quinta-feira, outubro 23, 2008

Não podemos nascer doutor?

Quando ouvi falar pela primeira vez das novas oportunidades (para obter um diploma) achei uma boa iniciativa : oferecer às pessoas que não o puderam fazer durante a sua juventude, a oportunidade de finalizarem o seu curso seja do ensino básico, secundário ou superior. Uma primeira grande surpresa foi para mim o facto de que -segundo parece - algumas empresas começam a seleccionar os candidatos para uma vaga com uma pergunta deste género: "as habilitações que apresenta, foram obtidas no seu percurso escolar normal ou são fruto do programa das novas oportunidades ? " Parece que várias entidades patronais demonstram uma nítida preferência pelo sistema clássico, alegando que o referido programa facilita demasiadamente, pois existiria a intenção oficiosa de "regalar" um diploma a cada um afim de melhorar as estatísticas do país. Bem, bem. Depois fui confrontado com as queixas amargas de alguns possuidores de diplomas "normais": "estudei dia após dia durante tantos anos , os meus pais fizeram grandes sacrifícios para me permitir tirar o curso, à noite trabalhei como um louco para pagar os livros e agora... qualquer malandro obtém um diploma fazendo alguns cursitos à noite ou entregando um trabalhito qualquer : é profundamente injusto...
A um estrangeiro desconhecedor de todos os elementos que interferem neste assunto não compete ter uma opinião neste caso. Todavia, se for verdadeiramente a vontade do governo aumentar o numero de diplomados em Portugal, tenho um remédio simples, talvez um pouco psicadélico:
a. um Decreto-Lei define que todos os bebés recebam no seu dia de nascimento o título de "doutor" ou "engenheiro"e a cada um deles será entregue um livrete com 10 pontos-valores
b. Durante a sua vida o cidadão "doutor" ou "engenheiro" será fiscalizado e pode perder os pontos que constam do livrete referido no caso de fazer os seguintes asneiras :
1º escrever Lizboa com um "Z" e baca com um "B"
2º situar a ilha da Madeira em frente de Peniche.
3º afirmar que Fernando Pessoa é o pseudónimo do ciclista Ricardo Reis que ganhou a Volta à França .
4º achar que Sócrates é um filósofo grego que sobreviveu até ao dia de hoje
5º cantar a Internacional como sendo o Hino de Portugal
6º pensar que Fernão Magalhães é um inventor de brinquedos informáticos para crianças
7º ter a convicção que o Mirandês é a língua oficial da Espanha
8º julgar que o colesterol é um aperitivo exótico com pouco álcool
9º estimar que a arte rupestre é o jeito de lavar roupa à maneira campestre
10º confundir os deputados no Parlamento com alguns imputados no Barlavento
Em todos estes casos as autoridades serão implacáveis e degradarão os indivíduos em causa.
c. Considerando que somos todos iguais, especialmente na hora da Despedida, será concedida uma amnistia culturo-intelectual a todos os moribundos, de tal maneira que morreremos exactamente como nascemos , "doutor" ou "engenheiro". Viva a igualdade total!
Thans is hier een systeem in voege, genaamd "nieuwe opportuniteiten", dat aan mensen, die daar in hun jeugd niet in slaagden, toelaat op alternatieve wijze een diploma te behalen (zij het lager, middelbaar of hoger onderwijs). Sommige kritikeren dit systeem met de bewering dat het te gemakkelijk is en dat het alleen de bedoeling is om de statistieken van het land wat op te fleuren.

quinta-feira, outubro 16, 2008

Quando a Igreja ainda salvava os banqueiros do Inferno...

Na altura do 2º concilio de Macon nos anos 600, a Igreja proibiu aos padres de ter cães em casa. O motivo era que o cão é um animal muito libidinoso que podia dar aos religiosos “ideias” incompatíveis com o celibato. De facto quem olha na rua para estes bandos de carnívoros depravados que andam, sem vergonha, em grupos à volta das cadelas com cio, com a língua – e não só – de fora, conclui imediatamente que a preocupação principal daqueles animais consiste em – além de comer – fornicar o mais frequentemente possível. Assim não é difícil de entender a medida referida por parte da Nossa Santa Mãe, a Igreja Católica.
Outros documentos antigos contam que a um certo momento as-damas-da-vida-fácil foram obrigadas pela mesma Instituição a vestir roupa interior de cor amarela. Isto também tinha alguma lógica preventiva: naquela situação delicada, o “apaixonado” podia ver imediatamente que a donzela-dos-seus-sonhos-dum-momento era de facto uma profissional e que neste contexto era talvez mais do que indicado recorrer a um destes pequenos-estojos-de-forma-anatómica feitos em intestino-de-borrego (os preservativos de então) para se proteger contra comichões prolongadas.
Tudo isso nos leva a pensar que a Igreja tinha também a intenção de proteger alguém ou alguma coisa, quando durante muito tempo negou aos católicos o direito de ser banqueiro ou - em outras palavras - de viver dos lucros ganhos pelo empréstimo de dinheiro a outros seres humanos necessitados : neste caso, era de certeza a alma dos banqueiros, porque se trata duma actividade radicalmente oposta à prática do amor do próximo, um pecado que dá automaticamente direito à queima eterna no Inferno.
Onze Moeder de H.Kerk legde eertijds de pastoors een hondenverbod op, verplichtte de hoertjes om geel ondergoed te dragen en ontzegde aan katholieken het recht om bankier te zijn. Dit laatste voor het zieleheil van de kandidaat-bankiers.

terça-feira, outubro 14, 2008

Ranking de Universidades

O Diário "As Beiras" publicou ontem um artigo sobre a classificação da Universidade de Coimbra no World University Ranking, com um título principal ligeiramente enganador, a saber: "Coimbra continua a ser a melhor". A realidade no entanto é que, a Universidade de Coimbra desce de novo no Ranking Mundial para o 387º lugar e para o 6º a nível ibérico. Esta classificação pode ser vista no "top 200" do site http://www.timeshighereducation.co.uk/hybrid.asp?typeCode=243&pubCode=1 .
A impressão que tenho é que este ranking não é muito diferente da também famosa lista elaborada pela Universidade de Xangai. Uma classificação deste género vale mais do que uma mera explicação para o consumo local e merece uma análise mais aprofundada. Assim constatei com contentamento - provavelmente motivado por algum chauvinismo latente da minha parte - a excelente prestação das Universidades Neerlandófonas. De facto, nas primeiras 200 classificadas encontramos nem mais nem menos, do que 14 institutos de expressão neerlandesa ( dos Países Baixos e da parte Flamenga da Bélgica, ou seja um universo linguístico com apenas 22 milhões de praticantes). Comparada com a Francofonía (8 classificadas), o mundo Hispânico (3 classificadas) ou a Lusofonia (só representada pela Universidade de São Paulo) é caso de um resultado extraordinário. Neste contexto, seria injusto omitir os êxitos também notáveis de alguns outros pequenos países como a Dinamarca, a Suíça, a Suécia ou Israel. Uma coisa esta fora de discussão: a qualidade do ensino universitário não está minimamente relacionada com importância numérica de uma ou outra zona linguística. Não disponho de autoridade nenhuma para interpretar estes dados, todavia tenho as minhas opiniões como cidadão. Sendo assim, não creio que a pletora de "universidadezinhas" em Portugal - que crescem como cogumelos por todo lado -, seja propicia ao incremento do nível do ensino superior; não só porque não cria quaisquer estímulos de competitividade intelectual como também desvia meios financeiros do objectivo principal que deveria continuar a ser em exclusivo as universidades "a sério". Além disso estou convencido que deveríamos mudar um pouco de mentalidade: fanfarronar menos sobre Grandeza, Prestigio e Mundos, e dedicar-nos mais ao trabalho assíduo, exigente e silencioso. Há bastantes cientistas que funcionam nestes moldes em Portugal, mas estes - excepto em alguns esplêndidos programas da RTP2 - têm raramente a oportunidade de aproximar-se dos microfones...
Het is toch merkwaardig dat in de World University Ranking bij de top-200 veertien (14) nederlandstalige ( Nl+Be) universiteiten zijn, meer dan frans-, spaans-, en portugeestalige samen. Er is dus zeker geen verband tussen het aantal sprekers van een taal en de kwaliteit van het hoger onderwijs in diezelfde taal.

quinta-feira, outubro 09, 2008

Casamentos gays: por favor, não discriminar os heterossexuais….


