segunda-feira, abril 02, 2012

O não à extinção de freguesias = o folcore ao poder?

No Sábado passado, foi possível ver Portugal no seu melhor: em Lisboa desfilaram milhares de pessoas, entre os quais grupos folclóricos, acordeonistas e outros Zés Pereiras, contra a extinção de freguesias.  Enquanto muitos países resolveram já há décadas o problema do excesso de entidades minúsculas abaixo do nível de "Câmara Municipal", continua a ser possível em Portugal mobilizar multidões contra esta reforma tão necessária. Qual será o mal trocar as Juntas constituidas por via política e pagas pelo contribuinte, por serviços administrativos, provavelmente de maior competência, prestados por um funcionário da Câmara? Estarão à disposição da população nas instalações existentes, uma ou mais tardes por semana. Admito que tenho algumas experiências traumáticas com Juntas de freguesias geridas à base de favores e cunhas e neste contexto prefiro sem duvidas um tratamento administrativo neutro, objectivo e não politizado: que tratem dos meus assuntos não pode depender da benevolência de alguém, mas é simplesmente um direito meu. Quem explicará à Troika que o interior de Portugal - e não só - ainda anda à hora do paternalismo paroquial mais antiquado?
E...vamos apostar que o Governo irá ceder ?

sexta-feira, março 30, 2012

A imprensa desportiva, onde reina o infantil...

Títulos ridículos: a imprensa desportiva Portuguesa tem um nível populista inimaginável. Os títulos de hoje dos 3 grandes: "Leão deixa presa vivo", "Rugido de Leão" e "Insua até fura metal" Um título normal podia ter sido por exemplo: Vitória complicada para o Sporting". O povo precisa mesmo de muito ópio.

quarta-feira, março 28, 2012

A incapacidade de conservar e manter as coisas

Na zona Sul Coimbra está a ser construída a nova IC3, uma obra faraónica que custa fortunas e que me parece - como tantas outras neste país - supérflua. No mesmo tempo, na mesma região, fica bem visível a incapacidade das entidades públicas de conservar e manter o que existe. Nesta imagem podem ver o estado lastimável da EN110 (uma Estrada Nacional!!!), uma tortura para os carros e um perigo para os condutores. Esta incapacidade de conservar as coisas é quase uma regra geral em Portugal:  olhem só para muitas escolas ou hospitais, após 20-25 anos já parecem velhos, vitimas de uma manutenção deficiente...

segunda-feira, março 26, 2012

Luís Filipe Menezes: correcto mas incompleto (1)



No Congresso do PSD - que teve lugar no último fim de semana - Luís Filipe Menezes denunciou as autoestradas inúteis construídas pelo PS na sua região. Atitude 100 % correcta. Todavia para ser completo deveria também ter revelado algumas obras concebidas sob a pressão de autarcas do PSD, como por exemplo a famosa IC3, agora iniciada entre Penela e Coimbra. Além de destruir uma paisagem histórica de Portugal, os dinheiros gastos com aquela autoestrada de certeza também davam para diminuir um pouco os cortes nas reformas. E... não tenho duvidas, também aí a JSD terá a possibilidade de organizar grandes sardinhadas num ambiente de tranquilidade absoluta....

terça-feira, março 20, 2012

Países no marasmo

Na Itália foi iniciada uma grande acção contra a máfia napolitana e já foram confiscados mil milhões de euros. 16 juízes vão ser presos. A Itália não esta doente: está simplesmente podre. O Banco Mundial publicou em 2011 um estudo comparativo entre 4 países do sul da Europa (Itália, Espanha, Grécia e Portugal) e a média do grupo de países que formam o núcleo da zona Euro: Alemanha, França, Benelux, Finlândia, Irlanda e Áustria. Os critérios foram 3: "a eficácia das autoridades", "a qualidade do estado de direito", "o controle da corrupção". Mesmo não estando no último lugar, Portugal permanece na companhia de "amigos" pouco recomendáveis. http://trends.knack.be/economie/opinie/columns/johan-van-overtveldt/hoe-ziek-is-italie/article-4000069842835.htm?nb-handled=true&utm_medium=Email&utm_source=Newsletter-20-03-2012&utm_campaign=Newsletter-Trends-nl

