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quarta-feira, julho 04, 2012

A Troika de todas as frustrações


No Diário de Coimbra de 29-06-2012 foi publicado um artigo de opinião da mão do Dr. Horácio Pina Prata, ex-vereador da cidade de Coimbra, sobre a situação de Portugal na zona euro. O artigo aponta uns erros ortográficos crassos em palavras-provavelmente-chave como "furher" (Fhhrer), "Goebells" (Goebbels) ou "Sarkosy" (Sarkozy), mas pronto... Também não peca por delicadeza evocando o Fhhrer e Auschwitz em conjunto com Frau Merkel, porque sabemos (quase) todos que a mãe desta última era uma judia polaca… O autor parece um pouco obcecado com o espectro das colónias (a Alemanha já não tem colónias desde 1918) e demonstra um medo irracional por um eventual câmbio do estatuto de Portugal de ex-colonizador para novo-colonizado. Para além disso, como um verdadeiro kickboxer virtual, distribui pontapés e murros em todas as direcções, atingindo até o pobre Hollande, amigo íntimo da Sra.Trierweiler (não me diga, outro nome Alemão!) que é relegado para o papel de um vulgar colaboracionista do poder de Berlim. Finalmente o artigo - bastante confuso - acaba referindo-se ao inevitável paralelo entre o futebol e a política supostamente hegemonista da Alemanha: quer os Alemães postos de congestão, na linha do Prof. Marcelo que desejava que a cara da Merkel fosse desfeita… Manifestamente, alguns cronistas nacionais voam muito baixo.
Para ouvir vozes um pouco mais sensatas, talvez valha a pena ler alguns extractos de um artigo recente do excelente jornalista belga Van Overtveldt sobre “o completo não-senso de ‘martelar’ na Alemanha””.
“ …Parece um consenso quase completo atribuir o facto de não existir uma solução para a crise contínua do euro à inflexibilidade dos Alemães. “Martelar” na Alemanha tornou-se um hobby nacional em quase toda a “Eurolândia”, exceptuando os Países Baixos e a Finlândia. É estranho, porque não existem motivos para esta raiva…
….A Alemanha é acusada de quê? Resumindo em poucas palavras, acham que a Alemanha se aproveitou enormemente do euro e agora recusa de ser solidária com os outros países. A realidade é que no início do euro em 1999 a Alemanha era “o homem doente da Europa” (crescimento mínimo, desemprego muito alto, altos défices orçamentais e um balanço comercial desequilibrado); no dia de hoje é de longe a economia mais competitiva do nosso continente…
Foi concretamente o chanceler socialista Gerhard Schröder que começou e que continuou uma política de saneamento, flexibilização e moderação orçamental: já nos meados da primeira década do século XXI foi visível que a velha maquinaria social-económica sem fôlego se tinha transformado num conjunto forte e poderoso...
O argumento que defende que a Alemanha vegetou à custa dos outros países não tem fundamento: nada impediu os outros países de governar seguindo o exemplo da Alemanha … Se os outros países se tivessem igualmente transformado no que diz respeito à competitividade, as suas exportações teriam crescido….O crescimento económico não é um “zero sum game”: todos podem ganhar e o bem-estar pode aumentar...
…Agora dizer que a competitividade da Alemanha é exorbitante ou iníqua, evoca a imagem do ciclista que acha que o seu colega obteve uma vitória injusta porque treinou mais e melhor...
…Outro argumento é que os Alemães deveriam ser mais solidários…por outras palavras, sendo o membro financeiramente mais estável e sólido da zona euro, deveria tornar-se garante para as dívidas dos outros (p.ex. através de eurobonds), mas existem várias razões para a sua falta de entusiasmo para esta
cenário. De facto, a credibilidade de muitos países em relação à instauração de uma política de saneamento é mais do que duvidosa e, neste contexto, a Alemanha exige mais controlos e participação a nível europeu.
“Não”, dizem países como a Espanha, Itália e França: em primeiro lugar solidariedade e depois eventualmente mais participação. Querem as garantias da Alemanha para todos, sem admitir qualquer tipo de controlo por parte daquele país; é como se estivéssemos obrigado a pôr em circulação o nosso cartão de credito sem qualquer possibilidade de controlar o uso do mesmo.….
A Alemanha quer uma união política com desistência de competências em favor da Europa. É a única maneira inteligente para manter a união monetária. Os que no dia de hoje martelam continuamente na Alemanha, têm outra agenda: querem (ab-)usar da força financeira e orçamental da Alemanha para não serem obrigados a mudar demasiadamente as suas próprias agendas políticas.


terça-feira, outubro 27, 2009

Há 2000 anos : uma batalha decisiva para a história Europeia

Em vários países da Europa ocidental observamos um fenómeno estranho : alguns chefes ou reis tribais que, na época romana, falharam em repelir o invasor romano e que consequentemente perderam a sua independência, obtiveram o estatuto de " herói nacional". Falamos entre outros de Vercingetorix em França, de Viriato em Portugal, de Ambiorix na Bélgica, da "rainha" Boudica na Ingelaterra. Existe no entanto uma excepção, a do Arminio (Hermann) o valoroso guerreiro da tribo germânica dos Cherusci que há exactamente dois mil anos definiu pelas armas o aspecto actual da Europa. No inicio da nossa era, Arminio, aliou-se às tribos dos Marsi, Bructeri e Chatti para defender a Germânia da conquista romana. Em Setembro do ano 9, a sua táctica astuciosa de emboscadas resultou na destruição completa das 3 legiões que se tinham infiltrado no interior da Germânia Inferior sob o comando de Publis Quinctilius Varus. A batalha, que se desenrolou perto do monte "Kalkriese Berg" nos arredores da actual Osnabruck, significou a derrota completa dos Romanos nesta região e causou uma mudança radical na politica imperial que resultou finalmente no abandono do Norte e do Centro da Germânia pelo imperador Tiberio em 17 AD : assim o Reno tornou-se uma fronteira definitiva entre dois mundos. A vitoria obtida por Arminio nesta batalha ("der Varusschlacht" ) tem uma importância histórica que dificilmente pode ser sobrestimada : evitou uma romanização iminente dos povos germânicos na Europa (como aconteceu aos Gauleses e aos Ibéricos) e préprogramou a queda de Roma alguns séculos mais tarde. Sem Arminio provavelmente a Alemanha nunca teria existido, os Britânicos nunca teriam falado uma língua anglo-saxónia, os Visigodos nunca teriam invadido a Lusitânia : quem sabe se império romano ocidental - exactamente como o Bizantino - não teria durado mais um milénio? É bom recordar que há 2000 anos, nas florestas escuras do além-Reno, um jovem "bárbaro" moldou com a sua espada sangrenta a história da Europa e do Mundo para sempre. http://www.imperium-konflikt-mythos.de/
2000 jaar geleden betekende de "Varusschlacht" de verdeling van West-Europa in een Latijnse en een Germaanse invloedszone.