Em Portugal o casamento dos homossexuais é – além da crise financeira global e do desemprego galopante – um problema político da actualidade. Compreendo perfeitamente que estes cidadãos querem também poder oficializar as suas relações. Todavia admito que me confunde um pouco constatar que há sempre mais casais heterossexuais que desistem do casamento para reclamar direitos numa situação de convivência em comum não-oficializada enquanto no mundo dos gays e das lésbicas a luta é na direcção contrária. Os dois movimentos opostos do mesmo pêndulo?
Não me parece bem entrar demasiadamente no assunto, se não poderíamos chegar a reflexões incómodas. Explico-me com um exemplo: dois heterossexuais do mesmo sexo poderão casar-se, admitindo que não nutrem qualquer atracção sexual o um pelo o outro? Imaginamos dois viúvos que querem viver juntos por motivos práticos: para poupar dinheiro (água, electricidade, renda, etc.) e porque um não gosta de cozinhar e o outro detesta lavar a roupa. Querem oficializar administrativamente a sua relação não sentimental: será permitido ou devem dar mesmo uma prova do S.P.A.C.? Na história há inúmeros casos conhecidos de situações contrárias: homossexuais que entraram num matrimónio heterossexual, bem conscientes da sua condição. Então, neste contexto não seria discriminatório definir o casamento entre pessoas do mesmo sexo como um privilégio reservado às comunidades gays e lésbicas…Confuso, não?
In Portugal staat het homo-huwelijk in de politieke aktualiteit. Een nadenkertje: zullen heterosexuelen van hetzelfde geslacht die samenwonen ook mogen huwen, bv om administratieve of budgettaire redenen?

sexta-feira, outubro 03, 2008

Sofro de banco-nojo incurável...

Nesta época de crise no mundo dos bancos, revoltam-me algumas declarações de dirigentes de bancos ou outras instituições financeiras na TV e nos meios de comunicação social.
Estes Senhores – com uma cara passada a ferro – vêm dizer que os cidadãos são uns estúpidos, culpados pela sua própria desgraça, porque recorrem a crédito para viagens exóticas acima dos seus meios, para carros com cilindradas demasiadamente altas e para casas excessivamente luxuosas. Talvez tenham razão e o freguês pouco inteligente pouparia de facto muito dinheiro continuando a viver na sua barraca, passando ferias no quintal e deslocando-se em bicicleta. Todavia o que é extremamente hipócrita é que as referidas instituições gastam milhões de euros em publicidade para seduzir o Zé Povo a endividar-se e a contrair aqueles empréstimos asfixiantes. Para esta finalidade não hesitam em contratar vedetas do mundo do desporto e do pequeno ecrã e oferecer a torto e direito prendas e brindes. A publicidade para produtos financeiras é na realidade tão amoral como para cigarros ou álcool e nesta lógica deveria ser proibida: também empurra milhares de famílias para o abismo sem suportar qualquer tipo de responsabilidade; pior ainda, quando o sistema está em crise os cidadãos são convidados através de diversas construções elaboradas por políticos coniventes a contribuir para tapar os buracos dos senhores banqueiros. Em palavras simples e directas: os cidadãos, através dos seus impostos, dão dinheiro aos mesmos que lhes estão a vender credito. O verdadeiro ovo de Colombo!
Não tenham muito pena: quando uma alta patente do banco se demite (ou se for demitido) não se afunda na miséria, nem deve ir ao fundo do desemprego: aterra confortavelmente com um pára-quedas em ouro que nunca vale menos de 1, 2 ou 3 milhões de euros: outra situação socialmente e humanamente indefensável...
Op TV komen de bankiers thans verklaren dat de gewone man een dommerik is die teveel leningen aangaat maar al de andere kant spenderen ze miljoenen aan publiciteit juist om de burger aan te zetten tot lenen. Dergelijke pub zou moeten verboden worden, net als die voor alcohol en sigaretten.

sexta-feira, setembro 26, 2008

TAP: para ser ainda um bocadinho melhor...

Um destes dias tive de deslocar-me a Bruxelas. Optei pela TAP uma vez que as outras companhias estavam cheias, muito caras ou a horários humanamente inaceitáveis. Honestamente um alivio após tantos anos de "low cost". Todos os meus órgãos e músculos agradeceram : os joelhos porque podiam se desdobrar de vez em quando, o estômago porque viu entrar um petisco quente e apetitoso no lugar destas sandes-algodão compradas a preço de ouro e os meus nervos porque não tive de lutar para obter um lugar vantajoso ou para arrumar a minha bagagem. Parabéns. Neste contexto, não devem interpretar a minha mensagem como uma critica mas sim como uma ideia construtiva para melhorar ainda o serviço e ganhar uns clientes extra. Nos aviões temos o costume de ouvir os tradicionais anúncios (sobre a segurança, sobre o percurso, sobre as vendas a bordo,..) em Inglês e na língua oficial da companhia : neste caso concreto o Português. Mas neste voo TAP604 todas as comunicações foram também feitas em Francês, sem duvida uma cortesia na direcção dos clientes oriundos do pais de destino, a Bélgica (o que também acontece em voos para a Alemanha, França, etc.). Todavia existe um pequeno pormenor : a língua oficial da maioria da população Belga é o Neerlandês e no voo referido era bem visível que grande parte dos clientes belgas a bordo eram efectivamente Flamengos. Ninguém tem duvidas que nesta situação a TAP peca por "ignorância" e não por maldade, mas seria uma pequena atenção muito apreciada se pudesse também recorrer ao Neerlandês em aviões com destino Bruxelas. Para isso podem utilizar gravações ou mesmo ler directamente um texto pre-escrito : a pronuncia do francês que ouvi no voo TAP604 também estava longe da perfeição...
E pois podem lançar este slogan : a TAP onde também os Flamengos se sentem en casa.
Op de vluchten van en naar Brussel worden door de Portugese luchtvaartmaatschappij meededelingen gedaan in Engels, Portugees en Frans. Dit laatste dan als attentie voor de Belgische klanten. Het zou een extra toetje zijn voor de Vlaamse reizigers zo ook de taal der grootste bevolkingsgroep in Belgie gebruikt werd. TAP waar ook Vlamingen zich thuisvoelen.

quinta-feira, setembro 25, 2008

Comida anti-portuguesa ...

Passei uma noite em Lisboa e tentei obter na recepção do hotel uma dica para um restaurante bom nos arredores. A ajuda não podia ser mais eficaz: entregaram-me imediatamente um cartão de visita dum estabelecimento na Avenida Garcia Elias, repetindo efusivamente que era "a cozinha tipicamente portuguesa e além disso que não era muito caro". Por norma - ou será por ingenuidade? - confio nos conselhos dos moradores dum sitio e fui jantar no restaurante sugerido. Ai mama mia, que ratoeira para turistas... Sobre o ambiente não há nada a dizer : bastante requintado (paredes ornamentadas com diversas colecções de azulejos, moedas, bandeiras, etc.), pessoal ultra-charmoso e brincalhão e uma ementa sedutora. Pedimos um vinho branco fresco e - se calhar devido à nossa aparência lusófona- o empregado veio nos sussurrar ao ouvido que para nos era 2 euro mais barato do que estava marcado na lista. Estranho,não? Escolhemos 2 pratos típicos portugueses : polvo à lagareiro e carne de porco alentejana. O polvo que de facto era um único tentáculo dum polvito qualquer, era servido com 6 batatinhas a murro, um pouco de couve e um punhado de uvas brancas. O outro prato era composto por algumas poucas batatas, uns 8 pedacinhos de carne ultra-dura ( dos quais metade incomestível porque só nervos e tendões), couve, arroz , uma rodela de laranja e outro punhado de uvas. De coentro nem vestígios. Como a fome nos ainda apertava, o meu companheiro pediu uma dose de Queijo da Serra, que veio de forma impecável, mas mal acompanhado por bolachas moles e doces; eu optei para uma "especialidade da casa", um "biquíni", na realidade uma coisa infecta baseada em natas misturadas com alguns pedaços de fruta já fora do prazo e -adivinhou - também as indispensáveis uvas brancas). Todos os esforços dos empregados - visivelmente treinados para o efeito- para atenuar a nossa decepção com a oferta dum mini-mini-copo de ginja foram em vão : nunca mais ! Só me preocupam os muitos turistas que andavam la. De certeza nunca mais voltarão, mas devem ter uma ideia bastante negativa sobre a gastronomia portuguesa. Lamento a existência deste tipo de combinações enganadoras entre hotéis e restaurantes que contrariam toda a publicidade feita para a boa cozinha portuguesa. E a final : era barato? Nem por isso, para a qualidade e quantidade oferecida, bastante caro...
Soms bestaan er in Lissabon (maar wellicht overal ter wereld) afspraken tussen hotels en restaurants om de niets vermoedende toerist naar bepaalde "typische" eetgelegenheden te lokken waar hij dan meer met folklore dan met lekker eten gekonfronteerd wordt.

