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quinta-feira, maio 15, 2014

A Europa dos Estados ou a Europa dos Povos?


                       
(publicado no jornal "Região do Castelo"
Demos por um momento liberdade à nossa imaginação e supomos que na época da Restauração, Dom João IV tinha perdido todas aquelas batalhas entre 1640 e 1665 e, que consequentemente o nosso país ficava manu militari submetido à coroa dos Habsburgos filipinos. É muito provável que nesta situação Portugal teria continuado dentro do reino vizinho com o estatuto duma região de algum modo autónoma, mas de certeza iria sobreviver no fundo da alma deste povo a aspiração indomável à independência total.
Neste cenário hipotético, não soa muito irrealista supor que Portugal numa guerra civil, como a de 1936, também iria ter tentado conquistar a sua liberdade de mão armada tal como os Catalães e Vascos. Más não, não vamos tão longe e imaginamos simplesmente que após quase quatro séculos, teria finalmente chegada a liberdade e democracia a toda a Península. Sob a manta da Pax Europeia supranacional, o povo de Portugal teria pensado que chegara o momento de poder escolher livremente o seu destino, sem necessidade de recorrer a armas, guerra ou terrorismo: manter-se na estrutura estatal existente ou então sair dela e optar por a independência.
Nada disso caros leitores, não é isso que se verifica, não é esta lógica que se aplica.
Nos dias que correm, num contexto idêntico mas real, os “tenores” da Comunidade Europeia vêm negar publicamente a vários povos do velho continente o direito de definir o seu futuro como comunidade por meio de uma votação livre e democrática.
Por outras palavras, “ indivíduos” que não foram eleitos por ninguém, ameaçam antecipadamente expulsar da C.E., os que teriam a ousadia de definir o seu futuro mediante o sufrágio universal.  
Será que falamos de regiões subdesenvolvidas que não têm nenhuma hipótese de sobreviver economicamente e que só irão criar problemas à comunidade internacional? Não, falamos de futuros países com um PIB per capita na ordem dos 26.500€ no caso da Catalunha, dos 32.600€ como a Flandres, dos 28.900€ como o País Vasco e dos 41.000€ como a Escócia (desta última tendo em conta as suas enormes reservas energéticas).
Será que falamos de fantasias nacionalistas recentes? Não, trata-se de povos e regiões existentes e identificados no mapa da Europa há muitos séculos e, que fazem intimamente parte da história humana e cultural deste continente. Todos eles foram incorporados num estado “plurinacional” dentro do qual se sentem abusados e explorados. F oram “integrados” por meio de casamentos reais, intervenções militares ou tratados internacionais contudo nunca foram consultados os seus cidadãos.
Também foi o caso dos Croatas, dos Eslovenos, dos Lituanos, dos Estónios, etc. , todavia estes receberem o aval da comunidade internacional para independentizar-se; como também recentemente uma ilha minúscula no Pacífico e o problemático Sudão do Sul.
A mais terrível prova da insensatez de diversas instâncias internacionais é, sem dúvida, o Kosovo. Em 1999, pela primeira vez desde da segunda Guerra Mundial, um país europeu foi selvaticamente bombardeado: a OTAN fustigou durante mais de dois meses a Sérvia a fim de “convencer” aquele país a largar a sua província histórica
do Kosovo, porque devido a fluxos migratórios no último século, tinha agora uma maioria etnicamente albanesa. Actualmente, o Kosovo é um país insustentável, reconhecido por poucos (Portugal fê-lo mas não a Espanha), com um PIB de 7400€/capita e que se aguenta à base da caridade internacional. 
Entretanto o Sr. Barroso e outros Van Rompuy ´s vêm ameaçar os cidadãos de Barcelona, Edimburgo, Antuérpia e Bilbao para não pensar em independência à pena de serem banidos da C.E., uma posição prepotente e injusta, que mais uma vez prova que a construção Europa na sua forma actual não pertence aos povos nem às pessoas mas sim aos Estados anónimos e à nomenclatura residente em Bruxelas. Cada vez mais compara-se a Comissão ao Politburo da defunta URSS: onde tudo é decidido nas antecâmaras e em “petit comité”.
E o papel de Portugal em tudo isto? Querendo ou não, para estes povos que sonham com a independência, o nosso país continua, neste aspecto, a ser um exemplo. Conseguiu manter a sua independência durante oito séculos ultrapassando todas as crises de qualquer natureza: a confluência perfeita e bem-sucedida do povo, nação e estado.
Da minha parte, creio que Portugal deveria assumir, sem hostilizar as instituições existentes, um papel de padrinho benevolente para estas novas nações em via de nascimento. É um facto que um espaço ibérico onde convivessem além do Reino de Espanha e a República Portuguesa, também uma nação Catalã e uma Vasca (e uma Galega?) dar-nos-ia uma outra dimensão.
É também um facto que a nível europeu, quanto maior o número de países pequenos/médios com ego próprio, maior será o seu peso para contrabalançar a hegemonia dos grandes.
Concluindo, ninguém é obrigado a simpatizar com as aspirações dos povos acima mencionados, mas também ninguém pode ficar indiferente quando lhes for negado o direito básico de decidir de maneira democrática o seu próprio futuro.


