terça-feira, fevereiro 23, 2010

As meias de Rangel

O PSD elegerá em breve o seu novo Presidente. Talvez seja um pouco tarde, tendo em conta a constelação política actual, mas isto obviamente não é meu problema. Não tenho as qualificações adequadas partidárias para avaliar as virtudes políticas de cada um do trio que vai às urnas, mas nada me impede de manifestar as minhas preferências instintivas e naturais por um deles; pode até ser interessante para os directores das respectivas campanhas saber como um "extra-terrestre" julga os seus candidatos. É realmente um facto que estou saturado destes PM´s ou candidatos a PM tipo "rapazes-modelo", que andam de fato Armani ou de "blazer" azul escuro, com sapatos de couro genuíno sempre lustrosos, que trazem uma gravata de "griffe" "assorti", os cabelos 100% organizados mesmo no meio de uma tempestade e que cegam o freguês com a sua dentadura branca e brilhante . Francamente, não gosto dos seus ares de estadista-sempre-a-reflectir-sobre-o-bem-estar-da-pátria e que falam ("fazem declarações") com uma voz grave e ponderada, sem alterações nem emoções : não aprecio que a sua educação modelar os impeça o uso de palavrões ou de bater com o punho na mesa. São pessoas excessivamente airosas, Robocops engomados, manequins fora da validade concebidos por Mme Tussaud num laboratório clinicamente estéril. Não, a minha preferência vai para um ser humano de carne e osso, como nós, um individuo menos perfeito, não infalível, que fala com altos e baixos, que quando está morto de sono toma duas bicas para se reanimar, que mostra ter alma e coração: concluindo um destes homens a que chamamos vulgarmente "um homem normal". O Paulo Rangel parece-me um destes. Já o vi com o cabelo terrivelmente despenteado e já observei uma ou outra mancha de gordura nos seus óculos da Multiópticas. Tem - como eu - peso a mais e transpira quando lhe obrigam a subir uma escada. Não seria mais do que natural que lhe escape por vezes um arroto e pode lhe cair uma pinga na camisa quando come sopa; à noite as suas meias cheiram talvez um pouco ao chulé e ocorre que adormeça com o comando da TV na barriga. Suponho que ronque na cama, porque parece ser um homem como nós , com duvidas e incertezas, mas como nós. Um como nós levantou-se, dirigiu-se para o púlpito e vai tentar endireitar Portugal. Porque não?

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

As contas do Sr. Nunes ou o meu Português?


O meu Português não é dos melhores e por isso devem ler este texto no condicional. No dia 22-01-2010, o ex-vereador de Coimbra, Mário Nunes, publicou no "Diário As Beiras" um artigo de opinião sobre "A Cultura e os Orçamentos" no qual foca o impacto da Cultura - como actividade económica - sobre o PIB e o mercado de trabalho. O Sr. Nunes refere-se a um estudo encomendado pela anterior Ministra de Cultura e segundo o qual " o sector cultural em 2006 criou 127 mil postos de trabalho, cerca de 2,6 por cento do emprego total criado naquele ano". Segundo o meu dicionário "criar" significa "dar existência a, tirar de nada, gerar, produzir, etc.." Assim entendo que o que está lá escrito é que em Portugal "a Cultura engendrou 127.000 dos quase 5.000.000 postos de trabalhou criados em 2006". Tenho a impressão que alguma coisa está mal, porque recordo-me que o próprio José Sócrates - nos seus dias mais eufóricos - só prometeu a criação de 100.000 novos empregos . Onde está o erro? : no meu fraco conhecimento da língua de Camões ou no baralhar das contas pelo Sr. Nunes?

terça-feira, fevereiro 09, 2010

La Place de la Concorde em Podentes...


Era uma vez um Pensador que sonhou em dotar a povoação de Vendas de Podentes (70 habitantes ?) de uma Praça Pública do género de " Trafalgar Square" em Londres, da "Potsdamer Platz" em Berlim ou -ainda melhor - da "Place de la Concorde" em Paris. O povo (eleitor) mostrou-se satisfeito, a tal ponto que se esqueceu da opção dos seus próprios antepassados: é mais do que provável que "os antigos" tinham optado deliberadamente por construir a sua capela neste lugar calmo, perdido na natureza, porque era de facto um sitio bastante mágico: situada num trívio (sagrado em muitas culturas), no delineamento entre os campos da margem da ribeira e os pinhais na encosta do monte. Um lugar para meditar, rezar e praticar alguns pequenos rituais ancestrais, sem ser incomodado por ninguém. Mas mais uma vez a memória colectiva não funcionou e lá chegou a retroescavadora. Arrancaram um par de oliveiras, removeram alguns camiões de terra e lá estava: tinha nascido a "Praça da Concorda" das Vendas. Entretanto alguns populares iniciaram corajosamente a construção de um "Bar de Festas", segundo parece um aspiração a longa data do povo local: num estilo arquitectural "típico" e com materiais endógenas, como são os blocos de cimento, conseguiram fazer a obra. Mas faltava ainda, como em Paris, - a cereja no bolo -um obelisco : para o efeito foi ergueu-se um grande poste em latão com duas luminárias potentes, modelo autoestrada. Deste modo, o novo largito, tornou-se o ponto mais iluminado de Podentes, um ponto de exclamação visível de longe, o farol da simbiose total entre eleitores, religião e política, de facto o sonho húmido de qualquer republica laica. Todavia alguma coisa correu mal e aquela "la Place de la Concorde" tornou-se numa "Place de la Discorde": 4 dos 70 habitantes - na realidade os únicos a viver no largo novo - queixarem-se sobre a influência perturbadora das luminárias sobre o seu descanso nocturno, a sua saúde e os seus pombos-correio; entre os construtores voluntários do "Bar da Festa" deflagrou-se uma disputa sobre quem tinha ou não o direito de gravar o seu nome na parede do edificio. Da nossa parte, estamos convictos que a geração seguinte saberá honrar o bom gosto dos antepassados e irá requalificar aquele sitio, repondo a velha capela no seu enquadramentro natural harmonioso, misterioso e bonito. Faltam ainda muitos "Vieiras" em Portugal, "Sizas Vieiras" evidentemente...
Zie het contrast tussen de oude kapel, sober en harmonieus, en de bar met autostrade-verlichting die men er thans naastgeplaatst heeft.