sexta-feira, março 16, 2012

Incrível: a organização do ensino em Portugal


A minha neta acabou de receber ontem da sua professora a carta em anexo: com uma antecedência de apenas 2 dias, a professora anuncia que vai faltar e que os miúdos podem ir em férias antecipadamente. Não há  explicações, não há substituto: desenrasquem-se... Honestamente, acreditam que isto seria possível num outro país supostamente civilizado? Nem falamos do estilo ou do aspecto da carta....

Finalmente uma cerveja com sabor em Portugal

A cerveja não é uma especialidade de Portugal ( nem existe uma palavra concreta em Português para "brewery" ou "brasserie"...) de tal modo que os líquidos produzidos pelas duas marcas mais vendidas no mercado nacional, manifestamente só têm uma finalidade: matar a sede. Houve algumas tentativas infelizes par imitar as grandes cervejas tradicionais (de fermentação alta) do norte da Europa, mas - como era de prever - falharam estrondosamente. Agora, a Sagres lançou uma nova variedade, "Puro Malte". Devo admitir que foi uma surpresa agradável. Finalmente temos aqui uma cerveja que se pode beber por prazer, que tem um sabor característico e que - muito importante - não contêm aditivos, corantes ou conservantes. Parabéns!

terça-feira, março 13, 2012

O "caroussel" da mediocridade começa: demissão de Henrique Gomes

O Governo tenta fazer os possíveis neste tempo de crise, mas com uma inabilidade flagrante: são enganos e erros sem fim. A primeira demissão do Governo actual prova que a equipa de Passos Coelho não traz mentalidades radicalmente diferentes das outras do passado recente. Começa agora um "caroussel" de demissões e de novas nomeações. Dunning e Kruger já tinham demonstrado que um dos pontos fracos da democracia é a sua base própria, os eleitores: não têm capacidade para escolher os melhores candidatos (se existem). Exagerando um pouco podemos talvez dizer: é a ditadura da mediocridade.

quinta-feira, março 08, 2012

As águas de Coimbra: amarelas e sujas

Eis uma fotografia que mostra o aspecto repugnante da água canalizada de Coimbra, na zona industrial de Taveiro durante esta última semana. Esta água pode ser consumida? Não provocará problemas para a saúde?  

quarta-feira, março 07, 2012

Reabilitação urbana: Podentes-Penela

Num dos principais lugares da freguesia de Podentes-Penela podemos ver este monstruoso quadro em alumínio, vestígio das últimas eleições municipais. Há  3 anos que está aí, desfigurando o aspecto geral da povoação. Talvez que o quadro- que tinha publicidade para os candidatos do PSD - ficará aí eternamente, sempre ao dispor do partido também eternamente no poder em Penela. 

quinta-feira, março 01, 2012

Arquitecto Português em Gent

Na cidade de Gent - Bélgica, o arquitecto de origem Portuguesa, A. Pinto transformou há 20 anos um velho armazém num fantastico espaço bar-restaurante. Após duas décadas de êxito, o bar-restaurante "Pakhuis" (=armazém) continua na moda, não só devido ao ambiente requintado mas também porque dispõe de uma cozinha bem refinada. Ver mais em   http://www.pakhuis.be/

terça-feira, fevereiro 28, 2012

Aux armes citoyens...

Tentarei emergir da tristeza imensa na qual mergulhei durante tanto tempo. Da indiferênça que me aprisionou a alma, da melancolia que se apoderou da minha mente e que paralisou as minhas mãos. Tentarei. Luctor et Emergo: como o lema da Zeelândia.

segunda-feira, maio 03, 2010

A explicação de um silêncio...

