quarta-feira, março 20, 2013
Há 10 anos...
Há dez anos, em Terra Portuguesa, 4 Senhores mentirosos decidiram agredir o Iraque, enganando a opinião pública com histórias sobre Armas de Destruição Maciça no poder de Saddam Hussein. Resultado : 150.000 mortos civis, 500.000 feridos, milhões de fugitivos e deslocados, um pais destruído e desde então completamente destabilizado. Do lado Português existe todavia um grande vencedor: o Sr. Durão Barroso ganhou a Presidência da Comissão Europeia e nesta função pude receber o Prémio Nobel para a Paz. Os 4 Senhores sanguinários são todos muito religiosos e assim - no dia 19-03-2013 - o Sr. Barroso esteve na Praça de São Pedro para assistir à entronização do novo papa.
Pergunta final: o banco dos inculpados no Tribunal da Haia não seria um lugar mais apropriado para estes 4 Senhores?
quinta-feira, fevereiro 21, 2013
Dinheiro desperdiçado e falta de dinheiro
Quando há pouco tempo num jornal local, o Sr. Presidente da Câmara, lamentou que só 1/3 das habitações de Penela estavam ligadas à rede de saneamento, tinha toda a razão: é de facto arrepiante constatar que em 2013 a maior parte dos cidadãos de Penela não têm acesso a este tipo de serviço, normalmente considerado essencial numa sociedade moderna e evoluída. O saneamento generalizado é um dos pilares de qualquer política em prol da saúde pública e da preservação do ambiente: não é segredo para ninguém que os materiais fecais e os detergentes conspurcam gravemente os lençóis freáticos, uma situação potencialmente perigosa numa zona onde ainda muitas pessoas utilizam a água do seu poço. A principal justificação mencionada, nomeadamente a extensão e distância entre pequenas povoações (e subentendido a falta de dinheiro), não é sempre a única: há também casos flagrantes de planeamento débil. Um exemplo flagrante: quando há dois anos a vila de Podentes foi ligada à rede de saneamento, concretamente à nova central de bombagem (desculpem, mas não sou técnico na matéria) nas Vendas, a canalização dos esgotos atravessou quase toda a povoação referida, uma obra que provocou muito incómodo e transtorno. Todavia nenhuma habitação nas Vendas (como a minha por exemplo) teve a oportunidade de ser conectada à rede, mesmo com as condutas a passarem um metro à frente das nossas casas. A explicação era que “isto não estava previsto no orçamento”. Com outras palavras: daqui a alguns anos vão outra vez rasgar as estradas e – além das novas perturbações para a população local - o contribuinte pagará o dobro.
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terça-feira, dezembro 18, 2012
Conversa de Taberna populista

Num artigo publicado no diário As Beiras, 6 dias antes da vinda de Angela Merkel a Lisboa, Paulo Almeida, líder distrital do CDS de Coimbra, fez uma tentativa bem sucedida para ganhar o Óscar do texto mais fútil e anodino do ano, sob o lema: " a necessidade de alguém nos representar na saída do labirinto da austeridade em que nos querem manter cativos”.
O autor lamenta que "as visitas alemãs aos países em situação financeiramente difícil mais parecem inspecções". Pois é um facto que os representantes alemães nutrem um grande respeito pelos seus contribuintes e cumprem plenamente a sua obrigação de conferir onde vai o dinheiro dos seus impostos: será para autoestradas sem transito, para estádios de futebol sem espectadores ou para aeroportos onde nunca aterram aviões? ou simplesmente desaparece no poço sem fundo da corrupção? Como a história já provou que as informações provenientes do Banco de Portugal não são sempre de grande confiança, os Teutôes - do ponto de vista deles - talvez tenham razão em vir verificar "in loco".
Almeida alude “às nações asfixiadas por via da moeda única”, porque provavelmente não se recorda que Portugal aderiu de livre vontade à zona euro e em plena consciência das regras e imposições inerentes à adesão e - espero eu - não só para angariar subsídios e apoios.
A denuncia da “confrangedora inexistência política” de Durão Barroso, assinalando que ele “abandonou o barco (ou era um submarino?)” da anterior coligação PSD - CDS/PP", não é baseada num raciocínio 100% correcto, porque analisando bem a trajectória politica de Durão, percebe-se logo que não lhe falta actividade política, todavia sempre motivada por puro oportunismo pessoal. Quem esperava que ia defender sem mais nem menos a causa de Portugal, merece um diploma de ingenuidade.