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Postes, pombos, pássaros, Penela, Podentes


Há alguns dias estivemos presentes na Reunião Ordinária da Câmara Municipal de Penela, na nossa qualidade de munícipes, para expor os problemas de saúde e outros que a Junta de Podentes nos causa diariamente com a instalação de 2 luminarias potentes (e inúteis) a poucos metros da nossa casa. Fomos bem recebidos, quase cordialmente. O Presidente da Câmara mostrou a sua inteira disponibilidade para ouvir as nossas queixas e deu a impressão de compreender o nosso "martírio". Claro que houve alguns desentendimentos. Assim à minha pergunta, porque a Câmara fez exactamente o contrário do que o sugerido pelo Provedor da EDP, o Eng. Paulo Júlio esquivou-se dizendo que o Provedor provavelmente não conhecia bem a situação em Podentes; é evidentemente um argumento inválido que desautoriza "a priori" qualquer Provedor que não seja da Terra. Também não concordo com o termo de "requalificação" para justificar o abominável poste erguido no largo da capela: de facto não se trata de "requalificar" alguma coisa, uma vez que o largo é novo e nunca existiu antes... Para além disso, surpreendeu-me que visivelmente nenhum dos presentes sabia que são obrigados por Lei a cuidar do bem-estar do pombo-correio. De qualquer maneira, o Presidente da Câmara prometeu tomar medidas para remediar a nossa situação. E...honestamente, creio que se ele não tivesse um compromisso político, mandava logo arrancar todo aquele aparato para voltar à situação anterior: "...ó Vítor, para a próxima vez, pense duas vezes antes de fazer coisas destas". Enfim, ficamos ansiosamente à espera...
Uma última palavra sobre o Eng. Paulo Júlio : se obviamente não concordo com diversas das suas decisões, admito de bom grado que se trata de um político profisional : dispõe de um "flair" inglês, tem uma postura jovial, é paciente e tem sentido de humor. É provavelmente um dos poucos em Penela que entende que criticas ou observações são sempre dirigidas a projectos, a decisões, a visão política e nunca a pessoa em questão. Tenho a impressão que está a tornar-se um pássaro dourado na mão do PSD e dentro de pouco tempo sairá da sua gaiola restringente -que é Penela- para iniciar voos mais altos.
Já agora, após tantos elogios, se amanha encontrar um garrafão de vinho tinto encostado ao meu portão, já sei de quem é...

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Cavaco arengando as multidões?

Pessoas endinheiradas têm por vezes a ideia que podem dar murros a qualquer um e dar pontapés em todas as direcções. Denominar alguém de "ditador" num país como Portugal , por razões evidentes muito sensível neste aspecto, não é um pequeno insulto. Devemos admitir que para pessoas que foram - como nós - quase militarmente indoutrinadas com as culturas clássicas (greco-latinas), a palavra "ditador" não é assim tão assustadora, porque na antiguidade não era raro nomear um ditador à chefia do estado para afrontar um perigo colectivo. Vários ditadores tornaram-se figuras míticas na história romana, como Cincinato, um lavrador humilde que tendo sido nomeado ditador, derrotou os Aequi que ameaçaram a cidade eterna, para depois voltar imediatamente para a sua charrua. Infelizmente os ditadores modernos perderam este hábito de resignar espontaneamente ao cargo após a obra feita. Será que o Eng. Belmiro estava a referir-se ao Presidente como um salvador-no-sentido-clássico, que endireitou a economia nacional após as perturbações pós-revolucionárias? Não me parece, porque o Eng. Belmiro menciona o despedimento de 4 amigos seus para motivar a sua declaração polémica. Peço perdão, mas isso parece-me mais um argumento a favor de Cavaco Silva do que o contrário : não final, não teve medo de despedir amigos do homem mais rico de Portugal, do comendador de um dos grupos económicos mais poderosos do país. Não será uma prova da sua independência e ininfluencibilidade?
O Eng. Belmiro é um homem admirável no que diz respeito às suas actividades empresariais, mas deveria abster-se de intromissões na política, especificamente atacando órgãos que estão na impossibilidade de se defender perante a opinião pública. Por outro lado, - e não sei se é verdade - mas segundo múltiplas declarações de trabalhadores, a organização do império do Eng. Belmiro talvez também não esteja isenta de alguns pequenos tiques tirânicos.

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

Fazemos parte dos PIGS, os porcos da economia...