PS 1. Teremos uma dívida de honra? Os historiadores afirmam que uma das razões pelas quais Felipe III não se pôde concentrar totalmente na “reconquista” de Portugal nos anos 1640-1650 é que estava a braços com uma revolta na Catalunha. Entretanto Portugal ganhou algum tempo para se preparar militarmente.

PS 2. Há algumas décadas atrás, uma certa esquerda tinha declarado o óbito definitivo do nacionalismo, derrotado pelo internacionalismo operário; enganaram-se bastante porque está mais vivo do que nunca. A barba do velho Marx está cada vez mais depenada…

 

quinta-feira, junho 13, 2013

Há muito para fazer - ou - haveria um erro nas minhas contas?

Hoje, o governo da Região Autónoma da Flandres publicou um relatório sobre as exportações agrícolas em 2012. Segundo Kris Peeters, o Presidente daquela  Região, as exportações agrícolas (no sentido largo da palavra) cresceram com 8% em 2012 . Assim as exportações da agricultura flamenga atingiram  80% das exportações totais da Bélgica neste sector (aproximadamente 30 mil milhões de um total de 38,4 mil milhões de euros). A Flandres tem uma superfície de 13.600 km2, um pouco mais do que a metade do Alentejo (26.150 km2) com uma população de aproximadamente 6 milhões de habitantes, o que significa que não existem aí muitos espaços abertos.
Segundo o  INE a agricultura Portuguesa exportou em 2011 2.225 milhões de euros (um crescimento de 13% em relação a 2010). As duas fontes abaixo mencionadas indicam mais ou menos o mesmo valor

http://www.dinheirovivo.pt/Economia/Artigo/CIECO057622.html
http://www.mundoportugues.org/content/1/11370/sector-primario-portugal-dominado-pela-agricultura-vale-mil-milhoes-euros/

Podemos concluir que a tarefa básica de Portugal existe antes de tudo em trabalhar, desenvolver, estudar, criar, inovar e menos em gritar, manifestar, fazer greve, erguer punhos ou cantar "Grândola..." ou então - outra alternativa - pode sair de uma Comunidade Económica onde os resultados  contam e sempre vão contar. Para ficar mais uma vez "orgulhosamente só..."

PS. Por motivos de honestidade intelectual devemos mencionar que os números apresentados da Flandres incluem produtos transformados da agricultura  como são a cerveja ou o chocolate, facto  que pode alterar de algum modo a diferença entre Portugal e a Flandres.

segunda-feira, maio 28, 2012

Penela: duplamente desfigurada.


O que apenas há alguns meses era um enorme espaço verdejante com florestas, montes, vinhas e olivais transformou-se num deserto mutilado. A paisagem bucólica que os primeiros Reis de Portugal de certeza observaram a partir do castelo de Penela com carinho e orgulho, deixou de existir. Os incêndios florestais do último mês de Março destruíram a flora (e a fauna?) numa grande escala. Todavia existe uma ideia consoladora: a enorme força regeneradora da natureza permite esperar que daqui a alguns anos este aspecto do drama vivido em Penela seja ultrapassado. O que no entanto é irrecuperável são os estragos infligidos pelo ser humano, nomeadamente pelo tipo de Homem que acha que pode recolher prestigio eterno através de obras faraónicas. O novo traçado do IC3, feio e impessoal como todas as autoestradas, deixará para sempre uma cicatriz incurável na cara de Penela. É impressionante ver como existem pessoas capazes de sacrificar o seu bem mais precioso, a natureza, no altar das ilusões e das quimeras. Aqui também somos confrontados com um caso similar aos denunciados por Luís Filipe Menezes: uma autoestrada inútil e excepcionalmente cara. Aqui também a  JSD terá a possibilidade de organizar grandes sardinhadas num ambiente de tranquilidade absoluta....Más serão sardinhas a preço de caviar e a pagar pelas gerações futuras.

Observação picante: os juízes do Tribunal de Contas queixam-se de ter sido induzidos em erro para aprovar cinco auto-estradas, no valor de dez mil milhões de euros. Pobres ingénuos que acham que toda esta fúria para construir autoestradas é só motivada pelo bem comum...