A denuncia da “confrangedora inexistência política” de Durão Barroso, assinalando que ele “abandonou o barco (ou era um submarino?)” da anterior coligação PSD - CDS/PP", não é baseada num raciocínio 100% correcto, porque analisando bem a trajectória politica de Durão, percebe-se logo que não lhe falta actividade política, todavia sempre motivada por puro oportunismo pessoal. Quem esperava que ia defender sem mais nem menos a causa de Portugal, merece um diploma de ingenuidade.
Segundo Paulo Almeida "Cavaco Silva e Passos Coelho hão-de banquetear-se com Merkel, a quem Vitor Gaspar beijará a mão”. Lamento dizer, mas isto só prova que Cavaco, Passos e Gaspar não só são pessoas educadas, mas também realistas e sabem que devem respeitar a fonte de dinheiro que permite que o Estado Português continue a funcionar.
Finalmente quando pinta o Presidente da República como “envergonhado e em depressão pela inutilidade em que se tornou, dificilmente fará alguma coisa", deveria de facto rezar para que Cavaco não demita o governo, porque nas eleições que logicamente irão seguir, Almeida poderia ver desvanecer o seu sonho de sempre: um dia entrar em São Bento, custe o que custar.
Concluindo, aconselho vivamente ao Presidente do CDS-Coimbra à leitura do artigo de José António Saraiva no Sol nº 328 com o título"O que nos aconteceu?" onde compara, em termos comprensíveis para todos, Portugal a uma família que gastou a mais durante anos, mas que mesmo assim não hesita em irritar e incomodar os amigos que lhe tinham emprestado dinheiro.
Ingratitude is the world´s reward ...
Concluindo, aconselho vivamente ao Presidente do CDS-Coimbra à leitura do artigo de José António Saraiva no Sol nº 328 com o título"O que nos aconteceu?" onde compara, em termos comprensíveis para todos, Portugal a uma família que gastou a mais durante anos, mas que mesmo assim não hesita em irritar e incomodar os amigos que lhe tinham emprestado dinheiro.
Ingratitude is the world´s reward ...
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sexta-feira, outubro 19, 2012
A agregação das freguesias: Penela, a oportunidade perdida
Um dos cavalos de batalha deste governo era, supostamente, a agregação
das freguesias, não só por motivos de poupança mas também – creio eu – para
modernizar o aparelho do Estado. Já à partida o processo começou de forma inversa oferecendo aos
municípios a possibilidade de se pronunciarem sobre a reorganização
administrativa de cada território quando isto deveria ser feito logo, desde o início,
por técnicos-especialistas, só dando depois às câmaras a possibilidade de recorrer.
É do conhecimento geral que o poder local, sejam autarquias, sejam freguesias,
nunca foi um grande protagonista de mudanças administrativas, bem pelo
contrário: neste aspecto sempre foi um factor de imobilismo conservador e demasiado
preocupado com a manutenção das suas prerrogativas. Neste contexto é de esperar
que a maior parte dos municípios farão tudo para limitar ao máximo a
remodelação administrativa do território, quase um boicote suave…
Entretanto tivemos no 31 de Março a grande manifestação “retro” em
Lisboa, que foi verdadeiramente uma mostra de Portugal no seu melhor:
milhares de pessoas acompanhadas por grupos folclóricos, acordeonistas e outros
Zés Pereiras, vociferando contra a extinção de freguesias. Francamente incrível:
enquanto muitos países resolveram já há décadas o seu problema de excesso de
entidades minúsculas abaixo do nível de "Câmara Municipal", continua
a ser possível em Portugal mobilizar multidões contra esta reforma tão
necessária. Qual será o mal trocar as Juntas constituídas por via política e
pagas pelo contribuinte, por serviços administrativos, provavelmente de maior
competência, prestados por um funcionário da Câmara? Admito que tenho algumas
experiências traumáticas com Juntas de Freguesias geridas à base de favores e
cunhas, e neste contexto prefiro sem dúvidas um tratamento administrativo
neutro, objectivo e não politizado: tratar dos meus assuntos não pode depender
da benevolência de alguém; é simplesmente um direito meu. Nos países onde as
“freguesias” ou similares foram abolidas, a população recebe apoio
administrativo nas instalações existentes, nos horários habituais: neste
aspecto nada muda.