Os economistas o sabem, mas, segundo parece, a população ainda não : fazemos parte do grupo das economias europeus denominadas pela imprensa anglosaxona como sendo os PIGS (Portugal, Italy, Greece, Spain). Creio que não é preciso esclarecer que a palavra "PIGS" não é só - e por coincidência - a sequência dos iniciais dos países mencionados mas significa também em inglês "PORCOS", uma palavra com uma conotação pejorativo, insultuosa quando for utilizada para indicar um país, um povo, uma nação. Somos de facto percebidos como um pais sem disciplina fiscal, com um défice demasiado grande e com um desemprego galopante: de facto ameaçamos a estabilidade da zona euro. Dos 4 PIGS ( ou talvez 5 quando incluirmos a Irlanda) é a Espanha a ovelha mais negra. Ainda na semana passada o PM Zapatero tive de defender em Davos, a solvência da Espanha perante um público bastante céptico. O nosso país vizinho - que hoje passou a barreira dos 4.000.000 de desempregados - da mais nas vistas porque, devido à sua dimensão económica e ao tamanho do seu descalabro, tem mais hipóteses de influenciar negativamente a situação da zona Euro. Mas, tudo isso não pode esconder que nós estamos outra vez - 35 anos após o 25 de Abril , 23 anos após a nossa entrada na CE e 10 anos após a nossa aderência à zona euro - em maus lençóis e em má companhia. Não tenho a competência adequada para explicar todos os aspectos do nosso falhanço (ou será falência ?) comum, mais uma coisa está certa: de certeza tem em grande parte a ver com a nossa mentalidade do "gasto inútil" considerado de "prestigio": vemos isto a nível do Governo Central com os estádios de futebol e os projectados novo aeroporto e TGV, mas também ao micro-nível das vilas e aldeias onde por vezes bares de festas, rotundas e outros artefactos dispendiosos são um prioridade. Como afirma "Fundstrategy" "...existem duvidas sobre a capacidade dos políticos portugueses em utilizar bem os dinheiros. Muitas das ajudas dadas no passado pelo CE foram dirigidas para projectos de infra-estrutura com poucos efeitos sobre a produtividade, em lugar de serem aplicadas na tecnologia, na educação e na investigação... " O autor continua pondo em duvida a utilidade do TGV planeado entre Porto e Lisboa : " Qual será o impacto sobre a produtividade de um investimento de biliões para reduzir a duração do trajecto em 40 minutos?" Mas como diz um velho proverbio flamengo : "óculos e uma vela não valem nada, quando o mocho for cegueta".

segunda-feira, janeiro 25, 2010

Penela onde os Provedores não contam....


Há meio ano atrás uma entidade de Penela-Podentes decidiu complicar a nossa vida pacata e mandou instalar em frente da nossa casa (a escassos metros de um posto de iluminação existente e amplamente satisfatório) um par de luminárias com uma intensidade tão forte que dificultam o nosso descanso (um direito constitucional); que interferem com o ciclo biológico dos nossos animais e que hipotecam a vida natural nocturna. Por pura coincidência (?) foram instaladas no dia antes do inicio da "festa de Stº António". Como já anteriormente referido, vivem naquele largo 5 pessoas, dos quais, 4 pertencem à nossa casa e à nossa família. Se é compreensível que festas necessitam de alguma luminosidade extra , não é nada normal fazer perdurar aquela situação para sempre!
Neste contexto apelei à mediação do Sr. Provedor da EDP, consciente de que nos países civilizados, em caso de desavindos entre entidades e cidadãos, as soluções propostas por um Provedor ou Ombudsman , são geralmente aceites pelas partes interessadas porque são ponderadas num espírito de neutralidade absoluta. O Provedor da EDP em Portugal, o Prof. Luís Valadares Tavares, é uma figura altamente qualificada com fama internacional (ver o seu currículo no http://provedordocliente.edp.pt/) e a EDP estipula que " o seu parecer será baseado em princípios objectivos e orientado por critérios de equidade tendo também em conta os quadros orientadores adoptados na União Europeia". Neste caso concreto, o Prof. Tavares concordou com o nosso ponto de vista e sugeriu só ligar as luminárias novas na altura da festa. Todavia, nada disso impressiona a edilidade de Penela, que "corajosamente" - como Asterix na sua aldeia nos fundos da Gália - resiste à civilização global : o Vereador responsável afirma que não pensa seguir as recomendações do Provedor ("somos nós quem manda aqui") mas sim as da Junta de Freguesia; como se o facto de ser um órgão eleito, significasse uma "carte blanche" para prejudicar cidadãos por meio de artefactos isentos de qualquer utilidade pública. Outro argumento para justificar a tortura subtil à qual somos diariamente submetidos, é que " a população local (neste caso pessoas que vivem a 300-500 ou mais metros e que obviamente não são incomodadas) gostam ver este largito (sem qualquer transito ou convívio social) fortemente iluminado . Por outras palavras : o critério em Podentes para colocar luminárias não é a sua necessidade para o transito ou a segurança, mas sim o peso da "vox populi", o populismo no seu estado puro ; é talvez esta a razão pela qual vários cruzamentos em Penela não dispõem de qualquer iluminação, simplesmente porque os populares omitiram a sua reclamação. Entretanto, como prova do desprezo completo pelas recomendações do Provedor, "alguém" mandou mesquinhamente retirar o posto antigo, o tal que era funcional e não incomodava ninguém. Que tristeza moral e mental...
Vlak voor ons huis werden 2 sterke en nutteloze lampen (publieke verlichting) aangebracht die onze nachtrust verstoren en de biologische levenscyclus van onze dieren ( o.a. reisduiven) aantast. We gingen aankloppen bij de Ombudsman van de Nationale Electriciteitsmaatschappij en deze beaamde ons voorstel om die sterke verlichting alleen in te schakelen in geval van feestelijkheden. De gemeente Penela zegt evenwel de suggesties van de Ombudsman te negeren met het argument dat de andere (ver afwonende) burgers die verlichting zo leuk vinden. Toch wel een eigenaardige redenering, niet?

quarta-feira, janeiro 20, 2010

Sagres III, Schlageter e o Guanabara...