quarta-feira, setembro 17, 2008

A inexplicável atracção do café menos higiénico da Bélgica

Na pacata aldeia de Hansbeke – Flandres Oriental visitámos o café provavelmente mais sujo da Bélgica. Mas exactamente por isso é também um dos mais atraentes. O café chama-se De Reisduif (o Pombo-Correio) e é gerido por Léon um sexagenário valente e antigo columbófilo. O Léon soube transformar características que normalmente só causam repugnância e desgosto em pólos de atracção. O estabelecimento onde o Léon governa sem contestação encontra-se num estado lastimável: degradado, podre e sujo,
O caminho de acesso laminoso é só utilizável graças aos milhares de caricas aí depositadas ao longo dos anos. O pátio está repleto de velhas garrafas, cadeiras plásticas cobertos de musgo e tendas em desequilíbrio. Dezenas de pombos dormitam no telhado, só interrompendo ocasionalmente esta nobre actividade para defecar “ad libitum”. No interior notámos papel de parede sem cor definida a cair, um mini-balcão ruído pelos vermes e um fogão vetusto a carvão mineral. Porque não há copos, Léon só serve bebidas de garrafa que – como também não tem frigorifico – saem directamente da grade. Inserindo uma moeda num juke-box da época, pode ouvir musica pimba dos anos ´70. Entre os clientes – jovens e velhos – reina a boa disposição: uma mini-sociedade sem classes, unida pelo lixo. Depois de beber uma ou duas cervejas e de escutar as sempiternamente mesmas piadas do Léon, cada um volta à sua vida: uns com bicicleta, outros com Mercedes ou BMW…Em Portugal a ciclópica ASAE toparia imediatamente o “De Reisduif”, mas creio que na Flandres fecham os olhos, considerando que – mesmo que os biliões de micróbios, bactérias e fungos que abundam mo negocio do Léon não sejam o ideal para a nossa saúde – alguns momentos passados na companhia do velho columbófilo são excelentes para o nosso bem-estar psíquico. E quem sabe: permanecer uma meia hora circundado por tantos agentes patogénicos pode ter algum valor preventivo, um tipo de vacina múltipla; imagine-se só um momento que os clientes de Léon se tornem mais resistentes às tão temidas infecções hospitalares…
Em todo este contexto, não é nada de estranhar que a intervenção cirúrgica à qual Léon foi submetido há alguns meses, obteve um lugar importante no noticiário da TV flamenga: de facto, o património cultural é um assunto para todos.
Tijdens het vorig weekend bezochten we het legendarische café De Reisduif, waar een herboren Léon de plak zwaait.

terça-feira, setembro 16, 2008

Discriminação da maioria Flamenga na Bélgica (1)


As Finanças belgas tratam de maneira injusta e discriminatória os contribuintes flamengos. A esta conclusão chega o ex-ministro do Orçamento, Johan Vande Lanotte (Partido Socialista)com base nos seguintes numeros.
Na Flandres a percentagem dos contribuintes que não pagaram os seus impostos no último ano e que ainda não foram incomodados pelos serviços competentes do Estado oscila entre os 6,5% (Antuérpia) e 11,6% (Louvania); na parte francófona do pais, a situação é bastante diferente: entre 26% (Namur) e 46,6% (Charleroi) dos contribuintes em falta ainda não foram intimidados pelo fisco.
Autorizando estas diferenças intoleráveis, o Estado belga patrocina outra vez uma transferência injustificável de dinheiros da Flandres para a Valonia.
Qousque tandem, Bélgica,abutere patientia nostra?
Wie binnen zijn belastingen niet betaalt wordt vooral in Vlaanderen daar binnen het jaar voor lastig gevallen door de fiskus. In Wallonie is dat veel minder. Weer wat discriminatie...

segunda-feira, setembro 08, 2008

Temos a prova: não é preciso limpar….

Na nossa povoação organizou-se há umas 3 semanas uma festa tradicional em honra do Santo António. Bem, bem tradicional, no sentido de fluxos imparáveis de música pimba e muito barulho nocturno. Parece que quanto mais são os decibéis, melhor será a qualidade do divertimento popular.
A Junta da Freguesia que se empenhou tanto na construção dum enorme bunker “bar-de-apoio”, não cumpriu a sua promessa de instalar casas de banho, de tal modo que a tradição respeitável da defecação campestre foi entusiasticamente mantida.
Enquanto os preparativos do evento demoraram varias semanas, a sua finalização foi muito mais rápida, não sobrando qualquer tempo para limpar o papel, plástico, latas e outras porcarias abandonados no sitio.
No final isso não foi necessário: alguns cães vadios, centenas de moscas , um par de aguaceiros e um vento forte resolveram o problema. Hoje tirei umas fotografias e podem ver a veracidade das minhas afirmações: os excrementos diluíram-se, o lixo espalhou-se: dentro de 3-4 meses esta terra estará limpinha como antes. Viva a natureza…
In ons dorp organiseert men feesten, maar nadien vertikt men het de boel nadien op te ruimen. De natuur doet het dan maar zelf : wind en regen met de hulp van vliegen en loslopende honden...

De Gordel, a Cintura Sagrada que circunda Bruxelas….


Ninguém tem dúvidas sobre a origem flamenga de Bruxelas.
Todavia aquela cidade, da qual o nome significa (casa no pântano = broek-seele), foi submetida a uma “francofonização” sistemática por parte do Estado belga unitário, de tal maneira que os Flamengos actualmente só formam uma minoria na capital do reino belga (talvez 10% dos citadinos). Deve ser um facto único no mundo que uma grande maioria (60%) da população que produz 70% do PIB do seu país, deve chamar à capital uma cidade onde dificilmente pode ser entendida na sua própria língua.
Assim, Bruxelas constitui hoje em dia uma ilha multilinguística (mas prepronderantemente francófona), circundada por território flamengo. Nos últimos 50 anos, muitos francófonos mudaram para a circunferência flamenga de Bruxelas, uma zona evidentemente mais rural e mais verde do que a capital, recusando desde o inicio adaptar-se à cultura existente. São basicamente motivados pela mesma arrogância cultural que incitou Charles Maurras nos anos ’30 a chamar o Português “um dialecto” em comparação com a nobre língua francesa. Na Flandres todos os imigrantes – Turcos, Russos, Italianos, Polacos ou Portugueses – adaptam-se à realidade administrativa e cultural da Terra onde foram acolhidos, os francófonos não. Utilizam sempre o mesmo estratagema: juntam-se, isolam-se, criam partidos e tentam tomar o poder politico nas aldeias onde lhes apetece e depois… começam a reclamar privilégios linguísticos para finalmente exigir o recorte daquele município do mapa da Flandres. É como se no concelho de Albufeira ou Loulé houvesse uma maioria de residentes Espanhóis (ou Ingleses) que após ter ganho as eleições contra a população autóctone, começasse a recusar a aplicação da legislação sobre o uso do Português na administração e no ensino e exigir a integração daquele município na Espanha (ou no Reino Unido).
Para deixar bem claro que nunca vão abdicar dos seus direitos sobre aquelas vilas e aldeias da Cintura de Bruxelas, a comunidade flamenga organiza cada ano uma volta a Bruxelas em bicicleta para cicloturistas. Uma manifestação desportiva, lúdica e pacífica que conta em média com uma participação de 50 a 80.000 pessoas.
Foi ontem e – mais intolerantes do que nunca – os francófonos tentaram boicotar a manifestação arrancando postos de sinalização e semeando pioneses nas estradas.
De facto queriam impossibilitar que os Flamengos passeassem nas terras que há 1500 anos lhes pertencem e que foram imortalizadas nas pinturas de dezenas de mestres entre os quais os 3 Breughel são certamente os mais conhecidos.
De Gordel - een fietsmanifestatie rond Brussel - is een duidelijk signaal dat aantoont dat de Vlamingen niet van plan zijn deze oer-Vlaamse dorpen los te laten.

segunda-feira, setembro 01, 2008

Há ainda bom gosto: por exemplo em Alfafar…(2)


Alfafar é uma povoação que pertence à freguesia de Podentes. Tem fama, não só pelos vinhos aí produzidos (Terra de Sicó), mas também pelas festas, mesmo que a vizinhança imediata do IP3 constitua um factor complicador para aquela actividade . Os Alfafarenses demonstraram este fim-de-semana mais uma vez o seu bom gosto e a sua paixão pela tradição. Quando noutras povoações de Podentes – com muito menos habitantes – julgam necessário construir mastodontes em blocos de cimento para albergar as grades de cerveja, os tremoços e as fogaças, os de Alfafar honraram os velhos costumes usando para o efeito construções desmontáveis, tradicionais e de boa estética popular. Pavilhões simples ornamentados com ramos verdes naturais e um quiosque artesanal elegante à imagem da simplicidade e autenticidade das populações do interior de Portugal, são estas as coisas que aprecia o freguês e que procura o turista. O resto só serve para envilecer o país e originar um encolher de ombros por tanta mediocridade.
In het dorpje Alafafar bouwt men feestjes zonder het milieu geweld aan te doen en de oude tradities in ere houdend...