Para além disso, todos os argumentos utilizados para a manutenção
do “status quo” são de ordem
sentimental, alguns francamente erróneos: por exemplo, como é que livrar o país
dum estado de esmigalhamento extremo poderia afectar a coesão nacional? Não
será antes o contrário? Será socialmente tão saudável convidar a cada quatro
anos as populações destas pequenas sociedades a dividirem-se em grupos políticos
inimigos e ficarem em pé de guerra partidária na altura das eleições locais?
Outro argumento querido pelos “ tradicionalistas irredutíveis” é a
perda da “proximidade” em caso de reforma administrativa: isto era de facto um
bom argumento há cem anos no tempo dos bois, dos burros e dos caminhos de terra
batida; mas agora, em 2012, na era do telemóvel, do e-mail, da videoconferência,
do SMS, com uma rede densa de estradas (por vezes até demais) parece-me um
exagero sem limites.
Quem explicará à Troika que o interior de Portugal - e não
só - ainda anda na época do paternalismo paroquial mais antiquado, e que há
gente que utiliza uma terminologia hilariante do género de “não compreendemos …
que se extingam as freguesias de Podentes e Rabaçal com toda a carga ancestral
e de identidade que as solidifica e enobrece…”, até quase parece uma frase roubada
aos “Monty Pythons”.
Penela optou por só agregar as suas duas maiores freguesias
(criando segundo a imprensa uma mega-freguesia (!) de 3300 habitantes), uma
fusão que na realidade já deveria ter sido feita há meio-século; de facto, não
vemos qualquer semelhança entre São Miguel ou Santa Eufémia e Berlin-Este ou Oeste
e “o muro imaginário” que passa através do edifício nº 28 da Rua de Coimbra só
é visível para os “iniciados” oriundos desta Terra. Assim, Penela irá reduzir o
mínimo possível o número de freguesias (de seis para cinco), mantendo as quatro
mais pequenas o que significa uma reforma minúscula baseada numa Lei mole e muito
pouco exigente. Existem duas possibilidades: ou o Senhor Secretário de Estado e
o Governo ao qual pertence nunca quiseram na realidade uma reforma
administrativa profunda do país, e optaram por montar um esquema para inglês
ver ou então, se o desejo de dotar Portugal de uma administração municipal mais
simples, mais profissional e mais eficaz era mesmo sincero, o Eng.º. Paulo Júlio
deve estar muito, mas mesmo muito desiludido com a sua vila natal.
Quero finalizar - sem qualquer tipo de presunção - com um exemplo esclarecedor.
No fim-de-semana passado estive com dois amigos Portugueses na Bélgica, concretamente
na cidade onde nasci. É uma pequena cidade rural de 20.000 habitantes (Penela tem
quase 6.000) com uma superfície de 120 km2 (Penela 132 km2)
e… não têm nenhuma freguesia. No país referido, desde a reforma administrativa
em 1961 (há 50 anos!), só as cidades com mais de 100.000 habitantes podem
manter um sistema de “subdivisões” ou “freguesias” e – o que é bastante
elucidativo - só uma única, Antuérpia com mais de 500.000 habitantes, aproveita
esta possibilidade.
Conclusões:
1º Penela perdeu a oportunidade de ser um exemplo motivador para o
país inteiro.
2º Uma reforma parcial que não passa de uma pequena intervenção
cosmética e superficial, não serve a Portugal em nada, bem pelo contrário, mais
uma vez arriscamos continuar a correr atrás do comboio da história.
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terça-feira, setembro 18, 2012
A partidocracia hipermadura
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sexta-feira, setembro 14, 2012
As perspectivas deprimentes dos Portugueses
Porque a seguir vem aí outra vez a matilha do Sócrates. Será isto mesmo o destino inevitável para Portugal ? Uma partidocracia estéril, incompetente e auto-repetitiva...?
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segunda-feira, setembro 10, 2012
Ideias estranhas sobre a higiene...