O Navio-Escola Sagres partiu ontem para uma nova volta ao Mundo. A história deste Sagres III ( e não II como muitos afirmam erradamente) é bastante atribulada. De facto, o navio foi construído em Hamburgo nos anos 37-38 em plena época Nacional-Socialista e fazia parte de um projecto de 4 veleiros-escola. Exactamente como o seu navio-irmão "Horst Wessel", o (agora) Sagres foi baptizado com o nome de um heroi da mitologia nazi: Albert Leo Schlageter. Schlageter não éra realmente um nazi mas um católico conservador, herói da 1ª guerra mundial, que participou na resistência armada contra a ocupação francesa da região do Ruhr. Foi traído, foi preso pelos franceses em Maio de 1923 , foi condenado e foi executado. Durante a 2ª mundial o veleiro -evidentemente- não participou nas hostilidades, mas serviu de escritório flutuante. Após a derrota da Alemanha, foi confiscado pelos Americanos e mais tarde vendido ao Brasil. Em 1962 Portugal adquiriu o navio entretanto re-baptizado como Guanabara. Ainda em 1958 foi construido na Alemanha um veleiro-escola, o Gorch Fock, de acordo com os mesmos planos. Este facto atesta bem o valor das qualidades náuticas dos navios concebidos mais de 20 anos antes.
Het Portugese schoolschip "Sagres" is in feite van oorsprong de Duitse zeilboot " Albert Leo Schlageter" gebouwd in Hamburg in 1937-1938.

segunda-feira, janeiro 11, 2010

A (eventual) nova Distrital do CDS-PP de Coimbra eleita


Os resultados das eleições para a Distrital do CDS-PP em Coimbra já publicados, não deixem dúvidas : a lista A ganhou com aproximadamente 64% dos votos. Isto significa que a Concelhia de Coimbra (propriamente dita, a sua ala mais hegemonista) "tomou" a Distrital , um velho sonho de diversos membros daquela estrutura. Perder estas eleições não me causou um grande sofrimento, pois quem anda no CDS-PP está bastante habituado a este tipo de desfechos. O que é de lamentar é que 10 das 17 concelhias do Distrito não têm representação no novo órgão, tendo algumas outras representantes-fantasma que na realidade residem em Coimbra.
Como explicar este desaire? Em primeiro lugar, admitimos que nada foi facilitado aos eleitores da periferia: alguns tinham de percorrer 100 km se quisessem votar, outros - pensamos em vários idosos - simplesmente não possuem carro... Depois havia o peso dos apoios e das influências: quem tem ao seu lado um deputado e um vereador dispõe evidentemente de rebuçados para uma "clientela específica" maior do que quem só tem um projecto para propor. No entanto, o mais lamentável foi a ligeireza com a qual a Mesa tratou o Regulamento Eleitoral do CDS-PP. Este regulamento é aplicável (Art. 1º1.) a todos os actos eleitorais que se realizem nos órgãos locais do CDS-PP, deste modo incluindo o acto eleitoral de Domingo passado. Quando alguns dos meus amigos se estranharam sobre a quantidade de fotografias do candidato à Mesa do Plenário na sala das votações em Coimbra ( Artigo 2º3. proíbe actos de propaganda naquele sitio) tentei explicar-lhes que se tratava provavelmente de relíquias inocentes da finda campanha para as Legislativas. O que realmente é imperdoável é a Mesa ter aceite uma candidatura que manifestamente não obedeceu aos Requisitos de Apresentação (Art. 12º1.c.) porque não tinha um Mandatário. Ainda mais miserável, eram as manobras (durante horas) para tentar esquivar à apresentação do Caderno Eleitoral que continha a prova da situação irregular da Lista A . Também - outra falha grave -foi omitida a publicação das candidaturas no sitio do Partido na Internet como previsto pelo Art.16º1. Honestamente, já participei em várias eleições em pequenos clubes de pesca ou de columbofilia, mas a um espectáculo deste género nunca assisti. Podemos supor que num país civilizado, a Jurisdição de um Partido com assento parlamentar, terá capacidade de fazer respeitar o seu próprio Regulamento Eleitoral. Obter em certas circunstâncias a maioria dos votos é um indice de popularidade, não uma prova de ter "razão"; também não significa uma licença para infringir os regulamentos...

segunda-feira, janeiro 04, 2010

Eleições distritais no CDS de Coimbra: as coisas que não entendo...