quarta-feira, maio 16, 2012

O Serviço Nacional de Saúde: um duche frio



Hoje foi publicado em vários órgãos da imprensa internacional um Relatório da Health Consumer Powerhouse com um índice nacional dos sistemas de saúde. Quem sempre esteve a glorificar sem reservas o sistema Português (uma das grandes conquistas do 25 de abril, etc. etc.) como sendo  um dos melhores do Mundo (sic) deve equiparar este estudo imparcial a um duche frio, mesmo gelado. De facto, este documento coloca Portugal na escala mais baixa da Europa Ocidental na companhia de alguns países de Leste como a Lituânia, Albânia e Hungria. Países como o Chipre, Eslovénia, Eslováquia e Croácia ultrapassaram de passo alegre o país do S.N.S. "modelar". O relatório critica várias situações que podem ser consultadas em (http://www.healthpowerhouse.com/files/ehci-2012-press-portugal.pdf). Vão contrapor que tudo isso é a culpa da crise, mas notem que a Islândia, até há pouco tempo completamente falida, se encontra num brilhante terceiro lugar. Ninguém discuta a necessidade de um serviço público de saúde para todos e completamente gratuito para os economicamente fracos: o que falta é um SNS com alguma qualidade. Qualquer um que já passou por um hospital ou uma urgência sabe que é quase sempre uma experiência humilhante: um clima de  promiscuidade, de desconforto, de confusão, de carência e de frieza burocrática. Não é de estranhar que nas (geralmente inconfortáveis) salas de espera, se encontre pouca gente "fina": pois têm as cunhas necessárias e conhecem os caminhos adequados para escapar a este tipo de purgatório ou, simplesmente, recorrem a instituições privadas ou estrangeiras. Quando há alguns dias, o Dr. Arnaut,  pai espiritual do SNS, disse recear que o SNS ia se transformar num serviço de segunda categoria exclusivamente para pobres, só estava equivocado num único ponto: pois, já é assim... O SNS é um bem social precioso, mas necessita de mais qualidade, mesmo muito mais, para chegar a um nível aceitável para a Europa Ocidental. Talvez algumas autoestradas, estádios e rotundas a menos teriam permitido ser mais magnânimo num sector vital para este povo em sofrimento.

quarta-feira, maio 09, 2012

A triste "istória" do Português em Portugal

Em Lisboa, a professora da minha neta mandou riscar a letra "h" da palavra história. É o novo acordo ortográfico? Alguém pode me explicar o que se passa com a língua Portuguesa? É que eu já não entendo nada. O que fazer? Talvez uma grevezinha contra o rigor: ortográfico ou outro...

terça-feira, março 20, 2012

Países no marasmo

Na Itália foi iniciada uma grande acção contra a máfia napolitana e já foram confiscados mil milhões de euros. 16 juízes vão ser presos. A Itália não esta doente: está simplesmente podre. O Banco Mundial publicou em 2011 um estudo comparativo entre 4 países do sul da Europa (Itália, Espanha, Grécia e Portugal) e a média do grupo de países que formam o núcleo da zona Euro: Alemanha, França, Benelux, Finlândia, Irlanda e Áustria. Os critérios foram 3: "a eficácia das autoridades", "a qualidade do estado de direito", "o controle da corrupção". Mesmo não estando no último lugar, Portugal permanece na companhia de "amigos" pouco recomendáveis. http://trends.knack.be/economie/opinie/columns/johan-van-overtveldt/hoe-ziek-is-italie/article-4000069842835.htm?nb-handled=true&utm_medium=Email&utm_source=Newsletter-20-03-2012&utm_campaign=Newsletter-Trends-nl

quinta-feira, novembro 19, 2009

Pensando em muros...

A comemoração da queda do Muro de Berlim deu lugar a alguns exercícios de acrobacia intelectual e algumas piruetas de moral política. Por exemplo, quase nunca foi referido de maneira explícita o muro sofisticado e novinho em folha que separa os Palestianos da sua Terra de origem. Não pode ser só coincidência que se baseie nos mesmos argumentos defensivos do que o seu "homólogo" germânico : autoprotecção e sobrevivência... Também foram dados - e com razão - bastante pontapés nos cadáveres da velha RDA e da URSS , mas ninguém teve a coragem de denunciar a atitude dos líderes das grandes "democracias ocidentais" que entregaram - com um sorriso diplomático nos lábios - metade da Europa ao Sr. José Estaline, condenando assim dezenas de milhões de europeus a viver durante mais de 1/2 século sob a bota da ditadura soviética. Se o não prestar assistência à pessoas em perigo é considerado crime, então como devemos definir a entrega da metade da população de um continente a um regime devidamente identificado como sanguinário nas décadas anteriores? Ouvímos também o nosso Durão Barroso proclamar que o processo que induziu ao derrube do Muro foi inspirado na revolução do 25 de Abril. Desculpem, mas receio que esta comparação peque um pouco por exagero. Na Alemanha, tratava-se de um movimento popular real e visível que "empurrou" o Muro, enquanto em Portugal foram "os capitães de Abril" que acabaram com o regime com uma intervenção militar. Também é sabido que o regime do qual os Alemães de Leste se queriam livrar, foi um modelo de inspiração para alguns revolucionários em Portugal. Neste contexto, interrogo-me se no dia 25-04-1974 o jovem Dr. Barroso não estava ainda na sua "era" de simpatia para com as filosofias promovidas pelos construtores da "obra" que dividiu as 2 Alemanhas ... Mais o mais importante, nisto tudo, é reflectir sobre o nosso Muro aqui em Portugal : o nosso próprio Muro da vergonha que continua inalteravelmente em pé, firmo e hirto : o Muro da vergonha que mantém os Portugueses afastados das médias europeias nos índices de bem-estar, o Muro da corrupção, das fugas ao fisco, do tráfico de cunhas e influências. Um Muro tão invisível e impalpável que nem a Justiça o consegue demolir. Um Muro que talvez só o povo unido - como na RDA -será capaz de deitar a baixo ...
Over de muur van Berlijn gesproken : waarom werd tijdens de herdenkingen zelden expliciet gesproken over de muur tussen Israel en Palestina? En ook niet over de Westerse leiders die de helft der Europeanen voor een halve eeuw aan het sovjetregime overgeleverd hebben? Ondertussen hebben wij in Portugal onze eigen onzichtbare muur: de muur der corruptie die aan de Portugese bevolking de toegang belemmert tot de welstand een Europees land waardig...

