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quinta-feira, maio 15, 2014

A Europa dos Estados ou a Europa dos Povos?


                       
(publicado no jornal "Região do Castelo"
Demos por um momento liberdade à nossa imaginação e supomos que na época da Restauração, Dom João IV tinha perdido todas aquelas batalhas entre 1640 e 1665 e, que consequentemente o nosso país ficava manu militari submetido à coroa dos Habsburgos filipinos. É muito provável que nesta situação Portugal teria continuado dentro do reino vizinho com o estatuto duma região de algum modo autónoma, mas de certeza iria sobreviver no fundo da alma deste povo a aspiração indomável à independência total.
Neste cenário hipotético, não soa muito irrealista supor que Portugal numa guerra civil, como a de 1936, também iria ter tentado conquistar a sua liberdade de mão armada tal como os Catalães e Vascos. Más não, não vamos tão longe e imaginamos simplesmente que após quase quatro séculos, teria finalmente chegada a liberdade e democracia a toda a Península. Sob a manta da Pax Europeia supranacional, o povo de Portugal teria pensado que chegara o momento de poder escolher livremente o seu destino, sem necessidade de recorrer a armas, guerra ou terrorismo: manter-se na estrutura estatal existente ou então sair dela e optar por a independência.
Nada disso caros leitores, não é isso que se verifica, não é esta lógica que se aplica.
Nos dias que correm, num contexto idêntico mas real, os “tenores” da Comunidade Europeia vêm negar publicamente a vários povos do velho continente o direito de definir o seu futuro como comunidade por meio de uma votação livre e democrática.
Por outras palavras, “ indivíduos” que não foram eleitos por ninguém, ameaçam antecipadamente expulsar da C.E., os que teriam a ousadia de definir o seu futuro mediante o sufrágio universal.  
Será que falamos de regiões subdesenvolvidas que não têm nenhuma hipótese de sobreviver economicamente e que só irão criar problemas à comunidade internacional? Não, falamos de futuros países com um PIB per capita na ordem dos 26.500€ no caso da Catalunha, dos 32.600€ como a Flandres, dos 28.900€ como o País Vasco e dos 41.000€ como a Escócia (desta última tendo em conta as suas enormes reservas energéticas).
Será que falamos de fantasias nacionalistas recentes? Não, trata-se de povos e regiões existentes e identificados no mapa da Europa há muitos séculos e, que fazem intimamente parte da história humana e cultural deste continente. Todos eles foram incorporados num estado “plurinacional” dentro do qual se sentem abusados e explorados. F oram “integrados” por meio de casamentos reais, intervenções militares ou tratados internacionais contudo nunca foram consultados os seus cidadãos.
Também foi o caso dos Croatas, dos Eslovenos, dos Lituanos, dos Estónios, etc. , todavia estes receberem o aval da comunidade internacional para independentizar-se; como também recentemente uma ilha minúscula no Pacífico e o problemático Sudão do Sul.
A mais terrível prova da insensatez de diversas instâncias internacionais é, sem dúvida, o Kosovo. Em 1999, pela primeira vez desde da segunda Guerra Mundial, um país europeu foi selvaticamente bombardeado: a OTAN fustigou durante mais de dois meses a Sérvia a fim de “convencer” aquele país a largar a sua província histórica
do Kosovo, porque devido a fluxos migratórios no último século, tinha agora uma maioria etnicamente albanesa. Actualmente, o Kosovo é um país insustentável, reconhecido por poucos (Portugal fê-lo mas não a Espanha), com um PIB de 7400€/capita e que se aguenta à base da caridade internacional. 
Entretanto o Sr. Barroso e outros Van Rompuy ´s vêm ameaçar os cidadãos de Barcelona, Edimburgo, Antuérpia e Bilbao para não pensar em independência à pena de serem banidos da C.E., uma posição prepotente e injusta, que mais uma vez prova que a construção Europa na sua forma actual não pertence aos povos nem às pessoas mas sim aos Estados anónimos e à nomenclatura residente em Bruxelas. Cada vez mais compara-se a Comissão ao Politburo da defunta URSS: onde tudo é decidido nas antecâmaras e em “petit comité”.
E o papel de Portugal em tudo isto? Querendo ou não, para estes povos que sonham com a independência, o nosso país continua, neste aspecto, a ser um exemplo. Conseguiu manter a sua independência durante oito séculos ultrapassando todas as crises de qualquer natureza: a confluência perfeita e bem-sucedida do povo, nação e estado.
Da minha parte, creio que Portugal deveria assumir, sem hostilizar as instituições existentes, um papel de padrinho benevolente para estas novas nações em via de nascimento. É um facto que um espaço ibérico onde convivessem além do Reino de Espanha e a República Portuguesa, também uma nação Catalã e uma Vasca (e uma Galega?) dar-nos-ia uma outra dimensão.
É também um facto que a nível europeu, quanto maior o número de países pequenos/médios com ego próprio, maior será o seu peso para contrabalançar a hegemonia dos grandes.
Concluindo, ninguém é obrigado a simpatizar com as aspirações dos povos acima mencionados, mas também ninguém pode ficar indiferente quando lhes for negado o direito básico de decidir de maneira democrática o seu próprio futuro.