Não entendo como pessoas que afirmam "defender os valores tradicionais" sejam capazes de trair os que dizem ser seus amigos...
Não entendo como pessoas que colaboraram em constituir um órgão distrital colectivo, apenas seis meses passados participem numa demissão orquestrada...
Não entendo como pessoas que fizeram tudo - por vezes até ao limite do decente - para impedir Paulo Portas de chegar à liderança do partido, nidifiquem agora sem escrúpulos na sua sombra.
Não entendo como pessoas que, nas várias anteriores distritais das quais fizeram parte, brilharam principalmente por absentismo e imobilismo, de repente queiram ser os motores da renovação...
Não entendo como pessoas que, nas várias anteriores distritais das quais fizeram parte, nunca mexeram um dedo para apoiar as concelhias periféricas, se proclamem agora como futuros "dinamizadores" das mesmas....
Não entendo como pessoas - como é do conhecimento público - são de Coimbra, nestas alturas dizem ser de outros concelhos...
Não entendo como pessoas que se intitulam como adeptos do dialogo democrático, censurem por sistema os comentários cépticos nos seus blogues...
Não entendo como pessoas que - segundo rumores - têm telhados de vidro, concorram a lugares que eventualmente só podem ocupar temporariamente...
Não entendo como um deputado, supostamente o fiel depositário de todos os votos do povo da direita, esqueça o seu papel de unificador imparcial, virando-se contra uma parte do seu eleitorado...
Entendo que a lista do Dr. Paulo Almeida tem todos os aspectos de uma expedição punitiva da concelhia de Coimbra contra a periferia.
Entendo que a estratégia da futura distrital deva estar baseada na vontade de unir o distrito e não se reduzir a um mero ajuste de contas.
Entendo que só a lista do Dr. Nunes da Silva apresenta com dignidade e honra as condições necessárias para atingir este objectivo...

segunda-feira, dezembro 28, 2009

Gastronomia: ser ou não ser...

Reina em muitas cabeças deste país uma confusão sobre o significado da palavra "gastronomia" : qualquer petisco que tenha alguma ligação tradicional com uma ou outra região, cidade ou vila é logo intitulado como sendo um produto da "gastronomia local ou regional". Sem falsa modéstia posso afirmar que tenho alguma experiência em gastronomia, não só pelo facto de ter visitado bastantes restaurantes com boa classificação na área da gastronomia (Michelin, Gault-Millau, etc.) como também por ter ganho na década dos '80 dois primeiros prémios nacionais na Bélgica na qualidade de cozinheiro não-profissional . O problema é que em Portugal apelida-se "gastronomia" a tudo o que é supostamente bom e que tem alguma ligação à tradição, ao tipo de comida que nos outros países é simplesmente chamado a culinária regional, tradicional ou "du terroir". A gastronomia é uma arte que consiste em cozinhar de maneira criativa à base de produtos de óptima qualidade num ambiente agradável (o que não é sinónimo de luxo). A gastronomia é caminhar para a perfeição, procurar a originalidade com audácia , celebrar o bom gosto em tudo, e não se reduz a uma tentativa de imitar a saudosa cozinha da avó. As chamadas "tascas típicas" nas festas populares onde vemos jovens bombeiros ou futebolistas cozinhar em grandes panelas de alumínio atrás de um biombo improvisado, produzem de certeza uma excelente comida (que adoro) mas que não tem nada a ver com gastronomia: matam as saudades da culinária do passado mas não trazem nada de novo; é a diferença entre pintar uma porta e pintar um Rembrandt, ambas são actividades louváveis, mas uma delas é Arte e a outra não. Servir como "couvert" "pães de bico" moles com paté enlatado ou mayonaise de "delícias" não é gastronomia. Servir - como tantas vezes se faz - um belíssimo leitão com alfaçe murcha e batatas fritas gordurosas e frias não é gastronomia. Servir uma dose chanfana recém-descongelada e quase desfeita, acompanhada por um "vinho do lavrador" (na realidade proveniente de um garrafão de um produtor comercial) não é gastronomia. Servir "Mousse de Chocolate caseira" que de facto é feito em casa, mas à base de pó industrial da Alsa com adição de margarina não é gastronomia. Os operadores turísticos, as Câmaras e os restaurantes deveriam aprender a conter a sua exuberância verbal e utilizar os termos correctos para cada situação. Para provar a minha objectividade menciono que a minha mãe preparava magistralmente pratos tipicamente flamengos como "Waterzooi de Gent" ou "Hennepot de Poperinge", todavia ninguém alguma vez chamar-lhe-ia gastronomia, era comida tradicional fantástica e pronto...
À sua pergunta, se comi nos últimos tempos qualquer coisa notável que possa definir como gastronomia, respondo : sim Senhor, um altíssimo lombo de bacalhau ornamentado com algumas pérolas de açúcar caramelizado, banhado num azeite verde virgem (de prensa mecânica) e acompanhado por um vinho do Douro (neste caso do Douro Espanhol). Um pão saboroso com casca estaladiça. O restaurante era quente e requintado e o serviço amável. São estes os momentos que se gravam no disco duro da nossa memória.
Al te veel verwart men in Portugal de term "gastronomie" met "traditionele of regionale keuken".

sexta-feira, dezembro 11, 2009

A Doutora B.C.B.G.


Não conheço em concreto a observação do deputado Ricardo Gonçalves que provocou tanto a ira da Dra. Maria José Nogueira Pinto, mas uma coisa é certa, não é a primeira vez que a Doutora se perde em ofensas e insultos. No Conselho Nacional do CDS-PP que decorreu em Óbidos em Março 2007, a mesma Doutora B.C.B.G. também se destacou : não só pelo estilo irritante, autoritário e parcial com qual lidou os trabalhos, mas principalmente pelo insulto de "cães de fila" que lançou à cara dos apoiantes de Paulo Portas. No que diz respeito à resposta final do deputado socialista, creio que não passa de uma mera descrição do currículo político da Dra. Maria José, que de facto é caracterizado por um vaivém entre o PSD e o CDS. É sempre um espectáculo lamentável quando pessoas que se acham oriundos do "Beau Monde" perdem o seu auto-controlo e provam que não são melhores do que o resto dos mortais.

segunda-feira, dezembro 07, 2009

Fernando Ruas, o salvador do Homo portucalensis?