segunda-feira, novembro 02, 2009

O "juiz belga", uma espécie inexistente em Portugal

Domingo passado, o anterior PM da Bélgica e actual Ministro de Negócios Estrangeiros, Yves Leterme, declarou em frente às câmaras da Televisão Pública que não tem mais confiança na Justiça do seu país. De facto, uma afirmação gravíssima vindo de um dos dignitários máximos do regime. Disse ainda " ... não sou o único a nutrir este tipo de desconfiança, muitos cidadãos também se questionam e eu tenho serias duvidas sobre o comportamento de alguns magistrados". Na realidade, naquele pais rebentaram recentemente vários escândalos nas altas esferas da magistratura. Alguns têm a ver com manipulações relacionadas com a autorização judicial para a venda do banco Fortis quando este estava em apuros : provou-se que vários Juízes tomaram decisões em sintonia com "as indicações " recebidas dos políticos. Outro caso é o da juíza De Tandt que em diversos julgamentos supostamente favoreceu uma empresa à qual deve dezenas de milhares de euros e para além disso teve um papel duvidoso no caso da falência da Sabena. Em outros casos fala-se de chantagem, fraude e extorsão. Resumindo: na Bélgica, os delegados terrestres da deusa Themis têm algumas manchas de caca de pombo nos seus majestosos hábitos negros e não andam de olhos vedados, sabem perfeitamente distinguir uma nota de 500 euros de uma de 200. No final são simples mortais como tu e eu; alguns são honestos, outros são burlões.
Todavia, para a sua tranquilidade, devo dizer que tudo isto só se passa em terras remotas, longe de Portugal. Claro que temos aqui também alguns políticos um bocadinho corruptos - antes, durante ou depois da sua carreira -, existem talvez aqui alguns laços duvidosos entre o mundo empresarial e os partidos, é possível que algumas câmaras guardem algumas poupanças num saco azul em conjunto com um ou outro Senhor do futebol , mas no fim do ciclo, esta lá sempre imutável, como uma rocha nas ondas, a nossa Justiça pronta para fiscalizar, punir e castigar os impuros. Felizmente para nós, na nossa Justiça e nos nossos Tribunais reina a Imparcialidade isenta e a Neutralidade absoluta, não existe qualquer distinção entre ricos e pobres e trabalha-se dia e noite, num ritmo acelerado, para fazer vencer rápida e implacavelmente o Direito. Por vezes, sonho que me chamo Alice e que vivo no País das Maravilhas. E...tenho medo de acordar.
Terwijl in Belgie allerlei schandalen opduiken in verband met de Justitie, denken wij nog altijd het beste van ons gerechtssysteem : alles is wellicht een beetje rot, maar de Justitie is puur...Of ben ik Alice in Wonderland ?

segunda-feira, setembro 28, 2009

Vitória de Pirro ?


Na interpretação das eleições de ontem, existe uma clara contradição entre a politica e a matemática. Para a matemática, a ciência exacta por excelência, só um único partido com representação nacional perdeu votos, nomeadamente o PS que foi sangrado em meio milhão de votos, ficando com só um pouco mais de 1/3 do eleitorado que optou pelo seu projecto. Isto implica que quase 2/3 dos votantes - obviamente às vezes por motivos diametralmente opostos - recusaram o Eng. Sócrates para governar o país. Todos os outros partidos avançam, mesmo o PSD pós-Satanista. A matemática só indica dois grandes vencedores, o CDS-PP e o BE que ambos duplicam mais ou menos o número dos seus deputados, o PSD e a CDU avançam um pouco, mas falham estrondosamente os seus objectivos. Do ponto de vista politico, a situação é algo diferente : o PS continua a ser - e com grande avanço - o partido mais votado e por isso terá direito a (tentar) formar o governo. Há muitas prendas envenenadas : o CDS-PP e o BE só podem fazer qualquer coisa útil com a sua votação tão espectacularmente acrescida, em combinação com José Sócrates; no entanto podemos supor que o seu eleitorado é por convicção ferozmente oposto à figura do PM : assim, colaborar a grande escala com Sócrates de certeza afugentará os eleitores recém-conquistos, mas por outro lado manter-se numa oposição estéril provará a "inutilidade prática " dos seus assentos parlamentares obtidos.
Mesmo assim, considero que os resultados de domingo têm um aspecto positivo para a democracia : deixou de existir a supremacia inabalável dos dois grandes partidos que reduziram a política portuguesa a um jogo de alternância, asfixiando todos as outras correntes políticas . O eleitor - exactamente como no resto da Europa - afastou-se do "melting pot" central e perdeu o medo de andar por outros caminhos, mostrando o seu interesse por projectos mais nítidos, mais claros, mais compreensíveis. Caberá aos nossos políticos provar - como é habito adquirido em muitos outros países da CE - que são capazes de dialogar e de assumir compromissos para o bem da nação : se não, daqui a 1-2 anos seremos outra vez chamados às urnas. E... atenção, mais "uma vitória extraordinária" destas e o PS estará ao nível do PSD da Manuela: a memória do Rei Pirro está omnipresente.
De verkiezingen in Portugal gaven een eigenaardig resultaat : de regerende PS verloor als enige van alle in het parlement zetelende partijen stemmen - een half miljoen dan nog wel -maar behaalde toch veruit het meeste stemmen en zal dus de nieuwe regering vormen. Gaan sterk vooruit de meer linkse (BE) en de meer rechtse (CDS/PP) partijen. De centrale liberale PSD kon zijn zwakke positie hoegenaamd niet verbeteren.