Fiquei calado durante bastante tempo e tinha uma razão muito séria: faleceu a minha querida mãe. Quando o espírito se veste de luto e quando o coração chora, a mão não tem mais vontade de tocar nas teclas do computador.
Uma nota falsa : só meio dia após o acontecimento fatídico, a noticia chegou a mim, porque de facto, nesta Terra verbalmente repleta de novas tecnologias, não existe uma cobertura razoável da rede telemóvel nem um acesso decente à Internet. Mesmo nos momentos mais tristes da nossa vida estamos atrasados.
Omdat mijn beminde moeder stierf, ben ik lange tijd stil gebleven.

quinta-feira, março 11, 2010

A Tauromaquia, um "bem cultural" a preservar tal qual?


No parlamento catalão está a decorrer uma discussão sobre a eventual abolição das touradas naquela região autónoma da Espanha. Podemos admitir que este debate tem um fundo duplo porque não se trata só de definir se de facto a tauromaquia é classificável como uma actividade cruel em relação a animais vivos mas também porque bastantes Catalães confundem a tauromaquia com uma Espanha centralizadora, tradicionalista e mais sulista (la España negra) com a qual não se podem ou querem identificar. Enquanto se desenrolaram estas discussões em Barcelona, Esperanza Aguirre, a Presidente da Comunidade de Madrid, numa conferencia de imprensa encenada no meio de uma "Plaza de Toros", declarava a Tauromaquia como sendo "un bien de interés cultural". Valência e Múrcia tomaram iniciativas no mesmo sentido e...por pura coincidência, a Ministra Gabriela Canavilhas anunciou em Portugal a criação de uma secção de tauromaquia no Conselho Nacional de Cultura. Bem, é um facto inegável que a tauromaquia faz parte da cultura de quase todos os povos ibéricos, na condição de optarmos por definir a palavra "cultura" como "um conjunto de costumes, de instituições e de obras que constituem a herança social de uma comunidade". Todavia, o fundo da questão não é esse: o ponto essencial é se devemos manter a qualquer preço todas as manifestações que fazem parte da nossa cultura tais quais, sem nunca nos interrogarmos sobre a necessidade da sua continuação à luz da evolução na nossa sociedade: a "cultura" pode-se dissociar dos valores morais em vigor? Alguns exemplos gritantes da evolução possível do conceito "bem cultural" : os antigos jogos circenses no Coliseu faziam intimamente parte da cultura Romana, mas a nós provocam repugnância pela sua crueldade extrema; a prostituição sagrada nos templos era uma realidade religioso-cultural entre os povos da Babilónia, para nós em 2010 parece sem dúvida uma prática inconcebível. Neste contexto parece-me insensato manter obcecadamente como "bem cultural intocável" uma actividade que consiste em perseguir, torturar e finalmente matar - de maneira sangrenta - um animal, mesmo que seja criado para o efeito. O facto de Hemingway, Picasso ou outros grandes artistas terem glorificada a lide, não muda em nada a sua crueldade inerente: espetar com força pontas de aço na pele de um bovino vivo ou enfiar duas ou três vezes uma espada nos seus pulmões têm muito pouco caracteristicas de uma expressão artista. Em relação com a fábula das endorfinas que protegeriam o touro contra as dores, só posso dizer que "se no è vero, è ben trovato": no final será que o touro ensanguentado no meio da arena está a mugir de prazer? É uma atitude errada considerar aquela tradição ibérica como sendo uma coisa única no Mundo, sistematicamente estigmatizada por ignorantes. De facto, vários outros povos na Europa tinham também enraizadas na sua cultura algumas tradições cruéis com animais e não hesitaram em desistir delas; posso mencionar algumas: na cidade de Ypres (Be) era tradição desde a Idade Média de atirar gatos vivos de uma torre na altura das Festas da Cidade, já nos finais do século XIX os felinos vivos foram substituídos por exemplares em peluche; no norte da França e na Bélgica, os combates de galos eram um "desporto" centenário extremamente popular (amplamente representado na literatura e na pintura): foram proibidos num e estão a ser gradualmente extintos noutro país ; nos Países Baixos existe o costume milenar "das corridas de gansos" (nas quais um cavalheiro tenta arrancar em pleno galope a cabeça de um ganso vivo pendurado): acabaram já há bastantes anos com esta desumanidade; finalmente desde os tempos imemoriáveis existem na minha Terra os concursos de canto para tentilhões, outrora cegava-se os pássaros para estimulá-los a cantar mais, é óbvio que esta barbaridade foi interdita. Só para dizer que a palavra "cultura" não pode servir para legitimar actos contra a dignidade humana como é percebida no dia hoje. Não apelo à proibição imediata e total da "Festa" taurina, mas sugiro um trabalho de educação e sensibilização junto dos jovens no sentido das gerações futuras puderem julgar elas-mesmas se o sangue de um touro tem o mesmo valor cultural da tinta vermelha num quadro de Goya.