PS 1. Teremos uma dívida de honra? Os historiadores afirmam que uma das razões pelas quais Felipe III não se pôde concentrar totalmente na “reconquista” de Portugal nos anos 1640-1650 é que estava a braços com uma revolta na Catalunha. Entretanto Portugal ganhou algum tempo para se preparar militarmente.

PS 2. Há algumas décadas atrás, uma certa esquerda tinha declarado o óbito definitivo do nacionalismo, derrotado pelo internacionalismo operário; enganaram-se bastante porque está mais vivo do que nunca. A barba do velho Marx está cada vez mais depenada…

 

segunda-feira, julho 01, 2013

Desprezar os Flamengos, a maneira errada de "vender" Portugal...


Nos dias 29 e 30 de junho 2013 organizou-se em Bruxelas, capital da Bélgica, no Parque do Cinquentenário (Parque du Cinquantenaire - Jubelpark) , um evento, chamado " Le meilleur de Portugal", com a intenção de promover a cultura, serviços e produtos Portugueses. Segundo o cartaz os organizadores eram o eurodeputado do CDS-PP, Nuno Melo, a CAP e a Ponte, uma Associação para a Promoção da Cultura Lusófona na Bélgica; a iniciativa era apoiada -entre outros- pelo Governo de Portugal e pela Embaixada de Portugal em Bruxelas. Diversas empresas Portuguesas deram o seu contributo.
A Bélgica é um país com um equilíbrio linguístico delicado: de facto, após um século de domínio cultural, político e económico dos francófonos, a Flandres - onde vive 3/5 da população belga - conseguiu libertar-se do jugo francófono e obter o reconhecimento da sua identidade cultural. Assim a Bélgica tornou-se num estado federal com basicamente uma zona unilíngue néerlandófona (a Flandres, no Norte), uma zona unilíngue francófona  (a Valónia, no Sul) e uma zona oficialmente bilíngue, a capital Bruxelas.
Para a pequena história, devemos mencionar que a Flandres produz aproximadamente 2/3 do PIB belga, tem as suas contas globalmente em ordem e subvenciona há décadas - com enormes transferes de dinheiro - o Sul, sempre deficitário mas, mesmo assim, teimosamente socialista há mais de um século..
Quem é hospede da Bélgica deveria conhecer estas realidades e tomá-las em conta quando quer promover naquele país a cultura e os produtos Portugueses: ignorar a língua oficial da grande maioria dos Belgas é sem duvida uma falta grave de educação e constitui uma ofensa para os Flamengos.
Claro, pode muito bem ser que a Super Bock, o café Delta, a TAP e as outras empresas participantes não tenham a mínima vontade de comercializar os seus serviços e produtos na parte economicamente mais forte, mais povoada e com mais poder de compra da Bélgica , e - se for esta a estratégia - estão no bom caminho e agiram bem.
Todavia, seria bom que alguém explicasse aos responsáveis Portugueses em Bruxelas que o desrespeito pela língua de 6 milhões de Belgas dentro das suas próprias fronteiras é sentido como uma provocação e causa antipatias, especialmente quando oriundo de um país que é extremamente exigente - e com todo o direito - em relação ao uso do idioma nacional no seu próprio território.
Tenho conhecimento que os muitos Portugueses que habitam hoje em Flandres e que frequentemente têm o Néerlandês como segunda língua e não o Francês, concordam plenamente com este ponto de vista.
Para além disso, não é uma das regras básicas de qualquer actividade comercial, tentar criar no potencial cliente empatia e simpatia, evitando de irritá-lo desde o primeiro contacto?

