de Mens te onderdrukken, wel integendeel...

terça-feira, dezembro 30, 2008

Ananismo jornalistico...

No dia 7 de Novembro publiquei aqui um texto relacionado com o impacto negativo dos veículos todo-o-terreno sobre o ambiente, seja directa ou indirectamente. Estou convicto que não existem quaisquer argumentos para pôr em duvida esta afirmação e é uma realidade que nos países “ambientalisticamente” desenvolvidos tomam-se sempre mais medidas, não só para defender a natureza contra invasões motorizadas indesejáveis como também para travar a proliferação deste tipo de veiculos. O Diário As Beiras na sua edição de 27-12-08, referiu-se ao meu texto “recente” (!), julgando necessário mencionar as minhas opções políticas. Não conheço nem o nome nem as tendências politicas do Sr. Jornalista, todavia acho o seu mini-artigo uma demonstração de futilidade: de facto, limita-se a mencionar a última frase do meu artigo, frase que dava num tom de humor negro algumas dicas para diminuir os impulsos hormonais de certos “pilotos” de 4x4 ; sobre o cerne do problema, nenhuma palavra!
No entanto quem detem o minimo de informação sobre o assunto, sabe que a minha afirmação é inteiramente verídica : é um facto inegável que, para certos homens, conduzir um carro potente corresponde a um exercício de poder machista e é consequentemente o resultado de influências hormonais. A expressão " ao contrario do feminismo, o machismo já matou muita gente" surgiu exactamente neste contexto. O Diário As Beiras perdeu uma bela oportunidade para iniciar uma discussão alargada sobre o assunto e para sensibilizar os seus leitores, incluindo certos autarcas, para o facto de que organizar raids do tipo "vroum...vroum...vroum " nas matas, nos campos e nas florestas consta de um acto francamente hostil à natureza. Não é nenhum sinal de modernidade, bem ao contrario é uma manifestação de atraso ambientalistico lamentável. Sabemos que a imprensa local ou regional é obrigada a lamber muitas botas para poder sobreviver, todavia cremos que há ainda um futuro para um jornalismo isento, independente e investigador. Um dia, esta faceta do ambientalismo estará também no centro das atenções em Portugal; mas quando, em 2015 ou em 2020? "En attendant" a malta considera-se fixe quando mete o capacete e acredita que está "pilotando" na ponta do progresso. Será que a gajada vai se babar toda?
Een lokale krant neemt mijn blog-artikel van 7-11-08 op de korrel omdat ik op ironische toon wat middelen aan de hand doe om het testosteron-gehalte in het bloed der terreinwagen-fanaten wat te doen dalen. Over de grond van de zaak niets : belijkbaar is het nog te vroeg om te beseffen dat "terreinwagens" en "natuur" 2 tegengestelde begrippen zijn.

quarta-feira, dezembro 24, 2008

Na Bélgica : "a queda de um anjo"


O Senhor Yves Leterme, ex-Primeiro Ministro da Bélgica deve ser um Homem amargado. Até há pouco tempo, tinha um currículo perfeito e imaculado como ministro-presidente do Governo Regional da Flandres : ainda não havia crise económica e a Flandres prosperava como nunca antes. Não tenham dúvidas : Yves Leterme era um politico bem sucedido e muito popular. Mas, no maldito ano de 2007, achou que tinha chegado o momento para saltar mais alto e entrar na política federal. Apresentou-se às eleições federais de 2007, como cabeça de lista do principal partido da Flandres, o Cristão-Democrata. Foi o canto do cisne do Yves : ganhou as eleições de uma maneira fulgurante e foi quase plebiscitado para ser 1º Ministro; conseguiu o tacho, mas a partir daí, a sua carreira começou a descer a pique. Yves nunca foi muito querido entre os francófonos porque pareceu personificar o flamengo emancipado, consciente dos seus direitos , que eles não apreciam minimamente. Mas agora, quando Yves começou a engolir uma promessa básica do seu programa eleitoral, para fazer num apice (sic) a reforma do estado no sentido exigido pela opinião flamenga (e também pelo Tribunal Supremo belga), afastou, não só o NVA, um pequeno partido seu aliado, mas também uma parte substancial da sua base eleitoral, a maioria silenciosa do povo flamengo. Para além disso, tornou-se o Rei das gaffes, quando, no dia nacional da Bélgica, cantou, em frente das televisões, a Marseillaise, confundindo-a com o hino belga . Como chefe do governo, Yves mostrou duas facetas contraditórias : a de pessoa insegura , instável e a de teimosa, irredutível. Apresentou num curto lapso de tempo 3 vezes a sua demissão, sempre recusada pelo Rei Alberto. Finalmente o escândalo das pressões exercidas pelo seu governo sobre o sistema judiciário, em relação com a venda precipitada do banco Fortis, empurrou Yves para o abismo político. Exit. Quantas vezes já vimos esta imagem de pessoas que querem ser maiores do que a sua sombra : Yves podia ter sido o politico mais poderoso na Flandres durante muitos anos , mas preferiu mergulhar no lago de águas turvas do governo federal belga. Um lago cheio de crocodilos e piranhas...
Yves Leterme had alles om gedurende vele jaren de onaantastbare Minister-President van Vlaanderen te zijn. Maar hij verkoos te zwemmen in de troebele vijver van de federale Belgische politiek, een vijver vol met krokodillen en piranhas...