In Catalunie worden de thans stierengevechten in vraag gesteld. Ondertussen werden die in Portugal, Madrid, Murcia en Valencia tot Cultureel Erfgoed gepromoveerd. Toch een ietsje te straf vind ik, het bloed en het lijden van een stier tot kunstwerk te verheffen. Tenslotte hadden wij ook in de Lage Landen vormen van dierenkwellerij in onze tradities, waar we van af gestapt zijn: ganzenrijden, hanenvechten, kattenwerpen in Ieper, het blind maken van zangvinken, etc.

terça-feira, fevereiro 23, 2010

As meias de Rangel

O PSD elegerá em breve o seu novo Presidente. Talvez seja um pouco tarde, tendo em conta a constelação política actual, mas isto obviamente não é meu problema. Não tenho as qualificações adequadas partidárias para avaliar as virtudes políticas de cada um do trio que vai às urnas, mas nada me impede de manifestar as minhas preferências instintivas e naturais por um deles; pode até ser interessante para os directores das respectivas campanhas saber como um "extra-terrestre" julga os seus candidatos. É realmente um facto que estou saturado destes PM´s ou candidatos a PM tipo "rapazes-modelo", que andam de fato Armani ou de "blazer" azul escuro, com sapatos de couro genuíno sempre lustrosos, que trazem uma gravata de "griffe" "assorti", os cabelos 100% organizados mesmo no meio de uma tempestade e que cegam o freguês com a sua dentadura branca e brilhante . Francamente, não gosto dos seus ares de estadista-sempre-a-reflectir-sobre-o-bem-estar-da-pátria e que falam ("fazem declarações") com uma voz grave e ponderada, sem alterações nem emoções : não aprecio que a sua educação modelar os impeça o uso de palavrões ou de bater com o punho na mesa. São pessoas excessivamente airosas, Robocops engomados, manequins fora da validade concebidos por Mme Tussaud num laboratório clinicamente estéril. Não, a minha preferência vai para um ser humano de carne e osso, como nós, um individuo menos perfeito, não infalível, que fala com altos e baixos, que quando está morto de sono toma duas bicas para se reanimar, que mostra ter alma e coração: concluindo um destes homens a que chamamos vulgarmente "um homem normal". O Paulo Rangel parece-me um destes. Já o vi com o cabelo terrivelmente despenteado e já observei uma ou outra mancha de gordura nos seus óculos da Multiópticas. Tem - como eu - peso a mais e transpira quando lhe obrigam a subir uma escada. Não seria mais do que natural que lhe escape por vezes um arroto e pode lhe cair uma pinga na camisa quando come sopa; à noite as suas meias cheiram talvez um pouco ao chulé e ocorre que adormeça com o comando da TV na barriga. Suponho que ronque na cama, porque parece ser um homem como nós , com duvidas e incertezas, mas como nós. Um como nós levantou-se, dirigiu-se para o púlpito e vai tentar endireitar Portugal. Porque não?

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

As contas do Sr. Nunes ou o meu Português?