Há ainda bom gosto: por exemplo em Góis…(1)

Sempre gostei muito de Góis: parecia-me sempre um sítio relativamente bem preservado do modernismo banal e vulgarizador, tanto apreciado por grande parte dos nossos autarcas. No último Domingo passei uma tarde na Praia do Cerejal, uma praia fluvial situada à beira do rio Ceira – a escassos metros do centro da vila - e só posso confirmar a minha convicção anterior por meio de elogios. De facto, aquela praia situada ao lado duma magnífica ponte manuelina, dispõe das comodidades necessárias para satisfazer o turista: areia fina, águas cristalinas cheias de peixes, bons e eficazes serviços de apoio, bares e esplanadas feitos de madeira... Aqui não há lugar para palmeiras exógenas, música ensurdecedora ou fontainhas luminosas … Para aconselhar…
Het stadje Góis heeft - met goede smaak - een strandje ingericht aan de oevers van de rivier Ceira.

sexta-feira, agosto 29, 2008

Um Património vivo desprezado em Portugal

No nosso país temos 4 raças próprias de pombos ornamentais. Ao contrário do que se passa em outros países onde todas as raças de animais domésticos autóctones são apreciadas, preservadas e apoiadas, mesmo que pertençam a espécies sem grande utilidade económica directa, em Portugal estas aves estão em via de desaparecimento. Não usufruem de nenhum incentivo oficial, não merecem qualquer interesse dos meios de comunicação social, são ignoradas pela opinião pública: o abandono total. No entanto, os referidos pombos fazem parte do património vivo deste país na mesma medida como o Burro de Miranda, o Porco Bisaro ou o Cão da Serra da Estrela. As origens do Mariola (2) (e obviamente também da sua forma anã, o Mariolinha (1)) recuam à época dos descobrimentos e deste modo deveriam ter um grande valor sentimental para cada Português: a triste realidade é que existe apenas um par de criadores em território nacional. O Criador Lusitano (4) é um pombo robusto e rústico que além de ser bonito podia ter interesse como produtor de carne para um sector onde estamos sempre à procura de produtos endógenos, todavia esta ave também se tornou raríssima. E finalmente temos o mais pequeno de todos, o cambalhota Português (3), capaz de fazer acrobacias ousadas no ar: uma raça muito apreciada no estrangeiro, tanto na Alemanha como nos EUA.
Honrar o passado é um orgulho para o presente, e neste domínio Portugal falha estrondosamente, claro exceptuando esta mão cheia de criadores nacionais corajosos e perseverantes.
Deze vier inheemse duivenrassen kunnen op weinig appreciatie rekenen in Portugal. Nochtans maken ze deel uit van het levend patrimonium.

segunda-feira, agosto 25, 2008

Apologia dum estilo : o da sobriedade e da contençao..

No momento de se demitir da liderança do PSD após um consulado bastante caótico, o Dr. Luís Filipe Menezes prometeu que nunca iria ser um guerrilheiro contra a nova direcção, nos moldes como lhe trataram "os outros vilões" do partido. Na realidade, não aguentou durante muito tempo : em plena época de férias, publicou no JN um artigo de opinião com fortes criticas a Manuela Ferreira Leite. No que diz respeito ao silencio da Dra. Ferreira Leite, creio que ela tem razão em não gastar saliva proferindo mensagens num momento em que a maioria dos Portuguesas está antes de tudo preocupada com a posição do seu chapéu de sol. Além disso, o velho proverbio "a palavra vale prata, mas o silêncio vale ouro" continua válido, pois Portugal já tem um numero suficiente de políticos que sofrem de verborreia crónica. Ou - ainda pior - que contradizem após alguns dias as suas próprias declarações, como era incontestavelmente a especialidade do Dr. Menezes.
Ao contrario do autarca de Gaia, acho que é muito positivo que o PSD tenha agora alguém nas lides que não precisa- como o oráculo de Delfos - "snifar" o fumo da sardinha assada para entrar em transe politico, nem necessita de participar em feijoadas colectivas para poder p--dar em sintonia com a plebe politica, não, creio que para a Dr. Ferreira Leite chegam o saber, as ideias, a experiência e a convicção para confrontar o eleitorado. Pois este decide se concorda ou não, de preferência com o cérebro e não com o estômago.
É estranho, mas sempre tive um fraco por políticos magros e secos como o Cavaco Silva, o Bagão Felix ou o Carlos Carvalhas . Será que o meu subconsciente ingénuo imagina que esta gente nunca come para se dedicar unicamente e a tempo inteiro ao bem-estar da pátria ?
E já agora, como estamos na hora das confissões, abordamos a castidade, não a verbal de LFM, mas a geral: sofro de alguma aberração por gostar mais na politica de senhoras com um aspecto casto e intocável como Margareth Thatcher, Angela Merkel ou Elisabete 1ª de Inglaterra do que de “babes” como Iulia Timochenko ou Cristina Kirchner? Admito, para mim, a ideia duma primeira dama sensual - talvez em biquíni -ao leme do Estado, é difícil de enfrentar : para esta actividade prefiro as de ferro do que as de carne e osso.
O meu diagnostico deve ser o mesmo do que o de LFM : Provavelmente existimos, logo pensamos que conseguimos pensar...
De nieuwe voorzitster van de 2de grootste Portugese partij ,de PSD is Mw. Manuela Ferreira Leite. Ze houdt er een sobre stijl op na, die haar voorganger niet apprecieert.

segunda-feira, agosto 18, 2008

Discriminação dos estudantes em Coimbra

Na Alta de Coimbra não é sempre fácil estacionar, porque as ruas estreitas da velha cidade não foram pensadas para o trânsito moderno. Assim foi necessário criar regras para regular o estacionamento e é mais do que evidente que foram atribuídas condições de prioridade aos residentes das zonas problemáticas. O que é menos evidente é que os estudantes que vivem em Coimbra, que estão inscritos na Universidade e que podem apresentar um contracto de aluguer dum quarto, não são considerados residentes da cidade, mesmo se passam aí 4-5 anos da sua vida e mesmo se eles e os seus pais contribuem monetariamente durante todo este tempo para o bem-estar económico da Lusatenas. A regra inflexível e – permita-me – perfeitamente ridícula exige que o estudante faça mudar o seu local de residência no seu B.I. e também o seu recenseamento como eleitor. Uma atitude no mínimo discriminatória e pouco “student friendly” da parte de Coimbra, a cidade estudantil por excelência.
In Coimbra - Universiteitsstad bij uitstek -worden de studenten beboet wanneer ze parkeren voor het gebouw waarin ze wonen. Zelfs wanneer ze een officieel huurcontract hebben, baat het niets. Ze moeten hun identiteiskaart wijzigen of...betalen.

Empreendedorismo individual à beira da estrada,sem apoios.