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segunda-feira, setembro 03, 2012
Para rir: as "Universidades" de Verão dos partidos

Eis a definição da palavra "universidade": uma instituição pluridisciplinar de formação de quadros profissionais de nível superior, de pesquisa e de domínio e cultivo do saber humano.
Cada verão, um bocadinho por toda Europa - e, claro, também em Portugal - os partidos políticos organizam as suas famosas "Universidades de Verão"
Estas sessões veraniças de endoutrinação colectiva orquestradas pelos políticos não correspondem em nada à definição referida : não têm nada de "universalidade", ao contrario, são adolescentes e crescidinhos das Jotas, já convencidos, que vão escutar professores igualmente convencidos (alguns talvez com diploma forjado) afim de chegar à conclusão que estão certos, infalíveis e que têm razão. Resumindo: uma grotesca masturbação intelectual em grupo, com direito a tempo de antena.
Devemos proibir os partidos de abusar de uma palavra tão carregada de história, humanismo e universalismo para denominar as suas reuniões em família: o sentido verdadeiro da palavra "Universidade" deveria ser protegido e declarado "Património Espiritual da Humanidade"...
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sexta-feira, agosto 24, 2012
Festa no campo: hábitos discutíveis...
Mentalidade estranha em Podentes - Penela : cada ano repete-se o mesmo ritual estranho e inexplicável: antes da festa nas Vendas, a Junta de Freguesia manda uma equipa que limpa freneticamente a área (cortam as ervas), mas depois da festa nunca mais aparecem e deixam o lixo, papeis e latas no sítio. Como no filme: E O VENTO LEVOU.
Também não entendo como é compatível com a higiene pública, deixar organizar eventos destes sem prever qualquer tipo de instalação sanitária. Os vestígios desta falta estão ainda bem visíveis. "Não importa" pensam eles, "mesmo assim vamos ganhar as eleições em 2013..." E razão têm...
segunda-feira, agosto 13, 2012
Um pouco ridiculo: informação sobre as praias fluviais:
A Blanche Lda., media solutions, editou um "guia das PRAIAS FLUVIAIS" (na zona Centro). Infelizmente o guia peca por incompletude grosseira. Assim vários concelhos com famosas praias fluviais são omitidos: falamos de Figueiró dos Vinhos, da Lousã, de Gois, etc. Ao contrário alguns concelhos aparecem estranhamente no meio de um nomans-land como é o caso de Sabugal ou de Oliveira do Hospital; mesmo o Gavião alentejano tem o seu lugarzinho. No final, é evidente que o critério para aparecer neste guia é uma contribuição financeira da parte dos concelhos mencionados. Não pagas, não apareces. Ainda bem que os mapas do Google ou da Michelin não funcionam nestes moldes. Grátis é, e incompleto também.
terça-feira, julho 10, 2012
Na Relva da Selva
Miguel Selvas, o meu talhante habitual, tem uma experiência
profissional de mais de vinte anos. O homem, bom rapaz, acabou apenas a quarta
classe, mas mesmo assim sabe escrever o seu nome correctamente, num mapa é
capaz de indicar sem qualquer hesitação Lisboa, Porto e mesmo Coimbra e nas
contas de cabeça é muito mais rápido do que qualquer maquineta: um quilo de
febras e quinhentas gramas de morcela dão 8 euros e 40 cêntimos: ...toma! Para
além disso o Miguel é exemplar do ponto de vista social: canta aos Domingos no
coro da Igreja, é campeão de matraquilhos no bar da Associação e nunca bate na
sua mulher. No que diz respeito à sua profissão é especialista em desmanchar
cabritos, em cortar bifes muito fininhos e em preparar salsichas frescas.
Estimado Senhor Reitor da Universidade Independófona,
dirijo-me a Vossa Excelência, a fim de requerer para o meu amigo o diploma de
médico-cirurgião. Devido à sua inegável experiência em mexer em carnes, tendões
e nervos, combinado com o seu rico currículo social, tem sem dúvida direito a
um máximo de equivalências. Por isso, sugerimos que o candidato Miguel só faça
quatro disciplinas semestrais, a saber: Higiene de facas, tesouras e bisturis
(Prof. Anónimo), o cálculo de Honorários lucrativos (Prof. Incógnito),
Técnicas para viajar a custo de Laboratórios (Prof. Ausente) e Métodos para
combinar o Público e o Privado (Prof. Espectro). Finalmente quero
sublinhar que o Sr. Selvas é membro do Partido Sem Complexos e da Carpintaria Internacional.