Finalmente, para ser completo, quero mencionar que contactei várias vezes o gabinete do eurodeputado Nuno Melo, com mais de um mês de antecedência ao evento e só recebi - mesmo insistindo - respostas evasivas, sem a mínima vontade real de remediar esta situação. Hoje conversei  também com o Sr. Carvalho, da Associação a Ponte, que também só utilizou subterfúgios para explicar o acontecido. Igualmente contactado hoje, o representante da CAP em Bruxelas, teve a reacção mais sensata e construtiva, prometendo que para o próximo ano ia recorrer à minha ajuda para traduzir o cartaz.
Amigos Portugueses, quem quer ainda aplicar na Bélgica o slogan "et pour les Flamands la même chose" vive na época errada e é bom que soubesse que na altura a resposta à esta provocação era: " Geen Vlaams, geen centen", o que em tradução livre significa "Quem despreza a nossa língua, não merece o nosso dinheiro". 

"Minha pátria é minha língua", não foi o que disse o maior poeta Português de todos os tempos?

(Podem eventualmente reagir nos e-mails abaixo mencionados)

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Op 29 en 20 juni 2013 werd in het Jubelpark in Brussel een "event" georganiseerd met de bedoeling de Portugese cultuur, diensten en produkten beter bekend te maken. Jammer genoeg werd alle voorafgaande promotie alleen gevoerd in het Frans (en natuurlijk Portugees). Ik kontakteerde de organisatoren en wees hen erop dat de meerderheid der Belgen Nederlands spreekt en dat Brussel officieel tweetalig is. Één antwoordde met uitvluchten, een andere stelde dat  hij alleen Frans en Engels nodig heeft om in ons land handel te drijven, de derde (CAP = Portugese Boerenbond) beloofde beterschap. Wie mijn standpunt deelt kan, op beleefde en vriendelijke wijze, zijn mening meedelen aan
nuno.melo-office@europarl.europa.eu 
infos@ponte.be 
cap.bxl@skynet.be






quinta-feira, junho 13, 2013

Há muito para fazer - ou - haveria um erro nas minhas contas?

Hoje, o governo da Região Autónoma da Flandres publicou um relatório sobre as exportações agrícolas em 2012. Segundo Kris Peeters, o Presidente daquela  Região, as exportações agrícolas (no sentido largo da palavra) cresceram com 8% em 2012 . Assim as exportações da agricultura flamenga atingiram  80% das exportações totais da Bélgica neste sector (aproximadamente 30 mil milhões de um total de 38,4 mil milhões de euros). A Flandres tem uma superfície de 13.600 km2, um pouco mais do que a metade do Alentejo (26.150 km2) com uma população de aproximadamente 6 milhões de habitantes, o que significa que não existem aí muitos espaços abertos.
Segundo o  INE a agricultura Portuguesa exportou em 2011 2.225 milhões de euros (um crescimento de 13% em relação a 2010). As duas fontes abaixo mencionadas indicam mais ou menos o mesmo valor

http://www.dinheirovivo.pt/Economia/Artigo/CIECO057622.html
http://www.mundoportugues.org/content/1/11370/sector-primario-portugal-dominado-pela-agricultura-vale-mil-milhoes-euros/

Podemos concluir que a tarefa básica de Portugal existe antes de tudo em trabalhar, desenvolver, estudar, criar, inovar e menos em gritar, manifestar, fazer greve, erguer punhos ou cantar "Grândola..." ou então - outra alternativa - pode sair de uma Comunidade Económica onde os resultados  contam e sempre vão contar. Para ficar mais uma vez "orgulhosamente só..."

PS. Por motivos de honestidade intelectual devemos mencionar que os números apresentados da Flandres incluem produtos transformados da agricultura  como são a cerveja ou o chocolate, facto  que pode alterar de algum modo a diferença entre Portugal e a Flandres.

segunda-feira, junho 03, 2013

Embaixador em Portugal de uma das melhores cervejas do Mundo



Foi para mim uma grande honra, ser eleito "Embaixador em Portugal para 2013" de uma das melhores cervejas do Mundo, a "Gulden Draak". A "Gulden Draak" é uma cerveja belga de fermentação alta e deliciosamente aromática, produzida numa fábrica de cerveja familiar e tradicional situada em Ertvelde, uma aldeia no coração da Flandres, mais concretamente nos arredores da cidade de Gent (Gand). O símbolo desta cerveja, que vemos nos copos e nas garrafas, é o Dragão Dourado, estátua emblemática colocada na ponta do campanário do Belfort da cidade referida. Para ser completo, publico aqui uma ficha técnica desta maravilha engarrafada. Atenção, esta ficha não foi elaborada por mim!

sexta-feira, março 13, 2009

Angola ou desemprego....