Se nos bosques da zona Centro anda sempre menos caça, isso todavia não impede que continue a existir, especialmente naquelas zonas verdes situadas à beira da estrada, um vaivém bastante intenso,
Não é difícil entender que as atenções dos “caçadores” que aí proliferam não vão propriamente dito para os javalis ou coelhos e que as armas aí apresentadas não funcionam à base de pólvora. Enquanto os caçadores “clássicos” gostam de alguma ostentação machista (roupa de camuflagem, botas tipo paracomando, boné estilo guerra colonial, óculos Rambo e quase sempre em companhia de alguns cães feios e barulhentos), estes outros amantes da natureza são muito mais discretos. No trânsito têm um comportamento bastante esquisito: seguem normalmente a fila e de repente, sem reduzir a velocidade ou sem dar sinal de pisca, desaparecem bruscamente num caminho de terra batida; outros ainda diminuem subitamente a sua velocidade até a uns 10 km/hora fixando de maneira obcecada a berma da estrada e dando aos outros condutores toda a liberdade para os ultrapassar.
Quem são?: são jovens no início da carreira carnal, são velhos buscando uma reanimação assistida, são solteiros fartos do manual, são pais de família saturados dos 100 kg da Mamã, são padres incógnitos à procura de cruzes menos religiosas…
A causa de toda esta irrequietude masculina não necessita de explicações, são as p.titas instaladas nesta franja fronteiriça entre o asfalto e a natureza. De longe parecem extremamente jovens, extremamente louras, extremamente bronzeadas ou então têm o aspecto destas gazelas extremamente esbeltas vindas directamente da savana africana.
Todavia a minha visão defeituosa (os meus óculos exigem sempre mais dioptrias) suspeita que andam aí também alguns elementos mais enrugados, menos frescos.
Cheguei à parte séria do meu exposto: de qualquer maneira, estas meninas – que frequentemente apenas acabaram de sair da adolescência – são também as filhas de alguém e devem ter direito a algum tipo de apoio. Se fosse autarca teria vergonha de saber que havia raparigas da minha terra – o da terra vizinha – obrigadas a prostituir-se, por qualquer motivo que seja. Será totalmente impossível acompanhar estas miúdas por equipas ambulantes de psicólogos, médicos ou assistentes sociais? Estou falando evidentemente dum acompanhamento activo no terreno e não duma assistência virtual submetida à lógica da burocracia…
Zou het niet goed zijn dat de hoertjes, vaak heel jonge meisjes, die aan de boord van de weg de "bos-prostitutie" beoefenen- op wat medische en sociale steun zouden kunnen rekenen?

quinta-feira, agosto 14, 2008

A grande notícia : a crise “mata” comércio tradicional!

Esta era a grande notícia sobre Coimbra, na primeira página do Diário as Beiras de hoje, uma verdadeira revelação. Mas o jornalista também detecta, além da crise, outras possíveis causas deste desastre anunciado, nomeadamente os 3 grandes centros comerciais que existem naquela cidade relativamente pobre e sem grande indústria. É mais do que evidente que esta é a análise correcta e assim chegamos aos políticos que autorizaram a implantação de todos estes mastodontes. De facto são eles que têm culpa directa no descalabro do comércio no centro da cidade e que desta maneira têm a responsabilidade da degradação da Baixa. Enquanto em Portugal se continua a crer que um centro comercial é uma demonstração gigantesca de progresso e enquanto se acha que os estrangeiros são estupefactos por tanta modernidade (temos o melhor centro comercial da Europa, haha) não há nada a fazer, as zonas mais requintadas das nossas cidades vão continuar a “encanalhar-se”. Entretanto os filhos dos pequenos comerciantes podem – se têm sorte – encontrar um emprego nas caixas das grandes superfícies. E à hora do almoço podem comer um hambúrguer do Mac ou uma pizza na Hut. Somos mesmo gajos de vanguarda. Globalização ou fornicação global?
Een lokale krant in Coimbra is (nu pas) tot de bevinding gekomen dat het overaanbod van Supermarkten en Shopping Centers de oorzaak is van het wegkwijnen van de traditionele handel in Coimbra. Beter laat dan nooit...

segunda-feira, agosto 11, 2008

O Urso mandou a factura do Kosovo...

Os ingénuos que pensavam que o Kosovo era um assunto arrumado, já podem começar a mudar de ideias. Jamais o Urso Russo se esquecerá da humilhação à qual foi submetido o seu fiel e secular aliado, a Sérvia. Os princípios sacrossantos utilizados como pretexto para amputar à Sérvia da sua província histórica, o Kosovo, são integralmente aplicáveis aos territórios georgianos da Ossétia do Sul e da Abkházia. Com uma ironia apenas escondida os Russos usam a mesma linguagem que os Americanos e os seus acólitos utilizaram para justificar a suas intervenções nos Balcãs: enviam tropas ”para manter a paz”, fazem uma guerra (ou melhor uma "intervenção") preventiva, zelam para a autodeterminação dos povos, evitam um genocídio, etc. etc. Já está tudo definido: a Geórgia deverá engolir este sapo e perderá as duas regiões em disputa. Não foi muito esperto da parte duma pequena nação como a Geórgia, vizinha dum país gigante, escolher de maneira tão visível o lado da superpotência rival. Os Cubanos podem dizer alguma coisa sobre isso…
Rusland presenteerde de rekening van de zaak Kosovo, iets dat toch iedereen vooraf wist of niet?

terça-feira, agosto 05, 2008

Lazy Jet, Easy Shit…

Há duas semanas necessitava de me deslocar urgentemente a Girona para participar numa reunião importante. Era um imprevisto e assim na 3ª feira às 10 horas da manhã comprei via Internet a uma companhia “low-cost” bem conhecida, um voo Lisboa-Madrid (também comprei a outra companhia para a mesma tarde uma ligação Madrid-Girona e reservei um hotel em Girona). Recebi a confirmação da reserva e viajei imediatamente para Lisboa. Quando às 12h30 procurei o balcão do check-in, disseram-me laconicamente que o voo – que acabei de comprar apenas duas horas antes – tinha sido anulado e que tinha de me apresentar no guichet da companhia. Após ¾ horas de fila, a menina explicou-me friamente que só havia duas soluções: 1º optar pelo próximo voo a realizar-se 2 (dois!) dias mais tarde ou 2º pedir o reembolso do meu dinheiro.
E o voo de conexão perdido e o hotel marcado? A mesma voz congelada comunicou-me “não é da nossa responsabilidade…”
E ainda quando procurei informações sobre eventuais outros voos para o mesmo destino, ouvi murmurar do fundo do frigorífico: “não dispomos de informações sobre outras companhias”.
Conclusão: caro viajante ingénuo, pense duas vezes antes de viajar com companhias “low-cost”; não só pode constar duma experiência deprimente como lhe pode custar muito caro.
Wie zijn vlucht ziet annuleren door een bepaalde maatschappij moet niet op veel clementie rekenen. Trek je plan en draai zelf maar op voor een groot deel van de kosten...

segunda-feira, agosto 04, 2008

A praia do Osso da Baleia: como estragar alegremente a qualidade duma praia

A cidade de Pombal dispõe de uma única praia marítima, a do Osso da Baleia que todavia é uma das melhores da zona centro do país: uma imensa praia de areia fina encostada ao pinhal de Leiria, ainda não submetida à pressão imobiliária omni-destruidora. De facto ideal para pessoas a procura de sossego, calma e beleza natural. Decidimos deslocar-nos diariamente durante as nossas curtas férias de Agosto até este local virtualmente paradisíaco para recuperar dum ano de trabalho duro e cansativo. Assim, na manha do Sábado 2 de Agosto iniciámos o nosso programa chegando àquela “praia prometida”. Instalámo-nos com a nossa panóplia habitual: toalhas, chapéu-de-sol, loções bronzeadoras e bebidas geladas. Finalmente fechámos os olhos e deixámos flutuar a nossa mente na brisa iodada do oceano. Até às 11 horas da manha. Neste preciso momento entraram em acção os altifalantes da “animação de praia” largando um dilúvio de decibéis sobre os tímpanos dos pobres veraneantes: pessoas acordaram bruscamente, crianças começaram a chorar e nós – em companhia de algumas outras famílias – pegámos na nossa tralha e fugimos. Não foi possível verificar, mas segundo o que parece foram ordens emanadas da Câmara para “meter música na praia”.
Será que esta gente nunca ouviu falar “da poluição sonora” sempre condenável ainda mais quando serve para apagar o gritar das gaivotas e o murmuro das ondas?
Não sei se a atribuição da” Bandeira Azul” considera critérios de poluição sonora, mas de certeza deveria…
Een enorm strand, zonder drukte totdat een lawaaierige geluidsinstallatie door het gemeentebestuur aangevraagd om een handbaltornooi op te fleuren, de boel op stelten kwam zetten. Bye bye, rust...

sexta-feira, agosto 01, 2008

E isso que nos falta : as baionetas da Turquia...