Aguardando respeitosamente....
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quarta-feira, julho 04, 2012
A Troika de todas as frustrações
No Diário de
Coimbra de 29-06-2012 foi publicado um artigo de opinião da mão do Dr. Horácio
Pina Prata, ex-vereador da cidade de Coimbra, sobre a situação de Portugal na zona euro. O artigo aponta uns erros ortográficos crassos em
palavras-provavelmente-chave como "furher" (Fhhrer), "Goebells" (Goebbels)
ou "Sarkosy" (Sarkozy), mas pronto... Também não peca por delicadeza
evocando o Fhhrer e Auschwitz em conjunto com Frau
Merkel, porque sabemos (quase) todos que a mãe desta última era uma judia
polaca… O autor parece um pouco obcecado com o espectro das colónias (a
Alemanha já não tem colónias desde 1918) e demonstra um medo irracional por um
eventual câmbio do estatuto de Portugal de ex-colonizador para novo-colonizado.
Para além disso, como um verdadeiro kickboxer virtual, distribui pontapés e
murros em todas as direcções, atingindo até o pobre Hollande, amigo íntimo da
Sra.Trierweiler (não me diga, outro nome Alemão!) que é relegado para o papel
de um vulgar colaboracionista do poder de Berlim. Finalmente o artigo -
bastante confuso - acaba referindo-se ao inevitável paralelo entre o futebol e
a política supostamente hegemonista da Alemanha: quer os Alemães postos de
congestão, na linha do Prof. Marcelo que desejava que a cara da Merkel fosse
desfeita… Manifestamente, alguns cronistas
nacionais voam muito baixo.
Para ouvir
vozes um pouco mais sensatas, talvez valha a pena ler alguns extractos de um
artigo recente do excelente jornalista belga Van Overtveldt sobre “o completo
não-senso de ‘martelar’ na Alemanha””.“ …Parece um consenso quase completo atribuir o facto de não existir uma solução para a crise contínua do euro à inflexibilidade dos Alemães. “Martelar” na Alemanha tornou-se um hobby nacional em quase toda a “Eurolândia”, exceptuando os Países Baixos e a Finlândia. É estranho, porque não existem motivos para esta raiva…
….A Alemanha é acusada de quê? Resumindo em poucas palavras, acham que a Alemanha se aproveitou enormemente do euro e agora recusa de ser solidária com os outros países. A realidade é que no início do euro em 1999 a Alemanha era “o homem doente da Europa” (crescimento mínimo, desemprego muito alto, altos défices orçamentais e um balanço comercial desequilibrado); no dia de hoje é de longe a economia mais competitiva do nosso continente… Foi concretamente o chanceler socialista Gerhard Schröder que começou e que continuou uma política de saneamento, flexibilização e moderação orçamental: já nos meados da primeira década do século XXI foi visível que a velha maquinaria social-económica sem fôlego se tinha transformado num conjunto forte e poderoso...
O argumento que defende que a Alemanha vegetou à custa dos outros países não tem fundamento: nada impediu os outros países de governar seguindo o exemplo da Alemanha … Se os outros países se tivessem igualmente transformado no que diz respeito à competitividade, as suas exportações teriam crescido….O crescimento económico não é um “zero sum game”: todos podem ganhar e o bem-estar pode aumentar...
…Agora dizer que a competitividade da Alemanha é exorbitante ou iníqua, evoca a imagem do ciclista que acha que o seu colega obteve uma vitória injusta porque treinou mais e melhor...
…Outro argumento é que os Alemães deveriam ser mais solidários…por outras palavras, sendo o membro financeiramente mais estável e sólido da zona euro, deveria tornar-se garante para as dívidas dos outros (p.ex. através de eurobonds), mas existem várias razões para a sua falta de entusiasmo para esta cenário. De facto, a credibilidade de muitos países em relação à instauração de uma política de saneamento é mais do que duvidosa e, neste contexto, a Alemanha exige mais controlos e participação a nível europeu.