terça-feira, agosto 25, 2009

Uma dica para aumentar a produtividade em Portugal...

Um dos grandes problemas da economia Portuguesa é a fraca produtividade, muito abaixo da média europeia. As causas para o atraso português estão basicamente concentradas em dois dos cinco factores utilizados para avaliar a produtividade dum país : o nível do capital humano e o da capacidade de gestão. Não sou economista, mas tenho a impressão que conheço um método para aumentar a produtividade referida : começar a trabalhar às 9 horas em vez de às 9h e 15. Explico-me : sofrendo de um bioritmo bastante matinal, tenha a tendência de estar sempre à espera uma meia hora antes da abertura das repartições, empresas, escritórios e serviços que de costume começam às 9 horas. Assim tenho todo o tempo de mundo para uma observação pormenorizada de alguns hábitos laborais. O que se passa na realidade é o seguinte : os empregados começam a chegar por volta das 9 horas, passo a passo, gota a gota. Tiram o casaco, abrem os estores, colocam o lanche no frigorífico, bebem um cafézinho, vão fazer a sua mijadela, proliferam alguns comentários sobre a Gripa A e o Ronaldo, pousam delicadamente as nádegas na cadeira e finalmente ligam o computador. São 9h e 15, o trabalho pode começar. Ora bem, creio que neste momento exacto já estamos a perder em relação com os países com melhores índices de produtividade : são quinze minutos, concretamente 3,13% do horário laboral diário. Conclusão : quem consegue convencer os seus colaboradores a entrar no local de trabalho com uns 15 minutos de antecedência - todo o tempo necessário para executar os seus rituais matinais - presta um grande serviço a economia nacional...
Não quero mencionar aqui algumas aberrações tragicómicas às quais ja assisti : como o condutor de um autocarro dos transportes públicos que estaciona o seu veiculo cheio de pessoas, para ir tomar um café ou o chefe da estação dos CTT que fecha o seu estabelecimento colocando um cartaz "voltamos já" na janela, também por motivo da bica...
Als iedereeen stipt om 9h zou beginnen werken en niet om 9h 15 (na een koffietje, een plasje of een babbeltje) zou de productiviteitsindex van de lokale werknemers zeker stijgen...

sexta-feira, agosto 14, 2009

Pequenos paises, grandes exemplos...

Uma grande parte dos portugueses nem sempre tem uma ideia real sobre o que se passa no Mundo e neste contexto quero referir-me aqui ao relatório da W.T.O. (Wordl Trade Organisation) no que diz respeito ao comercio internacional, especificamente sobre as exportações de mercadorias em 2008. Quando consultamos o ranking dos países exportadores somos confrontados com algumas surpresas. Que a Alemanha (1º), a China, os E.U.A. e o Japão lideram a tabela não é de estranhar, mas o que achamos admirável é a quinta posição dos Países Baixos e a oitava da Bélgica, dois pequenos países que têm um território apenas um pouco maior do que o Alentejo. Contam-se 16 milhões de Holandeses e 10 milhões de Belgas. Alguém podia imaginar que a mini-Holanda exporta mais do que a França ou a Itália e a anã Belga mais do que o Reino Unido, a Espanha ou o Brasil ? Continuamos com o exemplo belga: é líder mundial na exportação de tapetes e diamantes, é segundo no chocolate, na margarina e nas fibras naturais, ocupa o terceiro lugar no vidro e o quarto nos automóveis, ovos e bebidas não-alcoólicas... Fazendo as contas "per capita", vemos que o Belga é simplesmente o maior exportador do mundo. Por uma parte podemos sem dúvida atribuir este bom resultado ao altíssimo nível de produtividade atingido pelos trabalhadores daquele país : a mais alta do Mundo a seguir aos E.U.A. e o Luxemburgo (de facto um país atípico). Não seria bom que os nossos políticos se inspirassem mais neste tipo de exemplos de sucesso discreto do que sempre optar para o faraónico quer seja em palavras quer seja em projectos. Finalmente para os que sonham com a reunificação de todos os Neerlandófonos (Flamengos e Holandeses) num estado único : seria simplesmente a quarta potência exportadora do Mundo...
Nederland is de vijfde exporteur ter wereld en Belgie de achtste. Deze toch kleine landen zijn toch een schitterend voorbeeld voor Portugal, niet?

terça-feira, junho 16, 2009

Portugal: um deserto "cervejistico"...