Num tom de populismo anti-ambientalistico do nível "taberna-onde-cheira-ao-tintol-e-ao-bagaço ", já considerado como extinto pelos especialistas nos meados do século anterior, o Dr. Fernando Ruas, Presidente da Associação Nacional de Municipios Portugueses intitulou os protectores dos morcegos, dos lobos do Leomil ou das gralhas-de-bico-vermelho como (cito) "fundamentalistas bacocos que parecem esquecer que a primeira espécie que nos cumpre defender é a humana".
Nada de surpreendente porque a atitude retrograda do Dr. Ruas personifica perfeitamente a mentalidade que reina na maior parte das nossas Câmaras : tudo que tem a ver com a natureza e o ambiente é visto com um brinquedo na moda que implica a plantação de alguns arbustos nas rotundas que ornamentam as nossas cidades "modernas" (como Viseu), um discurso muito "verde" no Dia da Árvore, um canil municipal para cães abandonados, uma ETAR aqui e ali e ... já está, estamos actualizados e apresentáveis ao Mundo inteiro. Todavia a verdadeira paixão pela Natureza e pelo Ambiente, baseada em convicções sinceras ainda não chegou à massa cinzenta da maior parte dos nossos autarcas onde o lobo continua a ser um monstro que come ovelhas e o morcego um diabo voante que assusta as crianças.
Ontem, no Dia Internacional contra a Corrupção, Ban Ki-moon , o Secretário-Geral da ONU apontou a corrupção como um entrave ao desenvolvimento e o Dr. Guilherme d´Oliveira do Conselho de Prevenção da Corrupção pediu mais medidas na luta contra a mesma praga que manifestamente grassa no nosso país. Afinal, o Dr. Ruas não defenderia melhor a espécie humana em Portugal, empenhando-se na guerra à corrupção que quase de certeza infectou também alguns membros da organização que dirige e que neste país também trava o desenvolvimento. Ou será que se vê mesmo como o chefe-de-fila do Homem portucalensis na sua luta neandertalesca com o Canis lupus sinatus, com o Pyrrhocorax pyrrhocorax e com a ordem Chiroptera inteira ?
De Voorzitter van de Vereniging der Portugese Gemeenten verklaarde onlangs dat de beschermers van de Iberische wolf en van de vleermuizen fundamentalisten zijn die vergeten dat juist "de mens" de soort is die in de eerste plaats moet verdedigd worden. Ja dat zegt wel iets over de mentaliteit in die kringen. Zou deze heer niet beter de raad op volgen van Ban Ki-moon en de corruptie helpen bestrijden die in Portugal veel meer de voorutigang remt dan een paar eenzame wolven.

quinta-feira, novembro 19, 2009

Pensando em muros...

A comemoração da queda do Muro de Berlim deu lugar a alguns exercícios de acrobacia intelectual e algumas piruetas de moral política. Por exemplo, quase nunca foi referido de maneira explícita o muro sofisticado e novinho em folha que separa os Palestianos da sua Terra de origem. Não pode ser só coincidência que se baseie nos mesmos argumentos defensivos do que o seu "homólogo" germânico : autoprotecção e sobrevivência... Também foram dados - e com razão - bastante pontapés nos cadáveres da velha RDA e da URSS , mas ninguém teve a coragem de denunciar a atitude dos líderes das grandes "democracias ocidentais" que entregaram - com um sorriso diplomático nos lábios - metade da Europa ao Sr. José Estaline, condenando assim dezenas de milhões de europeus a viver durante mais de 1/2 século sob a bota da ditadura soviética. Se o não prestar assistência à pessoas em perigo é considerado crime, então como devemos definir a entrega da metade da população de um continente a um regime devidamente identificado como sanguinário nas décadas anteriores? Ouvímos também o nosso Durão Barroso proclamar que o processo que induziu ao derrube do Muro foi inspirado na revolução do 25 de Abril. Desculpem, mas receio que esta comparação peque um pouco por exagero. Na Alemanha, tratava-se de um movimento popular real e visível que "empurrou" o Muro, enquanto em Portugal foram "os capitães de Abril" que acabaram com o regime com uma intervenção militar. Também é sabido que o regime do qual os Alemães de Leste se queriam livrar, foi um modelo de inspiração para alguns revolucionários em Portugal. Neste contexto, interrogo-me se no dia 25-04-1974 o jovem Dr. Barroso não estava ainda na sua "era" de simpatia para com as filosofias promovidas pelos construtores da "obra" que dividiu as 2 Alemanhas ... Mais o mais importante, nisto tudo, é reflectir sobre o nosso Muro aqui em Portugal : o nosso próprio Muro da vergonha que continua inalteravelmente em pé, firmo e hirto : o Muro da vergonha que mantém os Portugueses afastados das médias europeias nos índices de bem-estar, o Muro da corrupção, das fugas ao fisco, do tráfico de cunhas e influências. Um Muro tão invisível e impalpável que nem a Justiça o consegue demolir. Um Muro que talvez só o povo unido - como na RDA -será capaz de deitar a baixo ...
Over de muur van Berlijn gesproken : waarom werd tijdens de herdenkingen zelden expliciet gesproken over de muur tussen Israel en Palestina? En ook niet over de Westerse leiders die de helft der Europeanen voor een halve eeuw aan het sovjetregime overgeleverd hebben? Ondertussen hebben wij in Portugal onze eigen onzichtbare muur: de muur der corruptie die aan de Portugese bevolking de toegang belemmert tot de welstand een Europees land waardig...