“Não”, dizem países como a Espanha, Itália e França: em primeiro lugar solidariedade e depois eventualmente mais participação. Querem as garantias da Alemanha para todos, sem admitir qualquer tipo de controlo por parte daquele país; é como se estivéssemos obrigado a pôr em circulação o nosso cartão de credito sem qualquer possibilidade de controlar o uso do mesmo.….
A Alemanha quer uma união política com desistência de competências em favor da Europa. É a única maneira inteligente para manter a união monetária. Os que no dia de hoje martelam continuamente na Alemanha, têm outra agenda: querem (ab-)usar da força financeira e orçamental da Alemanha para não serem obrigados a mudar demasiadamente as suas próprias agendas políticas.
segunda-feira, junho 11, 2012
Marcelo e a cara desfeita de Merkel
No contexto do jogo de futebol entre a Alemanha e Portugal, a prima donna dos comentadores "sobre tudo e qualquer coisa " em Portugal declarou aos meios de comunicação que lhe daria «um gozo acrescido ver a cara da senhora Merkel desfeita». O Ex.mo. Sr. Professor Doutor (não será também ele um Engenheiro?) esperava que o resultado do encontro de 11 futebolistas mimados e anormalmente ricos de cá com 11 futebolistas mimados e anormalmente ricos da Alemanha servisse de bastão para desfazer a cara da Chanceler alemã. De facto - na mente do Professor - foi a Angela Merkel que obrigou Portugal a entrar na zona euro e foi ela a responsável pela incapacidade Portuguesa de cumprir os critérios inerentes à adesão. Para além disso, a Merkel não quis compreender que o não-controlo das despesas, o novo-riquismo, a falta de produtividade, a corrupção e a incompetência dos políticos nacionais são simplesmente manifestações da nossa cultura latina que devem ser respeitadas e toleradas..
Não seria intelectualmente mais honesto dizer como Nikos Lekkas, Grego e inspector das finanças a um jornal alemão: " Nos, Gregos, não merecemos misericórdia...(porque a culpa é nossa e de mais ninguém)"? . Estimado Sr. Professor Doutor, declarações como as suas só desprestigiam Portugal e os Portugueses: entretanto a Angela Merkel tenta garantir aos Alemães - incluindo às dezenas de milhares de imigrantes Portugueses - bifes maiores, roupas melhores, escolas melhores e férias melhores do que nos temos. E é verdade: provavelmente não gosta atirar o dinheiro dos contribuintes germânicos em poços sem fundo...
Se os nossos comentadores e políticos tivessem só metade do talento que demonstram Ronaldo, Meireles ou Nani no relvado...
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sexta-feira, junho 01, 2012
Simões expulso, cartão vermelho para Providência
A sua declaração que " só em Portugal é que é possível uma pessoa naquelas circunstâncias ser eleita" não corresponde à realidade. Até existem países onde já foram eleitas pessoas presas na cadeia.
O que é bem típico de um cidadão menos desenvolvido é a sugestão que este caso - falamos de uma peripécia num clube de futebol!- afecta a imagem da cidade inteira. Só quem é leitor exclusivo do Record ou d' A Bola pode opinar que o prestigio de uma cidade milenar como Coimbra é dependente da vida interna de um clube de futebol (não é para rir?: Paris condicionado pelo Paris St. Germain, Roma pela Lazio e Berlim pelo Hertha).
Compreendemos que quem só tem o desporto como referência para se perpetuar nas poltronas da Câmara, tenha tendência a sobrevalorizar o impacto do mesmo e - quem sabe - nesta época de crise o povo talvez precise de uma dose mais forte de ópio.