O meu Português não é dos melhores e por isso devem ler este texto no condicional. No dia 22-01-2010, o ex-vereador de Coimbra, Mário Nunes, publicou no "Diário As Beiras" um artigo de opinião sobre "A Cultura e os Orçamentos" no qual foca o impacto da Cultura - como actividade económica - sobre o PIB e o mercado de trabalho. O Sr. Nunes refere-se a um estudo encomendado pela anterior Ministra de Cultura e segundo o qual " o sector cultural em 2006 criou 127 mil postos de trabalho, cerca de 2,6 por cento do emprego total criado naquele ano". Segundo o meu dicionário "criar" significa "dar existência a, tirar de nada, gerar, produzir, etc.." Assim entendo que o que está lá escrito é que em Portugal "a Cultura engendrou 127.000 dos quase 5.000.000 postos de trabalhou criados em 2006". Tenho a impressão que alguma coisa está mal, porque recordo-me que o próprio José Sócrates - nos seus dias mais eufóricos - só prometeu a criação de 100.000 novos empregos . Onde está o erro? : no meu fraco conhecimento da língua de Camões ou no baralhar das contas pelo Sr. Nunes?

terça-feira, fevereiro 09, 2010

La Place de la Concorde em Podentes...


Era uma vez um Pensador que sonhou em dotar a povoação de Vendas de Podentes (70 habitantes ?) de uma Praça Pública do género de " Trafalgar Square" em Londres, da "Potsdamer Platz" em Berlim ou -ainda melhor - da "Place de la Concorde" em Paris. O povo (eleitor) mostrou-se satisfeito, a tal ponto que se esqueceu da opção dos seus próprios antepassados: é mais do que provável que "os antigos" tinham optado deliberadamente por construir a sua capela neste lugar calmo, perdido na natureza, porque era de facto um sitio bastante mágico: situada num trívio (sagrado em muitas culturas), no delineamento entre os campos da margem da ribeira e os pinhais na encosta do monte. Um lugar para meditar, rezar e praticar alguns pequenos rituais ancestrais, sem ser incomodado por ninguém. Mas mais uma vez a memória colectiva não funcionou e lá chegou a retroescavadora. Arrancaram um par de oliveiras, removeram alguns camiões de terra e lá estava: tinha nascido a "Praça da Concorda" das Vendas. Entretanto alguns populares iniciaram corajosamente a construção de um "Bar de Festas", segundo parece um aspiração a longa data do povo local: num estilo arquitectural "típico" e com materiais endógenas, como são os blocos de cimento, conseguiram fazer a obra. Mas faltava ainda, como em Paris, - a cereja no bolo -um obelisco : para o efeito foi ergueu-se um grande poste em latão com duas luminárias potentes, modelo autoestrada. Deste modo, o novo largito, tornou-se o ponto mais iluminado de Podentes, um ponto de exclamação visível de longe, o farol da simbiose total entre eleitores, religião e política, de facto o sonho húmido de qualquer republica laica. Todavia alguma coisa correu mal e aquela "la Place de la Concorde" tornou-se numa "Place de la Discorde": 4 dos 70 habitantes - na realidade os únicos a viver no largo novo - queixarem-se sobre a influência perturbadora das luminárias sobre o seu descanso nocturno, a sua saúde e os seus pombos-correio; entre os construtores voluntários do "Bar da Festa" deflagrou-se uma disputa sobre quem tinha ou não o direito de gravar o seu nome na parede do edificio. Da nossa parte, estamos convictos que a geração seguinte saberá honrar o bom gosto dos antepassados e irá requalificar aquele sitio, repondo a velha capela no seu enquadramentro natural harmonioso, misterioso e bonito. Faltam ainda muitos "Vieiras" em Portugal, "Sizas Vieiras" evidentemente...
Zie het contrast tussen de oude kapel, sober en harmonieus, en de bar met autostrade-verlichting die men er thans naastgeplaatst heeft.