quarta-feira, novembro 18, 2009

Barbaridades da boca de um ex-procurador

Há uma semana, falando sobre a operação "face oculta", Cunha Rodrigues, o ex-procurador da República, veio dizer aos meios de comunicação social que a corrupção é uma das características das sociedades desenvolvidas e deu como exemplo a Espanha e os países de Leste. Ouvindo esta declaração, senti-me mesmo burro, porque estava convencido que o conceito de "desenvolvimento" tinha a ver com alfabetização, cultura, cuidados de saúde e rendimento mínimo. Não é nada assim : segundo a teoria do Dr. Rodrigues, pode-se avaliar o nível de desenvolvimento de um país medindo o seu grau de corrupção. Por exemplo, os países pobres de África são tão atrasados que quase não têm qualquer índice de corrupção e - por outro lado - o Canada e os países Escandinavos, bastante evoluídos, estão cheios de corruptos. Este método é tão bom que é mesmo utilizável dentro de um país para detectar diferenças locais : assim constata-se na Itália que o desenvolvimento é muito maior nas regiões onde a "maffia" ou a "camorra" têm uma influência forte do que nas outras. Agora a sério : não posso imaginar que o nosso ex-procurador nunca tenha tido acesso ao ranking internacional da corrupção (simplesmente disponível na Internet) que prova exactamente o contrário : maior o desenvolvimento, maior o sentido ético e menor a corrupção. Então porquê esta declaração barbara? Será que foi vítima de uma insolação outonal?
Volgens de ex-procurador van de Republiek zou de corruptie een karakteristiek zijn van de ontwikkelde landen? Wat? Hoe zo? Zwart Afrika vrij van korruptie en Skandinavie vol? Toch wel een ingewikkelde hersenkronkel.

quinta-feira, novembro 12, 2009

Poluição luminosa em Podentes (2)


No dia 16-09-2009 publiquei aqui um texto sobre um caso manifesto de poluição luminosa em Podentes, que complica dia após dia a minha vida e a dos meus familiares. Há poucos dias e por pura coincidência, ouvi um dos melhores jornalistas de Portugal falar sobre o assunto na sua rubrica "Sinais" na TSF. Podem ouvir e apreciar no site http://tsf.sapo.pt/programas/programa.aspx?content_id=903681 .
De facto, no seu programa, Fernando Alves, o mágico da palavra pura e da ideia densa, refere-se à recente iniciativa francesa de 24-10-09 – na qual participaram 177 cidades – para devolver à Noite os seus direitos (mais detalhes em http://www.jourdelanuit.fr/ )
Esta iniciativa foi apoiada por um grande número de instituições prestigiadas entre as quais o Ministério Francês do Ambiente. Por isto, creio ter demonstrado que não sou um extravagante qualquer, mas sim um cidadão preocupado com o ambiente e - admito-o sem reservas - com o meu próprio bem-estar. Será que neste contexto Penela pode tomar uma atitude protagonista em Portugal ou será – mais uma vez – sonhar a alta voz? Seria uma iniciativa prestigiante, quase sem custos, amigo do ambiente e "tourist friendly"... Não são sempre as fanfarras que fazem mais barulho que tocam a melhor música...
In Frankrijk werd onlangs in 177 steden de nacht van de duisternis gevierd. Misschien wel het imiteren waard in ons dorp, Penela...

segunda-feira, novembro 02, 2009

O "juiz belga", uma espécie inexistente em Portugal

Domingo passado, o anterior PM da Bélgica e actual Ministro de Negócios Estrangeiros, Yves Leterme, declarou em frente às câmaras da Televisão Pública que não tem mais confiança na Justiça do seu país. De facto, uma afirmação gravíssima vindo de um dos dignitários máximos do regime. Disse ainda " ... não sou o único a nutrir este tipo de desconfiança, muitos cidadãos também se questionam e eu tenho serias duvidas sobre o comportamento de alguns magistrados". Na realidade, naquele pais rebentaram recentemente vários escândalos nas altas esferas da magistratura. Alguns têm a ver com manipulações relacionadas com a autorização judicial para a venda do banco Fortis quando este estava em apuros : provou-se que vários Juízes tomaram decisões em sintonia com "as indicações " recebidas dos políticos. Outro caso é o da juíza De Tandt que em diversos julgamentos supostamente favoreceu uma empresa à qual deve dezenas de milhares de euros e para além disso teve um papel duvidoso no caso da falência da Sabena. Em outros casos fala-se de chantagem, fraude e extorsão. Resumindo: na Bélgica, os delegados terrestres da deusa Themis têm algumas manchas de caca de pombo nos seus majestosos hábitos negros e não andam de olhos vedados, sabem perfeitamente distinguir uma nota de 500 euros de uma de 200. No final são simples mortais como tu e eu; alguns são honestos, outros são burlões.
Todavia, para a sua tranquilidade, devo dizer que tudo isto só se passa em terras remotas, longe de Portugal. Claro que temos aqui também alguns políticos um bocadinho corruptos - antes, durante ou depois da sua carreira -, existem talvez aqui alguns laços duvidosos entre o mundo empresarial e os partidos, é possível que algumas câmaras guardem algumas poupanças num saco azul em conjunto com um ou outro Senhor do futebol , mas no fim do ciclo, esta lá sempre imutável, como uma rocha nas ondas, a nossa Justiça pronta para fiscalizar, punir e castigar os impuros. Felizmente para nós, na nossa Justiça e nos nossos Tribunais reina a Imparcialidade isenta e a Neutralidade absoluta, não existe qualquer distinção entre ricos e pobres e trabalha-se dia e noite, num ritmo acelerado, para fazer vencer rápida e implacavelmente o Direito. Por vezes, sonho que me chamo Alice e que vivo no País das Maravilhas. E...tenho medo de acordar.
Terwijl in Belgie allerlei schandalen opduiken in verband met de Justitie, denken wij nog altijd het beste van ons gerechtssysteem : alles is wellicht een beetje rot, maar de Justitie is puur...Of ben ik Alice in Wonderland ?