Conclusão: de políticos que gostam de se referir ao Cristianismo, esperamos atitudes um pouco mais impregnadas de misericordia e de indulgência, até porque o Filho de Deus também disse: quem dentre vós estiver sem pecado, lance a primeira pedra.
quinta-feira, maio 31, 2012
A imprensa estrangeira sobre a fome das crianças Portuguesas
O jornal belga "Het Laatste Nieuws" publica hoje um artigo com o título "Milhares de crianças Portuguesas vão à escola de estômago vazio". O texto refere-se a fontes da Unicef e estipula que isto é só o início do drama.
http://www.hln.be/hln/nl/960/Buitenland/article/detail/1446727/2012/05/31/Duizenden-Portugese-kinderen-gaan-met-lege-maag-naar-school.dhtml
No que diz respeito aos jovens portugueses com menos de 16 anos, a Unicef considera que 27% sofrem de dificuldades económicas (só a Letónia, Hungria, Bulgária e Roménia estão piores). O mesmo relatório considera que uma criança deve dispor de 3 refeições por dia, um sítio tranquilo para fazer os trabalhos de casa, uma ligação à Internet, dois pares de sapatos e a possibilidade festejar um evento especial, por exemplo, um aniversário. No caso de quase a metade das crianças portuguesas (46%) que vivem em famílias monoparentais isto não acontece (em Espanha 15%). Para crianças em famílias desempregadas a situação é ainda mais grave: 73% não atinge os mínimos indicados pela Unicef. A pobreza juvenil é três vezes superior à da na República Checa.
Faço a pergunta : as conquistas e Abril são quais exactamente? a liberdade de eleger tipos e tipas que conseguiram 3 vezes em 30 anos conduzir o país para a insolvência ? a liberdade de pagar durante gerações estádios e autoestradas inúteis? a liberdade de ser confrontado no parlamento e nos governos, dia após dia, com vaudevilles, escândalos e fantochadas ? a liberdade de continuar na ponta da cauda da Europa e deixar-se ultrapassar, um a um, por todos os outros países? Shame one you, políticos!
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segunda-feira, maio 28, 2012
Penela: duplamente desfigurada.
O que apenas há alguns meses era um enorme espaço verdejante com florestas, montes, vinhas e olivais transformou-se num deserto mutilado. A paisagem bucólica que os primeiros Reis de Portugal de certeza observaram a partir do castelo de Penela com carinho e orgulho, deixou de existir. Os incêndios florestais do último mês de Março destruíram a flora (e a fauna?) numa grande escala. Todavia existe uma ideia consoladora: a enorme força regeneradora da natureza permite esperar que daqui a alguns anos este aspecto do drama vivido em Penela seja ultrapassado. O que no entanto é irrecuperável são os estragos infligidos pelo ser humano, nomeadamente pelo tipo de Homem que acha que pode recolher prestigio eterno através de obras faraónicas. O novo traçado do IC3, feio e impessoal como todas as autoestradas, deixará para sempre uma cicatriz incurável na cara de Penela. É impressionante ver como existem pessoas capazes de sacrificar o seu bem mais precioso, a natureza, no altar das ilusões e das quimeras. Aqui também somos confrontados com um caso similar aos denunciados por Luís Filipe Menezes: uma autoestrada inútil e excepcionalmente cara. Aqui também a JSD terá a possibilidade de organizar grandes sardinhadas num ambiente de tranquilidade absoluta....Más serão sardinhas a preço de caviar e a pagar pelas gerações futuras.
Observação picante: os juízes do Tribunal de Contas queixam-se de ter sido induzidos em erro para aprovar cinco auto-estradas, no valor de dez mil milhões de euros. Pobres ingénuos que acham que toda esta fúria para construir autoestradas é só motivada pelo bem comum...