Manifestamente Portugal é um pais de vinho, cheio de qualidade, variedade e maravilhas enófilas; no que diz respeito à cerveja é um deserto total. Não só temos uma situação monopolizante com duas marcas a dominar o mercado como temos a monotonia gustativa de sermos sempre confrontados com os mesmos líquidos medíocres. É um facto que as referencias "mestre" das duas marcas nacionais e omnipresentes não passam de cervejas banais sem qualquer lugar para a surpresa ou originalidade : a única maneira de as consumir de modo humanamente aceitável, é - sentado numa varanda com vista para a praia - engoli-las geladas, de uma só vez, sem mastigar ou degustar. Mesmo assim, estão a anos de luz da perfeição e do prazer que nos disponibiliza uma Krombacher, uma Warsteiner ou uma Stella Artois. Mas a situação torna-se mesmo trágica, quando os fabricantes referidos arriscam-se a elaborar "cervejas especiais" : aí o deslize é completo. Sugerem que as suas receitas são oriundas de uma ou outra velha tradição conventual quando na realidade são cervejas "tratadas" com corantes e conservantes (ver etiqueta) sem qualquer comparação possível com as boas cervejas monásticas do Norte da Europa. Seria injusto não mencionar aqui as fantásticas cervejas "abadicas" belgas que são verdadeiros produtos endógenos, de fermentação alta : são as mundialmente famosas cervejas "Trappistes" de Chimay, West-Vleteren, Achel, Westmalle, Rochefort e Orval. A diferença é tão grande como a que existe entre uma agua-pé a martelo e uma reserva da Barca Velha. Finalmente, não me venham dizer que é um pouco ingénuo procurar boa cerveja na Península Ibérica : quem já experimentou uma Ámbar 1900 de La Zaragozana, uma Alhambra Especial ou simplesmente uma Estrella de Galicia, sabe que não é uma tarefa impossível...
In Portugal wordt de "biermarkt" gedomineerd door 2 nationale merken, bijna een monopolie : gewone pilskes zonder veel ambitie. Het drama begint wanneer ze "speciale" bieren beginnen te brouwen die zogezegd gebaseerd zijn op "kloosterformules". Om te lachen natuurlijk en in de verste verte niets te maken met onze fantastische Belgische trappisten.

segunda-feira, abril 13, 2009

O futebol em Portugal: álgebra especial


O futebol é diferente em Portugal. Ao contrario do que se passa no Resto do Mundo, onde o resultado é decidido por um jogo entre duas equipas de 11 jogadores, neste país as regras são outras. Em Portugal há três intervenientes em cada jogo e cada um tem quase o mesmo grau de influencia sobre o resultado final : a equipa A, a equipa B e a equipa C (a de arbitragem). O que os atletas fazem de bom ou de mal no relvado pode ser interessante, no entanto não é decisivo para o resultado final : de facto temos de admitir que é o terceiro interveniente, sendo a equipa de arbitragem, que tem a voz mais preponderante e sem recurso possível. Enquanto os membros das equipas A e B podem ser castigados ou mesmo expulsos, os da equipa C, dispõem de uma imunidade quase diplomática. Mas a complexidade do futebol Português não pára aqui: são possíveis diversas combinações : a equipa C pode apoiar a equipa A ou B segundo a disponibilidade de relógios em ouro ou damas de vida fácil. A tarefa mais difícil é sem dúvida para os apostadores da Bwin : a aposta torna-se quase num excercio de álgebra : nalguns casos vemos que A+C > B, não é no entanto de excluir que B+C > A . Especialmente na condição de B-Rolex = C+Rolex . Muito raramente somos confrontados com a equação A+B>C, só se os membros da equipa C forem mesmo burros ou ignorantes.
In Portugal is het voetbal anders: het gaat hier niet om een wedstrijd tussen 2 ploegen van 11, maar wel om een treffen met 3 ploegen: hier speelt immers het scheidsrechterteam vaak een doorslaggevende rol.

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Fernando Pessoa: a visão do génio...