Ontem, Belmiro de Azevedo e Daniel Bessa defenderam a importância de Angola para o combate ao desemprego em Portugal. O "patrão" da Sonae, declarou mesmo que "às vezes, o que é mais difícil em Portugal é uma certa cultura, é as pessoas quererem emprego ali ao lado". Permitam-me ter uma opinião diferente. É evidente que num momento de crise aguda como agora Angola e outros sítios podem constituir um remédio temporário para aliviar o sofrimento económico das famílias. Todavia a médio e longo prazo, nunca pode ser um objectivo dum país ou dum povo com alguma auto estima, colocar um parte da sua população - a que trabalha -em situação de mobilidade continua. Obrigar as pessoas a trabalhar longe da região onde habitam - seja dentro ou fora do país - significa nem mais nem menos um fiasco do sistema. Posso dar o exemplo da minha terra natal, onde o movimento nacionalista flamengo quis desde sempre acabar com a necessidade económica dos flamengos para ir procurar trabalho na Valónia francófona ou nos países vizinhos. Era considerada uma situação humilhante e eticamente injustificável. Um dos seus sloganes básicos foi sempre "queremos trabalho na nossa própria região". Sob este impulso, a Flandres conseguiu atrair muito investimento estrangeiro e parou o vai-e-vem escandaloso de seres humanos. Graças a esta evolução a Flandres tornou-se uma das regiões mais prósperas da Europa. A mobilidade dos trabalhadores nunca pode ser um trunfo-mor nas mãos do patronato : aqui fechamos, vocês emigrem para Angola...
Een der topbazen van de Portugese bedrijfswereld stelde gisteren dat de Portugese werknemers een wat bekrompen mentaliteit hebben omdat ze dicht bij huis willen werken. Wie de Vlaamse ontvoogdingsstrijd kent weet dat een der eerste eisen van de Vlaamse beweging altijd was "werk in eigen streek" en zo te zien met goed gevolg...

quarta-feira, dezembro 24, 2008

Na Bélgica : "a queda de um anjo"


O Senhor Yves Leterme, ex-Primeiro Ministro da Bélgica deve ser um Homem amargado. Até há pouco tempo, tinha um currículo perfeito e imaculado como ministro-presidente do Governo Regional da Flandres : ainda não havia crise económica e a Flandres prosperava como nunca antes. Não tenham dúvidas : Yves Leterme era um politico bem sucedido e muito popular. Mas, no maldito ano de 2007, achou que tinha chegado o momento para saltar mais alto e entrar na política federal. Apresentou-se às eleições federais de 2007, como cabeça de lista do principal partido da Flandres, o Cristão-Democrata. Foi o canto do cisne do Yves : ganhou as eleições de uma maneira fulgurante e foi quase plebiscitado para ser 1º Ministro; conseguiu o tacho, mas a partir daí, a sua carreira começou a descer a pique. Yves nunca foi muito querido entre os francófonos porque pareceu personificar o flamengo emancipado, consciente dos seus direitos , que eles não apreciam minimamente. Mas agora, quando Yves começou a engolir uma promessa básica do seu programa eleitoral, para fazer num apice (sic) a reforma do estado no sentido exigido pela opinião flamenga (e também pelo Tribunal Supremo belga), afastou, não só o NVA, um pequeno partido seu aliado, mas também uma parte substancial da sua base eleitoral, a maioria silenciosa do povo flamengo. Para além disso, tornou-se o Rei das gaffes, quando, no dia nacional da Bélgica, cantou, em frente das televisões, a Marseillaise, confundindo-a com o hino belga . Como chefe do governo, Yves mostrou duas facetas contraditórias : a de pessoa insegura , instável e a de teimosa, irredutível. Apresentou num curto lapso de tempo 3 vezes a sua demissão, sempre recusada pelo Rei Alberto. Finalmente o escândalo das pressões exercidas pelo seu governo sobre o sistema judiciário, em relação com a venda precipitada do banco Fortis, empurrou Yves para o abismo político. Exit. Quantas vezes já vimos esta imagem de pessoas que querem ser maiores do que a sua sombra : Yves podia ter sido o politico mais poderoso na Flandres durante muitos anos , mas preferiu mergulhar no lago de águas turvas do governo federal belga. Um lago cheio de crocodilos e piranhas...
Yves Leterme had alles om gedurende vele jaren de onaantastbare Minister-President van Vlaanderen te zijn. Maar hij verkoos te zwemmen in de troebele vijver van de federale Belgische politiek, een vijver vol met krokodillen en piranhas...