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quarta-feira, maio 16, 2012
O Serviço Nacional de Saúde: um duche frio
Hoje foi publicado em vários órgãos da imprensa internacional um Relatório da Health Consumer Powerhouse com um índice nacional dos sistemas de saúde. Quem sempre esteve a glorificar sem reservas o sistema Português (uma das grandes conquistas do 25 de abril, etc. etc.) como sendo um dos melhores do Mundo (sic) deve equiparar este estudo imparcial a um duche frio, mesmo gelado. De facto, este documento coloca Portugal na escala mais baixa da Europa Ocidental na companhia de alguns países de Leste como a Lituânia, Albânia e Hungria. Países como o Chipre, Eslovénia, Eslováquia e Croácia ultrapassaram de passo alegre o país do S.N.S. "modelar". O relatório critica várias situações que podem ser consultadas em (http://www.healthpowerhouse.com/files/ehci-2012-press-portugal.pdf). Vão contrapor que tudo isso é a culpa da crise, mas notem que a Islândia, até há pouco tempo completamente falida, se encontra num brilhante terceiro lugar. Ninguém discuta a necessidade de um serviço público de saúde para todos e completamente gratuito para os economicamente fracos: o que falta é um SNS com alguma qualidade. Qualquer um que já passou por um hospital ou uma urgência sabe que é quase sempre uma experiência humilhante: um clima de promiscuidade, de desconforto, de confusão, de carência e de frieza burocrática. Não é de estranhar que nas (geralmente inconfortáveis) salas de espera, se encontre pouca gente "fina": pois têm as cunhas necessárias e conhecem os caminhos adequados para escapar a este tipo de purgatório ou, simplesmente, recorrem a instituições privadas ou estrangeiras. Quando há alguns dias, o Dr. Arnaut, pai espiritual do SNS, disse recear que o SNS ia se transformar num serviço de segunda categoria exclusivamente para pobres, só estava equivocado num único ponto: pois, já é assim... O SNS é um bem social precioso, mas necessita de mais qualidade, mesmo muito mais, para chegar a um nível aceitável para a Europa Ocidental. Talvez algumas autoestradas, estádios e rotundas a menos teriam permitido ser mais magnânimo num sector vital para este povo em sofrimento.
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terça-feira, maio 15, 2012
Hollande: Mr. Normal ou Mr. Banal?
Só hoje começou a presidência de François Hollande, o famoso Mr. Normal (ou Banal?) e o novo inquilino do Eliseu já está sob pressão. Quando no dia da sua "entronização" referiu a Jules Ferry, um presidente do fim do século XIX, como exemplo da laicidade e do ensino público, esqueceu-se de que Ferry era também um colonialista com ideais racistas, o que provocou reacções imediatas de muitos africanos que tinham votado em Hollande. Outro caso: Hollande tinha declarado durante a sua campanha que nunca admitiria colaboradores políticos com "antecedentes"criminais. Todavia, hoje nomeou como Primeiro Ministro Jean-Marc Ayrault, o Presidente da Câmara Municipal de Nantes, condenado em 1997 a uma pena (suspensa) de 6 meses de prisão e 30 000 francs (4 600 euros) de multa por favorecimento ilegal a uma empresa encarregada da edição do Boletim Municipal. Tudo isso indica que os meios de comunicação favoráveis à direita vão pagar a Hollande e aos socialistas na mesma moeda que foi utilizada para perseguir Sarkozy: com ataques contínuos e incessantes.
Todavia, para mim a questão fulcral é esta: será Hollande capaz de manter um bem muito precioso para os povos europeus: a amizade e a colaboração entre a França e a Alemanha, um pilar essencial para a paz e a prosperidade no nosso continente? Enquanto Angela. Merkel pode mostrar resultados (hoje mesmo ficámos a saber que a economia alemã esta a crescer além do previsto), François Hollande só tem a sua retórica socialista que necessita ainda de dar provas. Sabendo que ninguém, nem amigos nem inimigos, lhe vão lhe dar muito tempo....
Todavia, para mim a questão fulcral é esta: será Hollande capaz de manter um bem muito precioso para os povos europeus: a amizade e a colaboração entre a França e a Alemanha, um pilar essencial para a paz e a prosperidade no nosso continente? Enquanto Angela. Merkel pode mostrar resultados (hoje mesmo ficámos a saber que a economia alemã esta a crescer além do previsto), François Hollande só tem a sua retórica socialista que necessita ainda de dar provas. Sabendo que ninguém, nem amigos nem inimigos, lhe vão lhe dar muito tempo....
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quarta-feira, maio 09, 2012
Acabou o Magalhães, viva o PUPILTAB
A nova tablet Pupiltab para alunos, desenvolvida por uma empresa belga, manda o portátil Magalhães, um dos emblemas da governação de Sócrates para os livros de história. Vários modelos a partir de 75 euros, com imensas possibilidades.
http://www.ideasonculture.com/infobrochure-tablets.pdf
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A triste "istória" do Português em Portugal
Em Lisboa, a professora da minha neta mandou riscar a letra "h" da palavra história. É o novo acordo ortográfico? Alguém pode me explicar o que se passa com a língua Portuguesa? É que eu já não entendo nada. O que fazer? Talvez uma grevezinha contra o rigor: ortográfico ou outro...
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