Em 1998 o Sr. Recep Tayip Erdogan declarou : "as mesquitas são os nossos quartéis, as cúpulas são os nossos capacetes, os minaretes as nossas baionetas e os crentes os nossos soldados". O Senhor Erdogan não era um simples cidadão exaltado com uma linguagem um pouco fundamentalista, não, nestes tempos era simplesmente o Presidente da Câmara Municipal de Istambul. Actualmente o Sr. Erdogan é o Primeiro-Ministro da Turquia e quer a qualquer preço aderir à Comunidade Europeia. Para poder entrar livremente com todos os seus soldados e todas as suas baionetas?
In 1998 verklaarde de heer Erdogan ondermeer dat de minaretten de bajonetten van de gelovige moslims zijn. Juist...zo iemand hebben we nodig in onze Europese gemeenschap...

quinta-feira, julho 24, 2008

Le roi Óscar est mort, vive la Reine Bonnie...


Há alguns meses faleceu o nosso Óscar. Um laço de amizade de vários anos foi bruscamente cortado.
Deus tenha a sua grande alma porcina, mas a vida continua e agora entrou na nossa órbita a Bonnie. Uma jovem alegre e bem disposta, que além de um cansaço crónico, sofre de uma fome insaciável. A Bonnie nunca foi a Fátima, mas mesmo assim fez uma promessa: a de nunca dar tréguas às toupeiras. Assim com o seu focinho forte e hábil abre buracos na terra abortando todos os projectos destas canalhas subterrâneas para construir túneis e outras catacumbas. Admitimos que por vezes a Bonnie toca - com mais ou menos cuidado - numa flor ou noutra planta decorativa, mas paciência, nem os porcos sabem fazer omeletas sem partir ovos. Seja como for, a Bonnie é um animal politicamente correcto porque é um exemplo do multiculturalismo bem sucedido. De facto, nascida no Alentejo de uma família oriunda da Ásia, ela é toda preta; vive em Portugal, país latino mas só executa (quando lhe apetece) ordens expressas em flamengo, língua germânica. Finalmente, mesmo no plano sexual ela é progressista porque o seu namorado é um cão…
Na het heengaan van Oscar, is Bonnie is ons nieuwe gezelschapsvarken. Een echt multicultureel beest: Vietnamese roots, zwart, geboren in Alentejo-Portugal, (soms) gehoorzamend aan Nederlandstalige bevelen en verliefd op een hond..

quarta-feira, julho 23, 2008

Os bares-de-apoio-às-festas: a solução para o Interior ?


No interior do país há sempre menos maternidades, urgências e escolas.
Tudo isto cheira à desertificação institucionalmente induzida (um pouco como o aborto), mas não é. Muito pelo contrário, existem incentivos e recompensas para os indivíduos que conseguem sobreviver a todas estas desgraças: são as Festas! É a Festa que é o pulmão, o fígado e a bexiga do nosso povo do Interior.
Qualquer Festa-que-se-respeita deve evidentemente dispor dum bar-de-apoio. Este bar-de-apoio serve para arrumar as grades de cerveja (em Portugal invariavelmente Super Bock ou Sagres) e a aparelhagem de som. Por vezes há também um fogão para aquecer o caldo verde
Ninguém tem duvidas que um bar-de-apoio em alvenaria dá mais prestigio à uma aldeia do que uma simples barraca temporária em madeira: exactamente como um crucifixo no cemitério nos lembra que mais tarde vai haver ressurreição, este bar-de-apoio quase sempre fechado recorda-nos que vai haver Festa no Verão.
Além disso, neste período de crise a construção deste tipo de edifícios pode contribuir para reduzir o desemprego. Pode criar postos de trabalho, principalmente na indústria do cimento: se considerarmos – como na minha terra – que necessitamos dum bar-de-apoio para cada 100 habitantes, então Portugal precisa de 100.000 destas construções.
Então supondo que falta ainda construir metade, são no mínimo 30 milhões de blocos de cimento a adquirir e não sei quantos sacos de cimento. Nem falamos de telhas ou azulejos. Depois são ainda necessárias estradas, rotundas etc. para permitir que o cidadão se desloque com alguma celeridade de uma Festa para Outra.
O caminho da modernização do país é por vezes mais fácil do que imaginámos…
Depois se fosse mesmo muito necessário, uma grávida não podia dar à luz aí? Quando o progresso bate à porta, não podemos ser esquisitos…
In Portugal is in het binnenland geen geld voor scholen of materniteiten, wel voor afschuwelijke bouwsels als dit : een cementen bar voor 3 dagen feest per jaar !

segunda-feira, julho 21, 2008

Les Lusophones et leur chien...


Nesta época estão em todo lado. Em geral deslocam-se de Renault ou de Citroen, mas também pode ser de Mercedes. Os homens vestem-se de calções e de camisas com manga-curta e as mulheres de saias floridas. As suas crianças são choramingas como todas as crianças que sofrem do calor e da confusão. Andam em grupinhos de 4-5 pessoas e por vezes têm a companhia de 1 ou 2 estrangeiros que querem aprender “o Portugal profundo”. E pois ouvimos estas conversas alucinantes no supermercado:
" Eh mãe, on va faire une sardinhada ce soir?
Não sei querida, demande à votre pèreil en a envie..
Pai, pai, à noite, on va manger des sardines?
Pode ser, avec de la broa et du vin blanc frais".

O mais complicado é ainda o cão, porque na maior parte dos casos é um francês puro :
"O Ringo, pouramour de Dieu tais-toi. Tais-toi, je te dis.
O pai, este fodelhoco nunca se cala…"
Wanneer de Portugese imigranten uit Frankrijk naar het moederland op vakantie komen, houden ze er in het algemeen van om te demonstreren dat ze de taal van Molière machtig zijn, en...ziet, zelfs de hond verstaat het...

quinta-feira, julho 17, 2008

Na matemática : o milagre aconteceu...


O ministério da Educação conseguiu um milagre esperado há décadas : transformar em apenas 12 meses, a juventude portuguesa - até agora pouco bem sucedida naquela matéria - em "cracks" da matemática. Não são bem todos os jovens, por enquanto só são os alunos do 9º e do 12º ano, nomeadamente os que fizeram as provas nacionais. Tudo isso não tem rigorosamente nada a ver com os exames extremamente fáceis deste ano. Simplesmente - segundo a ministra - são os alunos que trabalharam melhor ( . .. e nos outros anos, ...malandros?) , os professores que trabalharam melhor (...e nos outros anos, ...malandros?) e os melhores apoios ( .. e porque não nos outros anos, ...malandros?). De qualquer maneira, a comunidade cientifica internacional deve estar ansiosa por conhecer os métodos que originaram resultados tão espectaculares.

terça-feira, julho 15, 2008

A Flandres, 706 anos depois : a Bélgica vacila (2)

Hoje a Bélgica está mais perto da desintegração. O estado artificial criado com a ajuda das armas franceses e concebido para ser francófono ("la Belgique sera latine ou ne sera pas") chega ao seu término. Em 1830 uma revolução de opereta acabou com o Reino dos Países-Baixos formado pelos vencedores de Napoleão como uma réplica das históricas 17 Províncias. A seguir começou um século negro para a grande maioria da população, os Flamengos. Foram mais de 100 anos de opressão económico-cultural e de tentativas contínuas para irradiar a sua língua e cultura: dezenas de milhares de Flamengos foram "francofonizados" assim como Bruxelas e diversas aldeias e vilas. A justiça, o exército e o ensino secundário, tudo era obrigatoriamente em Francês. Só em 1930 foi permitido dar aulas em Neerlandês na Universidade de Gent e só em 1967 foi editada a primeira versão flamenga da Constituição belga. Mas entretanto a constelação económica-social da Bélgica tinha mudada. Assim na segunda parte do século XX, a Flandres - o prototipo duma sociedade fortemente influenciada pela democracia cristã - tornou-se numa das regiões mais prosperas da Europa. Ao mesmo tempo, o Sul francófono, vitima de 100 anos ininterruptos de socialismo, afogou-se num marasmo de corrupção, desemprego, excesso de função publica, falência crónica no sistema de saúde e no ensino e "aproveitadorismo" social.
Podemos indicar 2 causas concretas para a crise de hoje :
1º as enormes e incessantes transferências de dinheiro que vão anualmente da Flandres para o Sul, em combinação com a recusa dos francófonos de sanear as suas contas.
2º a rejeição sistemática dos francófonos que se instalam na Flandres de adaptarem-se à língua e cultura daquela região. A Flandres (exactamente como a Valónia) é definida pela Constituição belga como sendo uma zona unilingue.
Existem só 3 soluções duráveis para a Flandres : 1º a manutenção da Bélgica mas sob a forma dum estado confederal onde quase tudo é decido ao nível das regiões. 2º a independência (seria um país pequeno mas bastante rico com um PIB 23% superior à média da Europa). 3º uma fusão gradual com os Países Baixos (a unificação de todos os Neerlandófonos da Europa e em simultâneo um pais economicamente muito forte com 2 dos maiores portos do mar do mundo). Vamos ver e esperar.

sexta-feira, julho 11, 2008

Progresso imparável...(2)















EEm Podentes - Penela foram colocados 2 destes enormes paneis de sinalização a uma distância de apenas 10 metros um do outro, no centro desta pitoresca e pacata freguesia. A informação dada é correcta, todavia a mim parece-me uma violação das normas mais básicas da estética : numa terra que se quer ter uma vocação turística, encostar a estas casas de traço tradiconal português, uma sinalética de estilo auto-estrada em plástico e ferro, era mesmo a opção indicada?
Porque não recorrer a artesãos da região e utilizar uma matéria prima bem endógena, a madeira?
O exemplo alemão aqui representado mostra que é possível ser ao mesmo tempo eficaz e ter bom gosto...

quinta-feira, julho 10, 2008

11 de Julho : a Flandres, 706 anos depois (1).