segunda-feira, dezembro 22, 2008

O estado como patrão do seculo 19.

No século dezanove, muitos patrões-capitalistas colocaram os seus operários numa situação de semi-escravatura económica. Para eles era só ganhar : não só pagavam vencimentos muito baixos, como também alugavam ao seu pessoal as casas que mandaram construir nos bairros "sociais" . Simultaneamente vendiam-lhes produtos alimentares e afins nas lojas dos quais eram geralmente os proprietários. Nestes tempos de crise contínua, os trabalhadores encontravam-se frequentemente numa situação de insolvência iminente e a fome apertava. Não havia problema: o patrão, dava credito fácil nas suas lojas, determinando ele-mesmo a taxa de juros e tendo como garantia o salário do súbdito. Assim o trabalhador era nem mais nem menos do que um refém do sistema, totalmente dependente do seu empregador e condenado à docilidade absoluta. Quando constamos que um governo no inicio dos anos 2000, oferece também empréstimos aos seus funcionários em dificuldade, deveremos analisar a situação. À primeira vista, esta medida pode constar de uma solução adequada para remediar a algumas situações urgentes. Todavia uma abundância de candidatos, significaria que o Estado falhou nas suas obrigações sociais e que os seus funcionários perderam tanto poder de compra, que chegaram a um nível de indecência económica. Parece verdade que "l´histoire se repète" mas infelizmente será que um governo de "griffe" socialista recorre aos velhos métodos paternalistas do capitalismo ? Observação final : os trabalhadores independentes com dificuldades serão discriminados e entregues à sua sorte?
De regering stelt leningen voor aan de staatsambtenaren die het economisch moeilijk hebben. Doet dat niet denken aan situaties uit de 19de eeuw : vooral als we weten dat diezelfde ambtenaren jaren aan een stuk hebben moeten in leveren...En wat voor de hardwerkende niet-ambtenaren, die het moeilijk hebben?

sábado, dezembro 06, 2008

Barulho caro e prestigio...

Segundo a imprensa, o custo da Casa da Música no Porto derrapou 78,2 milhões de euros. Qualquer investimento na Cultura é importante, louvável e necessário, todavia não significa que os gurus da cultura - neste caso concreto os da Obra no Porto - dispõem de uma "carte blanche" para tirar alegremente o dinheiro pela janela em nome do prestigio de Portugal. Alguém falhou estrondosamente e deve assumir as suas responsabilidades ou admitir publicamente a sua incompetência. Qual prestigio: o de não saber fazer contas? Estes quase 80 milhões de euros davam certamente para manter abertas algumas maternidades ou urgências no Interior. Anteontem passei ao lado do inútil Estádio do Algarve e no mesmo momento os meus pensamentos iam para uma jovem familiar que estava a fazer 150 km para poder dar a luz um bebé prematuro em condições aceitáveis. Qual prestigio? Há alguns meses fiz uma palestra no auditório duma escola publica : chuveu e no auditório estavam colocados vários baldes para recolher a água que pingava do tecto. Qual prestigio? O prestigio de um país é definido em primeiro lugar pelo bem-estar dos seus cidadãos e não por obras megalómanas que em muitos casos hipotecam a qualidade de vida diária do povo... Para falar de uma maneira pouco respeitosa : prestigio, my ass...
De muziektempel - a Casa da Música in Porto - heeft finaal bijna 80 miljoen euro meer gekost dan gepland. Terzelfdertijd ook denkend aan enkele nieuwe, nutteloze voetbalstadia: het prestige van een land wordt volgens mij meer bepaald door het welzijn van de burgers dan door megalomane constructies...