terça-feira, setembro 16, 2008

Discriminação da maioria Flamenga na Bélgica (1)


As Finanças belgas tratam de maneira injusta e discriminatória os contribuintes flamengos. A esta conclusão chega o ex-ministro do Orçamento, Johan Vande Lanotte (Partido Socialista)com base nos seguintes numeros.
Na Flandres a percentagem dos contribuintes que não pagaram os seus impostos no último ano e que ainda não foram incomodados pelos serviços competentes do Estado oscila entre os 6,5% (Antuérpia) e 11,6% (Louvania); na parte francófona do pais, a situação é bastante diferente: entre 26% (Namur) e 46,6% (Charleroi) dos contribuintes em falta ainda não foram intimidados pelo fisco.
Autorizando estas diferenças intoleráveis, o Estado belga patrocina outra vez uma transferência injustificável de dinheiros da Flandres para a Valonia.
Qousque tandem, Bélgica,abutere patientia nostra?
Wie binnen zijn belastingen niet betaalt wordt vooral in Vlaanderen daar binnen het jaar voor lastig gevallen door de fiskus. In Wallonie is dat veel minder. Weer wat discriminatie...

segunda-feira, setembro 08, 2008

De Gordel, a Cintura Sagrada que circunda Bruxelas….


Ninguém tem dúvidas sobre a origem flamenga de Bruxelas.
Todavia aquela cidade, da qual o nome significa (casa no pântano = broek-seele), foi submetida a uma “francofonização” sistemática por parte do Estado belga unitário, de tal maneira que os Flamengos actualmente só formam uma minoria na capital do reino belga (talvez 10% dos citadinos). Deve ser um facto único no mundo que uma grande maioria (60%) da população que produz 70% do PIB do seu país, deve chamar à capital uma cidade onde dificilmente pode ser entendida na sua própria língua.
Assim, Bruxelas constitui hoje em dia uma ilha multilinguística (mas prepronderantemente francófona), circundada por território flamengo. Nos últimos 50 anos, muitos francófonos mudaram para a circunferência flamenga de Bruxelas, uma zona evidentemente mais rural e mais verde do que a capital, recusando desde o inicio adaptar-se à cultura existente. São basicamente motivados pela mesma arrogância cultural que incitou Charles Maurras nos anos ’30 a chamar o Português “um dialecto” em comparação com a nobre língua francesa. Na Flandres todos os imigrantes – Turcos, Russos, Italianos, Polacos ou Portugueses – adaptam-se à realidade administrativa e cultural da Terra onde foram acolhidos, os francófonos não. Utilizam sempre o mesmo estratagema: juntam-se, isolam-se, criam partidos e tentam tomar o poder politico nas aldeias onde lhes apetece e depois… começam a reclamar privilégios linguísticos para finalmente exigir o recorte daquele município do mapa da Flandres. É como se no concelho de Albufeira ou Loulé houvesse uma maioria de residentes Espanhóis (ou Ingleses) que após ter ganho as eleições contra a população autóctone, começasse a recusar a aplicação da legislação sobre o uso do Português na administração e no ensino e exigir a integração daquele município na Espanha (ou no Reino Unido).
Para deixar bem claro que nunca vão abdicar dos seus direitos sobre aquelas vilas e aldeias da Cintura de Bruxelas, a comunidade flamenga organiza cada ano uma volta a Bruxelas em bicicleta para cicloturistas. Uma manifestação desportiva, lúdica e pacífica que conta em média com uma participação de 50 a 80.000 pessoas.
Foi ontem e – mais intolerantes do que nunca – os francófonos tentaram boicotar a manifestação arrancando postos de sinalização e semeando pioneses nas estradas.
De facto queriam impossibilitar que os Flamengos passeassem nas terras que há 1500 anos lhes pertencem e que foram imortalizadas nas pinturas de dezenas de mestres entre os quais os 3 Breughel são certamente os mais conhecidos.
De Gordel - een fietsmanifestatie rond Brussel - is een duidelijk signaal dat aantoont dat de Vlamingen niet van plan zijn deze oer-Vlaamse dorpen los te laten.

terça-feira, julho 15, 2008

A Flandres, 706 anos depois : a Bélgica vacila (2)