No 11 de Julho de 1302 um exército preponderantemente composto por populares flamengos e aliados conseguiu derrotar a fina-flor da nobreza francesa num vale pantanoso perto de Kortrijk. Esta batalha denominada “a Batalha dos esporões de ouro” (porque os Flamengos vitoriosos penduraram os esporões de ouro dos cavalheiros franceses no tecto da catedral de Kortrijk) tornou-se um símbolo para a confrontação quase milenar entre a França agressiva, expansionista e a pequena Flandres. Existem bastante semelhanças entre este confronto e a batalha de Aljubarrota uns 50 anos mais tarde: não só porque se trata da recusa armada dum pequeno povo com identidade própria em integrar-se à força num país maior, como o facto de ter ficado na memória colectiva o nome de alguns heróis populares: Portugal tem Brites de Almeida, a Padeira de Aljubarrota e os Flamengos recordam-se de Jan Breydel e Pieter De Koninck, um talhante e um escrivão.
A Flandres começou a sua história como condado em 862, mas 2 séculos antes já era mencionada em documentos da época.
São bem conhecidos os laços entre Portugal e a Flandres medieval.
No início da nacionalidade Portugal forneceu à Flandres uma duquesa (Teresa de Portugal 1183) e um duque (Fernando de Portugal 1211). Durante a reconquista na Peninsula os Flamengos participaram na libertação de Lisboa e um pouco mais tarde ajudaram a povoar os Açores. Todavia os contactos mais proveitosos situavam-se na área do comércio e dos negócios (as feitorias de Bruges e Antuérpia) e nas artes (pintura e tapeçaria artística).
O que talvez pouca gente saiba é que fomos durante uns 60 anos governados pela mesma dinastia, a dos Habsburgos espanhóis, a partir de 1580. Assim podemos dizer – com algum humor desfasado –, que os duques de Flandres (descendentes de Carlos Quinto, nascido em Gent e da sua esposa portuguesa) reinaram em Portugal durante a referida época. As guerras religiosas – em consequência ao surgimento do protestantismo – significaram o declínio da prosperidade nas Flandres e o deslocamento do centro de gravidade das 17 Províncias para o Norte, a actual Holanda.

(texto a continuar muito em breve)

quarta-feira, julho 09, 2008

Progresso imparável...(1)


Ao lado duma pequena mas elegante capela antiga, numa mini-localidade (+/-20 casas dispersadas no campo com ao máximo 80 habitantes) esta a ser construído esta "casa-de-apoio" para as festas ( +/- 2,5 dias por ano). A população apoia a iniciativa. Assim esta tudo em ordem. Talvez podemos dizer que o aspecto arquitectónico desta construção não peca por originalidade e que os blocos de cimento utilizados não são propriamente dito materiais endógenos. Sem discutir sobre a necessidade desta "obra", lamentamos a oportunidade perdida para manifestar algum bom gosto.

segunda-feira, julho 07, 2008

Santa Comba Dão e Budapeste : contrastes...


A autarquia de Santa Comba Dão pretende construir uma casa-museu em memória de Salazar que nasceu naquela terra e que faz irremediavelmente parte da história de Portugal. No parlamento a esquerda portuguesa condenou politicamente a iniciativa. Em Budapeste existe o Szobor Parque onde estão reunidas dezenas de estátuas da época comunista. O referido parque tornou - se em pouco tempo uma atracção turística importante e mostra como o povo húngaro conseguiu lidar de uma maneira inteligente, adulta e digna com o seu passado recente. Ninguém parece recear que a cara de Lenine provoque reacções saudosistas aos visitantes e - mesmo que fosse o caso - a democracia húngara confia suficientemente na sua própria solidez.

quinta-feira, julho 03, 2008

O "menino de ouro" e os outros "meninos" ibéricos

Em Portugal os meninos estão na política: além do “menino guerreiro” do PSD temos agora também o “menino de ouro” do PS. Uma observação de passagem : não será uma atitude um pouco narcísica deixar chamar-se assim “the golden boy"?
No país vizinho os meninos são mais activos no desporto e visivelmente com êxito: assim o”niño” – Fernando Torres – marcou o golo decisivo da selecção espanhola no campeonato europeu 2008. Cada um no seu lugar mas pessoalmente prefiro os “meninos” que actuam no futebol….

quarta-feira, julho 02, 2008

Trajano traído

Como estrangeiro, lamento profundamente o afastamento do Português da língua-raiz, o Latim. Para estrangeiros com formação clássica ou com conhecimento de outras línguas latinas, o paralelismo entre o Português e o Latim era um estimulo para aprender a língua de Camões. Não creio que o Português ganhe qualquer coisa com a “creolização” progressiva. E no sentido contrário : a manter algum vinculo com o Latim não se torna mais fácil para o aluno Português estudar a ortografia em Espanhol, Francês, Italiano e mesmo em Inglês. O primeiro imperador romano de origem lusitana não deve gostar da piada...

sexta-feira, junho 27, 2008

Carne picada e não só.

Em Portugal não é costume comer carne picada crua.
É talvez por isso que o consumidor não parece ser muito exigente em relação a este produto. No entanto há motivos para ser vigilante : motivos económicos e também motivos de saúde. Em primeiro lugar parece-me uma burla denominar um produto como "carne picada" quando na realidade contém também pão ralado, proteínas de soja e outros ingredientes que são bastante mais baratos do que a carne. É simplesmente vender gato por lebre. Além disso, alguns produtores misturam - segundo as etiquetas coladas nas covetes - sulfitos na carne que comercializam sob esta forma. Os sulfitos são conservantes que têm dois efeitos negativos : mascaram o aspecto real da carne (mantendo-a vermelha durante muito mais tempo) e destroem parcialmente as vitaminas presentes na carne. Porque não experimentar uma vez uma "carne picada preparada" ("filet américain préparé") ? : é uma boa maneira de apreciar correctamente o verdadeiro sabor da carne de qualidade.

quinta-feira, junho 26, 2008

Estacionar na sombra….

...é um sonho não realizável na maior parte dos parques de estacionamento ao ar livre dos centros comerciais em Coimbra (e em Portugal?). Quem conhece a situação em Espanha sabe que no país vizinho uma parte substancial deste tipo de lugares de estacionamento têm um coberto que permite estacionar à sombra. Amigos já me disseram que é uma imposição das Câmaras. Na nossa terra os referidos centros geralmente não demonstram esta delicadeza para com os seus clientes e as Câmaras não se preocupam muito com o bem-estar dos seus súbditos. Uma coisa é certa: entrar num “carro-forno” com temperaturas acima dos 50 ºC é um martírio para todos nós e pode provocar problemas graves de saúde nos idosos e nas crianças.

quarta-feira, junho 25, 2008

Coimbra, podia ter sido ...mas não foi...