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Postes, pombos, pássaros, Penela, Podentes


Há alguns dias estivemos presentes na Reunião Ordinária da Câmara Municipal de Penela, na nossa qualidade de munícipes, para expor os problemas de saúde e outros que a Junta de Podentes nos causa diariamente com a instalação de 2 luminarias potentes (e inúteis) a poucos metros da nossa casa. Fomos bem recebidos, quase cordialmente. O Presidente da Câmara mostrou a sua inteira disponibilidade para ouvir as nossas queixas e deu a impressão de compreender o nosso "martírio". Claro que houve alguns desentendimentos. Assim à minha pergunta, porque a Câmara fez exactamente o contrário do que o sugerido pelo Provedor da EDP, o Eng. Paulo Júlio esquivou-se dizendo que o Provedor provavelmente não conhecia bem a situação em Podentes; é evidentemente um argumento inválido que desautoriza "a priori" qualquer Provedor que não seja da Terra. Também não concordo com o termo de "requalificação" para justificar o abominável poste erguido no largo da capela: de facto não se trata de "requalificar" alguma coisa, uma vez que o largo é novo e nunca existiu antes... Para além disso, surpreendeu-me que visivelmente nenhum dos presentes sabia que são obrigados por Lei a cuidar do bem-estar do pombo-correio. De qualquer maneira, o Presidente da Câmara prometeu tomar medidas para remediar a nossa situação. E...honestamente, creio que se ele não tivesse um compromisso político, mandava logo arrancar todo aquele aparato para voltar à situação anterior: "...ó Vítor, para a próxima vez, pense duas vezes antes de fazer coisas destas". Enfim, ficamos ansiosamente à espera...
Uma última palavra sobre o Eng. Paulo Júlio : se obviamente não concordo com diversas das suas decisões, admito de bom grado que se trata de um político profisional : dispõe de um "flair" inglês, tem uma postura jovial, é paciente e tem sentido de humor. É provavelmente um dos poucos em Penela que entende que criticas ou observações são sempre dirigidas a projectos, a decisões, a visão política e nunca a pessoa em questão. Tenho a impressão que está a tornar-se um pássaro dourado na mão do PSD e dentro de pouco tempo sairá da sua gaiola restringente -que é Penela- para iniciar voos mais altos.
Já agora, após tantos elogios, se amanha encontrar um garrafão de vinho tinto encostado ao meu portão, já sei de quem é...

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Cavaco arengando as multidões?

Pessoas endinheiradas têm por vezes a ideia que podem dar murros a qualquer um e dar pontapés em todas as direcções. Denominar alguém de "ditador" num país como Portugal , por razões evidentes muito sensível neste aspecto, não é um pequeno insulto. Devemos admitir que para pessoas que foram - como nós - quase militarmente indoutrinadas com as culturas clássicas (greco-latinas), a palavra "ditador" não é assim tão assustadora, porque na antiguidade não era raro nomear um ditador à chefia do estado para afrontar um perigo colectivo. Vários ditadores tornaram-se figuras míticas na história romana, como Cincinato, um lavrador humilde que tendo sido nomeado ditador, derrotou os Aequi que ameaçaram a cidade eterna, para depois voltar imediatamente para a sua charrua. Infelizmente os ditadores modernos perderam este hábito de resignar espontaneamente ao cargo após a obra feita. Será que o Eng. Belmiro estava a referir-se ao Presidente como um salvador-no-sentido-clássico, que endireitou a economia nacional após as perturbações pós-revolucionárias? Não me parece, porque o Eng. Belmiro menciona o despedimento de 4 amigos seus para motivar a sua declaração polémica. Peço perdão, mas isso parece-me mais um argumento a favor de Cavaco Silva do que o contrário : não final, não teve medo de despedir amigos do homem mais rico de Portugal, do comendador de um dos grupos económicos mais poderosos do país. Não será uma prova da sua independência e ininfluencibilidade?
O Eng. Belmiro é um homem admirável no que diz respeito às suas actividades empresariais, mas deveria abster-se de intromissões na política, especificamente atacando órgãos que estão na impossibilidade de se defender perante a opinião pública. Por outro lado, - e não sei se é verdade - mas segundo múltiplas declarações de trabalhadores, a organização do império do Eng. Belmiro talvez também não esteja isenta de alguns pequenos tiques tirânicos.