Até agora, não eram conhecidas referências aos Países Baixos e à Bélgica por parte de Fernando Pessoa .
O literato Neerlandês Michaël Stoker encontrou alguns textos do mundialmente famoso poeta português sobre a Holanda e a Bélgica. Stoker detectou o rasto destes documentos durante a preparação da sua tese de doutoramento sobre Pessoa. Esta noticia foi hoje divulgada pela Fundação "Het Poeziecircus" . Os textos demonstram que o Português não tinha uma ideia muito positiva sobre aqueles países. Intitula a Holanda como sendo "um país inferior" e a Bélgica "uma pseudo-nação " e afirma que "este tipo de país não contribui nada à civilização. Podem deixar de existir sem que isto provoque qualquer dano para a civilização". O "promovendus" à Universidade de Utrecht apresentará o seu livro, que inclui os textos mencionados, na altura do festival Pessoa que terá lugar nos Países Baixos e onde estará presente o embaixador de Portugal. Não tenho nada a dizer sobre a opinião de Pessoa em relação à Holanda, mas no que diz respeito à Bélgica, quero sublinhar que não é o primeiro gigante da poesia que despreza a Bélgica : também Baudelaire pensou nos mesmos moldes. Finalmente para entusiasmar um pouco os nacionalistas flamengos : é de Fernando Pessoa (ou melhor ainda, do seu heterónimo Bernardo Soares ) o famoso verso "a minha pátria é a minha língua".
De Nederlandse letterkundige M. Stoker, heeft teksten ontdekt waarin Fernando Pessoa zijn misprijzen uitspreekt over Nederland en Belgie. Belgie noemt hij een pseudo-natie. Het is trouwens niet de enige gigant van de poezie die Belgie geen warm hart toedraagt, Baudelaire had dezelfde opinie. Terloops, de fameuze zin " mijn vaderland is mijn taal " is van de hand van Fernando Pessoa, geschreven onder zijn heteronieme naam Bernando Soares.

terça-feira, outubro 14, 2008

Ranking de Universidades

O Diário "As Beiras" publicou ontem um artigo sobre a classificação da Universidade de Coimbra no World University Ranking, com um título principal ligeiramente enganador, a saber: "Coimbra continua a ser a melhor". A realidade no entanto é que, a Universidade de Coimbra desce de novo no Ranking Mundial para o 387º lugar e para o 6º a nível ibérico. Esta classificação pode ser vista no "top 200" do site http://www.timeshighereducation.co.uk/hybrid.asp?typeCode=243&pubCode=1 .
A impressão que tenho é que este ranking não é muito diferente da também famosa lista elaborada pela Universidade de Xangai. Uma classificação deste género vale mais do que uma mera explicação para o consumo local e merece uma análise mais aprofundada. Assim constatei com contentamento - provavelmente motivado por algum chauvinismo latente da minha parte - a excelente prestação das Universidades Neerlandófonas. De facto, nas primeiras 200 classificadas encontramos nem mais nem menos, do que 14 institutos de expressão neerlandesa ( dos Países Baixos e da parte Flamenga da Bélgica, ou seja um universo linguístico com apenas 22 milhões de praticantes). Comparada com a Francofonía (8 classificadas), o mundo Hispânico (3 classificadas) ou a Lusofonia (só representada pela Universidade de São Paulo) é caso de um resultado extraordinário. Neste contexto, seria injusto omitir os êxitos também notáveis de alguns outros pequenos países como a Dinamarca, a Suíça, a Suécia ou Israel. Uma coisa esta fora de discussão: a qualidade do ensino universitário não está minimamente relacionada com importância numérica de uma ou outra zona linguística. Não disponho de autoridade nenhuma para interpretar estes dados, todavia tenho as minhas opiniões como cidadão. Sendo assim, não creio que a pletora de "universidadezinhas" em Portugal - que crescem como cogumelos por todo lado -, seja propicia ao incremento do nível do ensino superior; não só porque não cria quaisquer estímulos de competitividade intelectual como também desvia meios financeiros do objectivo principal que deveria continuar a ser em exclusivo as universidades "a sério". Além disso estou convencido que deveríamos mudar um pouco de mentalidade: fanfarronar menos sobre Grandeza, Prestigio e Mundos, e dedicar-nos mais ao trabalho assíduo, exigente e silencioso. Há bastantes cientistas que funcionam nestes moldes em Portugal, mas estes - excepto em alguns esplêndidos programas da RTP2 - têm raramente a oportunidade de aproximar-se dos microfones...
Het is toch merkwaardig dat in de World University Ranking bij de top-200 veertien (14) nederlandstalige ( Nl+Be) universiteiten zijn, meer dan frans-, spaans-, en portugeestalige samen. Er is dus zeker geen verband tussen het aantal sprekers van een taal en de kwaliteit van het hoger onderwijs in diezelfde taal.