terça-feira, outubro 27, 2009

Há 2000 anos : uma batalha decisiva para a história Europeia

Em vários países da Europa ocidental observamos um fenómeno estranho : alguns chefes ou reis tribais que, na época romana, falharam em repelir o invasor romano e que consequentemente perderam a sua independência, obtiveram o estatuto de " herói nacional". Falamos entre outros de Vercingetorix em França, de Viriato em Portugal, de Ambiorix na Bélgica, da "rainha" Boudica na Ingelaterra. Existe no entanto uma excepção, a do Arminio (Hermann) o valoroso guerreiro da tribo germânica dos Cherusci que há exactamente dois mil anos definiu pelas armas o aspecto actual da Europa. No inicio da nossa era, Arminio, aliou-se às tribos dos Marsi, Bructeri e Chatti para defender a Germânia da conquista romana. Em Setembro do ano 9, a sua táctica astuciosa de emboscadas resultou na destruição completa das 3 legiões que se tinham infiltrado no interior da Germânia Inferior sob o comando de Publis Quinctilius Varus. A batalha, que se desenrolou perto do monte "Kalkriese Berg" nos arredores da actual Osnabruck, significou a derrota completa dos Romanos nesta região e causou uma mudança radical na politica imperial que resultou finalmente no abandono do Norte e do Centro da Germânia pelo imperador Tiberio em 17 AD : assim o Reno tornou-se uma fronteira definitiva entre dois mundos. A vitoria obtida por Arminio nesta batalha ("der Varusschlacht" ) tem uma importância histórica que dificilmente pode ser sobrestimada : evitou uma romanização iminente dos povos germânicos na Europa (como aconteceu aos Gauleses e aos Ibéricos) e préprogramou a queda de Roma alguns séculos mais tarde. Sem Arminio provavelmente a Alemanha nunca teria existido, os Britânicos nunca teriam falado uma língua anglo-saxónia, os Visigodos nunca teriam invadido a Lusitânia : quem sabe se império romano ocidental - exactamente como o Bizantino - não teria durado mais um milénio? É bom recordar que há 2000 anos, nas florestas escuras do além-Reno, um jovem "bárbaro" moldou com a sua espada sangrenta a história da Europa e do Mundo para sempre. http://www.imperium-konflikt-mythos.de/
2000 jaar geleden betekende de "Varusschlacht" de verdeling van West-Europa in een Latijnse en een Germaanse invloedszone.

terça-feira, outubro 20, 2009

Saramago, a Bíblia e os maus costumes

O idoso mais famoso de Portugal adora provocar e nisso está no seu pleno direito. Todavia o que disse na altura do lançamento do seu novo livro "Caim" está longe de ser original. Inúmeros artigos já foram escritos sobre o mesmo assunto: a Bíblia é uma amalgama de textos profundamente humanos - e consequentemente poucos divinos - cheios de violência, crueldade e injustiças. Por outras palavras, José Saramago mastiga chicletes já antes exaustivamente mastigadas. Não compreendo como conseguiu ainda mobilizar o clero para reagir de tal modo, com as mesmas respostas "déjà vu e entendu" de sempre. Segundo eles, os textos litigiosos não devem ser interpretados literalmente mas sim de maneira simbólica no quadro da sua época, no entanto as passagens que tratam de paz, amor, fraternidade e mais coisas simpáticas, sim, estas são para o consumo directo. É sem dúvida um raciocínio "passe-partout", fácil e barato, especificamente quando tomamos em consideração que a santa Bíblia é provavelmente a primeira publicação de âmbito universal que faz uma distinção discriminativa entre "povos eleitos" e "povos não eleitos", uma atitude com consequências dramáticas até ao dia de hoje. De qualquer modo, o Saramago tem sorte ou então é mesmo muito esperto: se tivesse feito o mesmo tipo de declarações sobre outros livros sagrados, teria agora de desaparecer na clandestinidade com a cabeça a prémio. Resta uma última tarefa para o nosso corajoso nonagenário : analisar meticulosamente os livros, manifestos e dogmas que estão na base da doutrina que o caracteriza. Considerando que os documentos referidos cheiram ao mofo do "gulag" e que de algumas páginas pingam gotas de sangue, também devem conter um ou outro parágrafo que incita aos "maus costumes ". Realmente, setenta ou oitenta milhões de vitimas não é canja... "Gnooti seauton" disseram os velhos gregos...
Nobelprijswinnaar Saramago kritikeert de Bijbel als zijnde een boek dat slechte manieren aanleert. Gelijk heeft hij wellicht, maar als communist van de oude garde, zou hij toch ook eens voor eigen deur moeten vegen.