...a referência portuguesa no controlo dos "pombos da cidade". A imagem aqui ao lado mostra um pombal de arquitectura "design" em Amesterdão, destinado aos pombos da cidade e construido por cima dum centro comercial em pleno centro da cidade. Os ediles de Coimbra continuam a falar sobre o assunto há mais de 5 anos... Ninguém tem dúvidas sobre a necessidade de restringir o número dos pombos que vivem nas nossas cidades. Todavia, é de notar que nos países mais avançados neste aspecto (Alemanha, Suiça, França, Holanda, …) estas aves têm direitos e não podem ser abatidas de qualquer maneira ou submetidas a tratamentos químicos incontroláveis: de facto, existe aí uma opinião pública atenta e sempre pronta para denunciar qualquer atentado contra a sua dignidade como ser vivo. Consta na verdade que muitos destes pombos estão doentes, situação em nada extraordinária para animais selvagens que são. No entanto, a maior parte das suas doenças são do foro patogénico específico do pombo ou das aves em geral, e não são transmissíveis ao Homem. Em relação às doenças eventualmente contagiosas para a nossa espécie, falta um fundamento científico a qualquer exagero: assim, a Universidade de Basileia (2004) publicou um documento no qual estipula que nos últimos 62 anos só foram relatados no mundo inteiro176 casos de transmissão de doenças de pombos da cidade para o Homem, o que corresponde a uma média que não atinge os 3 casos por ano. Considerando as centenas de milhões de pombos e pessoas que convivem diariamente em todas as grandes cidades deste planeta, é de facto um número irrisório. Ainda por cima, dois terços das doenças relatadas são de origem fúngica com destaque para a Criptococose. Muitos destes casos são imputáveis não a um incremento dos contactos entre pombos e pessoas mas sim à alteração da situação imunitária do Homem: concretamente porque existem hoje em dia provavelmente mais pessoas que sofrem de um ou outro tipo de imunodeficiência (p.ex. a Sida). O primeiro culpado pela proliferação crescente destes pombos na cidade é, nem mais nem menos, o próprio Homem que disponibiliza por todo o lado lixo alimentar na via pública em combinação com a multiplicação dos prédios degradados. Ambos são assuntos nos quais as Câmaras também têm responsabilidade.
Conclusão: o que já foi dito em 1990 por pesquisadores das Universidades de Utreque e
Munique, nomeadamente que o pombo da cidade é mais um perigo para os outros pombos e aves do que para os humanos, é confirmado por outros termos em 2004 por Wackernagel (Basileia) “ mesmo que os pombos da cidade possam significar esporadicamente um risco para a saúde humana, este risco é muito baixo, mesmo para pessoas que por motivos profissionais trabalham na proximidade dos sítios onde nidificam”. O vereador responsável retirou à Coimbra uma única oportunidade de se destacar neste domínio e dar um exemplo a todos os outros municípios de Portugal. Poderíamos ter optado por soluções similares às utilizadas em centenas de grandes cidades Europeias (Munique, Roterdão, Amesterdão, Zurique, etc. etc.) com base em medidas sinergéticas e humanamente aceitáveis (recusando desde o inicio o uso de métodos cruéis). A instalação de pombais municipais – em vários casos frutos de uma arquitectura de vanguarda - dentro do perímetro da cidade também faz parte desta solução. Paciência, temos o que temos e quando os políticos devem tomar decisões em assuntos que não dominam …
De stad Coimbra die zich graag profileert als de stad van de Gezondheid in Portugal, heeft een mooie gelegenheid laten voorbijgaan om pionier te worden in de kontrole der stadsduiven op een humane en moderne manier. Nu ja, politiekers die moeten beslissen over onderwerpen die ze niet beheersen...

terça-feira, junho 24, 2008

Acabou a hibernação...um novo começo



A partir de agora, começaremos de novo a dar a nossa opinião - errada ou não, fundada ou não - sobre assuntos que podem interessar o cidadão de Penela, de Coimbra, de Portugal.

terça-feira, maio 02, 2006

O país com-a-cabeça-em-forma-de-bola



Na Sexta Feira, 28-04-2006, a RTP iniciou o seu primeiro jornal televiso do dia, às 7h30 da manhã, com a seguinte noticia: hoje há eleições no Sporting.
Imagina-se um instante que a televisão francesa começa com "hoje há eleições no Paris Saint Germain" ou a alemã com "hoje há eleições no Eintracht Frankfurt".
Na França e na Alemanha : totalmente impossível.
Em Portugal : é infelizmente uma atitude normal, habitual e mesmo apreciada.
É desta maneira que as emissoras do estado colaboram à "educação" e "elevação" do povo?

Trânsito em forma de acordeão e multas educadoras


Uma noticia recente: Lisboa instalará radares automáticos para controlar a velocidade dos veículos.
Já em 2005, declarámos neste “blog” que esta medida era também a mais preferível para o IC3; de facto não existe nada melhor para “educar” os automobilistas que ultrapassam a velocidade permitida em povoações atravessadas pelo IC3, do que receber em casa uma multa pesada e automática. Garantimos que na sua próxima passagem serão mais prudentes e atentos.
A colocação dos actuais semáforos de controlo de velocidade é de certeza uma melhoria para a segurança das pessoas, todavia parece-me uma medida mais adequada para regulamentar a circulação dentro duma cidade do que no IC3, uma estrada importante que necessita duma fluidez contínua do trânsito.
Além disso este sistema não é selectivo: em caso de velocidade excessiva, manda parar toda a coluna de veículos que seguem o "infractor", incluido os que cumprem o código.
Constatamos diariamente que existem condutores – evidentemente de comportamento pouco cívico – que circulam duma maneira ultra perigosa entre os referidos semáforos: travam bruscamente no momento de se aproximarem dum semáforo, para depois acelerar repentinamente após passagem do mesmo, originando assim um movimento em acordeão arriscado.
Nem falamos daqueles que, com o sinal já no laranja, aceleram com força para ainda passar em última instância.
No estrangeiro já estão em funções milhares deste tipo de radares anónimos e implacáveis e obtêm grandes êxitos no combate à sinistralidade: averigua-se que multas sistemáticas servem para alguns como os melhores professores de condução.

terça-feira, março 14, 2006

Voltaremos....


Como já anteriormente prometido, voltaremos a "mexer" neste blog.
Escolhemos o dia 1 de abril, dia das mentiras, para esta "rentrée".

quarta-feira, outubro 19, 2005

A Gripe das Aves : um assunto mediático.

Vários jornalistas já me telefonaram para conhecer a minha opinião sobre a Gripe das Aves em relação aos pombos-correio. Repetimos sempre a mesma coisa: são de todas as aves provavelmente as mais resistentes ao referido vírus.
Para o dizer duma maneira cruel : já morreram mais pessoas da Gripe Aviaria do que pombos-correio (de facto até agora nenhum).
Na propagação da Gripe Aviaria podem estar basicamente implicados 3 tipos de aves : as das explorações avícolas industriais, as aves migratórias e as aves de capoeira criadas a nível caseiro, onde frequentemente andam misturados sem condições de higiene patos, gansos, galinhas e perus.
Neste quadro não aparece o pombo-correio : vive numa instalação especifica, o pombal, e não procura a convivência com outros tipos de aves.
É positivo que as autoridades anticipem e sejam prudentes, é negativo o alarmismo praticado pelos meios da comunicação social.

segunda-feira, outubro 17, 2005

Entramos em hibernação...

A vida continua além das eleições autarquicas.
Em breve será provavelmente apresentada a candidatura do Prof. Cavaco Silva à Presidência da Republica.
Desejo, para Portugal, que ganhe esta luta. O país necessita deste homem inteligente, culto, com verdadeira experiência, humilde e discreto que nada tem a ver ver com estes políticos fanfarões que manobraram o páis até à beira do abismo.

Da nossa parte, por motivos professionais, vamos entrar numa fase de hibernação.
Prometemos que no dia 21-3-06, no inicio da nova primaveira, renasceremos como um fenix das nossas cinzas.


Sim Senhores, tenho exemplos disso !


"A pobreza, em Portugal, é um problema social grave e o seu não reconhecimento tem-se revelado, ultimamente, um dos maiores entraves à sua erradicação"

Manifesto de ONG`s a propósito do Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza, PÚBLICO, 17-10-2005

É verdade que muitos políticos ignoram ou escondem o assunto : chauvinismo municipal !

sexta-feira, outubro 14, 2005

A mais bela frase da minha campanha



“ Nós somos um partido de princípios.
Quando os outros navegam virando as suas velas para os ventos da moda, nós temos o dever de conservar princípios, de manter acesa a luz no farol das nossas convicções".

quinta-feira, outubro 13, 2005

Tudo outra vez OK, tudo outra vez normal !

Quando ouvi o noticiário da RTP começar com a vitória dos sub-21, pensei "já voltou tudo outra vez ao normal".
Não era a crise económica, não eram as eleições de domingo, não era a nova chanceler na Alemanha, não era o terramoto no Paquistão, não, minhas senhoras e meus senhores, o facto mais importante do dia na emissora nacional era a brilhante vitória dos jovens futebolistas contra a Letónia!
Olé, olé, olé, we are - realmente - the champions !