Hoje a Bélgica está mais perto da desintegração. O estado artificial criado com a ajuda das armas franceses e concebido para ser francófono ("la Belgique sera latine ou ne sera pas") chega ao seu término. Em 1830 uma revolução de opereta acabou com o Reino dos Países-Baixos formado pelos vencedores de Napoleão como uma réplica das históricas 17 Províncias. A seguir começou um século negro para a grande maioria da população, os Flamengos. Foram mais de 100 anos de opressão económico-cultural e de tentativas contínuas para irradiar a sua língua e cultura: dezenas de milhares de Flamengos foram "francofonizados" assim como Bruxelas e diversas aldeias e vilas. A justiça, o exército e o ensino secundário, tudo era obrigatoriamente em Francês. Só em 1930 foi permitido dar aulas em Neerlandês na Universidade de Gent e só em 1967 foi editada a primeira versão flamenga da Constituição belga. Mas entretanto a constelação económica-social da Bélgica tinha mudada. Assim na segunda parte do século XX, a Flandres - o prototipo duma sociedade fortemente influenciada pela democracia cristã - tornou-se numa das regiões mais prosperas da Europa. Ao mesmo tempo, o Sul francófono, vitima de 100 anos ininterruptos de socialismo, afogou-se num marasmo de corrupção, desemprego, excesso de função publica, falência crónica no sistema de saúde e no ensino e "aproveitadorismo" social.
Podemos indicar 2 causas concretas para a crise de hoje :
1º as enormes e incessantes transferências de dinheiro que vão anualmente da Flandres para o Sul, em combinação com a recusa dos francófonos de sanear as suas contas.
2º a rejeição sistemática dos francófonos que se instalam na Flandres de adaptarem-se à língua e cultura daquela região. A Flandres (exactamente como a Valónia) é definida pela Constituição belga como sendo uma zona unilingue.
Existem só 3 soluções duráveis para a Flandres : 1º a manutenção da Bélgica mas sob a forma dum estado confederal onde quase tudo é decido ao nível das regiões. 2º a independência (seria um país pequeno mas bastante rico com um PIB 23% superior à média da Europa). 3º uma fusão gradual com os Países Baixos (a unificação de todos os Neerlandófonos da Europa e em simultâneo um pais economicamente muito forte com 2 dos maiores portos do mar do mundo). Vamos ver e esperar.

quinta-feira, julho 10, 2008

11 de Julho : a Flandres, 706 anos depois (1).

No 11 de Julho de 1302 um exército preponderantemente composto por populares flamengos e aliados conseguiu derrotar a fina-flor da nobreza francesa num vale pantanoso perto de Kortrijk. Esta batalha denominada “a Batalha dos esporões de ouro” (porque os Flamengos vitoriosos penduraram os esporões de ouro dos cavalheiros franceses no tecto da catedral de Kortrijk) tornou-se um símbolo para a confrontação quase milenar entre a França agressiva, expansionista e a pequena Flandres. Existem bastante semelhanças entre este confronto e a batalha de Aljubarrota uns 50 anos mais tarde: não só porque se trata da recusa armada dum pequeno povo com identidade própria em integrar-se à força num país maior, como o facto de ter ficado na memória colectiva o nome de alguns heróis populares: Portugal tem Brites de Almeida, a Padeira de Aljubarrota e os Flamengos recordam-se de Jan Breydel e Pieter De Koninck, um talhante e um escrivão.
A Flandres começou a sua história como condado em 862, mas 2 séculos antes já era mencionada em documentos da época.
São bem conhecidos os laços entre Portugal e a Flandres medieval.
No início da nacionalidade Portugal forneceu à Flandres uma duquesa (Teresa de Portugal 1183) e um duque (Fernando de Portugal 1211). Durante a reconquista na Peninsula os Flamengos participaram na libertação de Lisboa e um pouco mais tarde ajudaram a povoar os Açores. Todavia os contactos mais proveitosos situavam-se na área do comércio e dos negócios (as feitorias de Bruges e Antuérpia) e nas artes (pintura e tapeçaria artística).
O que talvez pouca gente saiba é que fomos durante uns 60 anos governados pela mesma dinastia, a dos Habsburgos espanhóis, a partir de 1580. Assim podemos dizer – com algum humor desfasado –, que os duques de Flandres (descendentes de Carlos Quinto, nascido em Gent e da sua esposa portuguesa) reinaram em Portugal durante a referida época. As guerras religiosas – em consequência ao surgimento do protestantismo – significaram o declínio da prosperidade nas Flandres e o deslocamento do centro de gravidade das 17 Províncias para o Norte, a actual Holanda.

(texto a continuar muito em breve)