sexta-feira, agosto 29, 2008

Um Património vivo desprezado em Portugal

No nosso país temos 4 raças próprias de pombos ornamentais. Ao contrário do que se passa em outros países onde todas as raças de animais domésticos autóctones são apreciadas, preservadas e apoiadas, mesmo que pertençam a espécies sem grande utilidade económica directa, em Portugal estas aves estão em via de desaparecimento. Não usufruem de nenhum incentivo oficial, não merecem qualquer interesse dos meios de comunicação social, são ignoradas pela opinião pública: o abandono total. No entanto, os referidos pombos fazem parte do património vivo deste país na mesma medida como o Burro de Miranda, o Porco Bisaro ou o Cão da Serra da Estrela. As origens do Mariola (2) (e obviamente também da sua forma anã, o Mariolinha (1)) recuam à época dos descobrimentos e deste modo deveriam ter um grande valor sentimental para cada Português: a triste realidade é que existe apenas um par de criadores em território nacional. O Criador Lusitano (4) é um pombo robusto e rústico que além de ser bonito podia ter interesse como produtor de carne para um sector onde estamos sempre à procura de produtos endógenos, todavia esta ave também se tornou raríssima. E finalmente temos o mais pequeno de todos, o cambalhota Português (3), capaz de fazer acrobacias ousadas no ar: uma raça muito apreciada no estrangeiro, tanto na Alemanha como nos EUA.
Honrar o passado é um orgulho para o presente, e neste domínio Portugal falha estrondosamente, claro exceptuando esta mão cheia de criadores nacionais corajosos e perseverantes.
Deze vier inheemse duivenrassen kunnen op weinig appreciatie rekenen in Portugal. Nochtans maken ze deel uit van het levend patrimonium.

quarta-feira, junho 25, 2008

Coimbra, podia ter sido ...mas não foi...


...a referência portuguesa no controlo dos "pombos da cidade". A imagem aqui ao lado mostra um pombal de arquitectura "design" em Amesterdão, destinado aos pombos da cidade e construido por cima dum centro comercial em pleno centro da cidade. Os ediles de Coimbra continuam a falar sobre o assunto há mais de 5 anos... Ninguém tem dúvidas sobre a necessidade de restringir o número dos pombos que vivem nas nossas cidades. Todavia, é de notar que nos países mais avançados neste aspecto (Alemanha, Suiça, França, Holanda, …) estas aves têm direitos e não podem ser abatidas de qualquer maneira ou submetidas a tratamentos químicos incontroláveis: de facto, existe aí uma opinião pública atenta e sempre pronta para denunciar qualquer atentado contra a sua dignidade como ser vivo. Consta na verdade que muitos destes pombos estão doentes, situação em nada extraordinária para animais selvagens que são. No entanto, a maior parte das suas doenças são do foro patogénico específico do pombo ou das aves em geral, e não são transmissíveis ao Homem. Em relação às doenças eventualmente contagiosas para a nossa espécie, falta um fundamento científico a qualquer exagero: assim, a Universidade de Basileia (2004) publicou um documento no qual estipula que nos últimos 62 anos só foram relatados no mundo inteiro176 casos de transmissão de doenças de pombos da cidade para o Homem, o que corresponde a uma média que não atinge os 3 casos por ano. Considerando as centenas de milhões de pombos e pessoas que convivem diariamente em todas as grandes cidades deste planeta, é de facto um número irrisório. Ainda por cima, dois terços das doenças relatadas são de origem fúngica com destaque para a Criptococose. Muitos destes casos são imputáveis não a um incremento dos contactos entre pombos e pessoas mas sim à alteração da situação imunitária do Homem: concretamente porque existem hoje em dia provavelmente mais pessoas que sofrem de um ou outro tipo de imunodeficiência (p.ex. a Sida). O primeiro culpado pela proliferação crescente destes pombos na cidade é, nem mais nem menos, o próprio Homem que disponibiliza por todo o lado lixo alimentar na via pública em combinação com a multiplicação dos prédios degradados. Ambos são assuntos nos quais as Câmaras também têm responsabilidade.
Conclusão: o que já foi dito em 1990 por pesquisadores das Universidades de Utreque e
Munique, nomeadamente que o pombo da cidade é mais um perigo para os outros pombos e aves do que para os humanos, é confirmado por outros termos em 2004 por Wackernagel (Basileia) “ mesmo que os pombos da cidade possam significar esporadicamente um risco para a saúde humana, este risco é muito baixo, mesmo para pessoas que por motivos profissionais trabalham na proximidade dos sítios onde nidificam”. O vereador responsável retirou à Coimbra uma única oportunidade de se destacar neste domínio e dar um exemplo a todos os outros municípios de Portugal. Poderíamos ter optado por soluções similares às utilizadas em centenas de grandes cidades Europeias (Munique, Roterdão, Amesterdão, Zurique, etc. etc.) com base em medidas sinergéticas e humanamente aceitáveis (recusando desde o inicio o uso de métodos cruéis). A instalação de pombais municipais – em vários casos frutos de uma arquitectura de vanguarda - dentro do perímetro da cidade também faz parte desta solução. Paciência, temos o que temos e quando os políticos devem tomar decisões em assuntos que não dominam …
De stad Coimbra die zich graag profileert als de stad van de Gezondheid in Portugal, heeft een mooie gelegenheid laten voorbijgaan om pionier te worden in de kontrole der stadsduiven op een humane en moderne manier. Nu ja, politiekers die moeten beslissen over onderwerpen die ze niet beheersen...